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Foi com “grande alegria”, “muita satisfação” e “alguma emoção” que os antigos presidentes da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, José Carlos Marinho (que presidiu à autarquia entre 1976 e 1979) e Antero Martins (que ocupou o cargo no período 1980-1982) descerraram o seu retrato na “Galeria dos Presidentes”, um espaço de memória dedicado aos cinco autarcas do regime democrático que lideraram a autarquia desde o 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje. Cinco autarcas “representantes de diferentes quadrantes políticos e ideológicos”, como destacou o actual edil Armindo Costa, o que revela “a boa saúde da nossa democracia local e da maturidade política da população”.
Para Antero Martins, que foi eleito pela Aliança Democrática, uma coligação entre PSD, CDS e PPM, em 1980, a homenagem significou “o reconhecimento público pelo trabalho desenvolvido em prol do município, um trabalho que me deu muita honra”, afirmou, visivelmente satisfeito. Por sua vez, José Carlos Marinho, eleito pelo PSD, em 1976, referiu que a homenagem lhe trouxe “uma grande alegria, pelos tempos passados”. “Foram momentos difíceis, mas que conseguimos ultrapassar”, recordou o autarca famalicense, que venceu as primeiras eleições autárquicas, em 1976. Pinheiro Braga, já falecido, foi representado por familiares, enquanto Agostinho Fernandes, por compromissos anteriormente assumidos, não esteve presente na cerimónia.
Inaugurada no âmbito das comemorações municipais do 35.º aniversário da Revolução dos Cravos, a Galeria dos Presidentes está patente no átrio dos Paços do Concelho, sendo composta ainda pelos retratos de Pinheiro Braga (do MDP/CDE, que presidiu à comissão administrativa entre 1974 e 1976), Agostinho Fernandes (do PS, que presidiu à autarquia entre 1983 e 2001) e Armindo Costa (eleito pela coligação PSD-CDS, que lidera o município desde 2002, estando, agora, a concluir o seu segundo mandato).
Para Armindo Costa, “a Galeria dos Presidentes da Câmara de Famalicão, do pós-25 de Abril, representa a nossa gratidão pelos serviços que todos os autarcas prestaram ao Município, em 35 anos de Democracia”. O edil, que falava durante a sessão solene da Assembleia Municipal evocativa da revolução dos cravos, que se seguiu à inauguração da galeria, salientou que o espaço, “que há-de receber outros autarcas nos anos vindouros, ficará para sempre como um reconhecimento histórico do Município de Famalicão a todos aqueles que serviram a causa pública, por escolha livre e democrática dos Famalicenses”.
Armindo Costa realçou ainda o facto de, “nestes 35 anos de Democracia, a Câmara Municipal de Famalicão ter sido governada por representantes de diferentes quadrantes políticos e ideológicos”. E acrescentou: “Como presidente da Câmara de Famalicão, que foi eleito pelo povo, orgulho-me de ter nascido e viver numa terra onde a democracia funciona em pleno, onde todos têm voz activa e onde todos participam no seu desenvolvimento colectivo”.
Também o presidente da Assembleia Municipal, Nuno Melo elogiou a criação da Galeria dos Presidentes assinalando “que é uma justa homenagem à democracia”, que ganha ainda “mais significado por ter sido feita em vida” para a maioria. De todos os autarcas que integram a galeria, só Pinheiro Braga faleceu. 
 
“MAIOR RESPONSABILIDADE”
 
Entretanto, na intervenção que abriu a sessão da Assembleia Municipal evocativa do 35.º aniversário do 25 de Abril, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão salientou que “o 25 de Abril proporcionou-nos a liberdade, deu-nos a possibilidade de escolher quem nos governa, trouxe o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida das populações, mas o 25 de Abril trouxe também uma maior responsabilidade para todos, nomeadamente, para os autarcas eleitos pelo povo.” E acrescentou: “Uma responsabilidade para os autarcas que estão no poder e uma responsabilidade para os autarcas que estão na oposição.”
Para o autarca, “em nome do 25 de Abril, temos a responsabilidade de falar sempre a verdade aos famalicenses, rejeitando a mentira e a demagogia”, “temos a responsabilidade de gerir correctamente os dinheiros públicos, rejeitando o desperdício e a falta de critério” e “temos a responsabilidade de desenvolver políticas concretas que proporcionem o bem-estar e a qualidade de vida, para que todos possam responder melhor à crise económica que atravessamos”.
Referindo-se à grave crise económica e financeira que o mundo atravessa, Armindo Costa afirmou que a autarquia tem “prosseguido uma estratégia que visa afirmar Famalicão como um dos concelhos mais solidários, mais competitivos e mais atractivos do País”. “Estamos a promover o desenvolvimento sustentável do nosso território, ampliando e modernizando as infra-estruturas” e “estamos a promover a coesão social, criando condições para uma maior igualdade de oportunidades no acesso a serviços nas áreas do ambiente, solidariedade, educação e cultura”, acrescentou. Armindo Costa destacou ainda que “como autarcas, temos o grande desafio de desenvolver e modernizar o concelho, mobilizando os Famalicenses para uma tarefa que é de todos”.
A sessão solene evocativa do 25 de Abril da Assembleia Municipal de Famalicão contou ainda com dez intervenções dos diferentes quadrantes políticos.