A passagem de ano é um ritual que vai actualizando o mito das origens. As sociedades precisam de dar lugar à expansão das forças caóticas, para que, em seguida, tudo regresse à ordem.

 É o mito da renovação e de algum modo, do eterno retorno: tudo vai e tudo volta. Ainda hoje, há zonas do mundo, onde na noite de passagem de ano, o que é velho ou considerado desnecessário e gasto é atirado pela janela.

O ano que acabou não foi muito bom para os portugueses e o que agora começou também não se apresenta favorável à melhoria das suas condições de vida.

Muitos foram os factos marcadamente negativos da actividade do Governo ao longo do jose moreira da silva.jpgano que agora findou, como seja, a falta de sensibilidade que revelou no relacionamento com as Forças Armadas e as Forças de Segurança criando uma grande instabilidade em sectores que a estabilidade deveria ser uma constante.

As grandes reformas de que o país está tão carenciado, continuam a ser adiadas e até foram perdidas as oportunidades, de reformar verdadeiramente a Segurança Social.

É verdade que o governo tem feito um trabalho meritório e digno de ser assinalado, em prol da desburocratização, mas também é justo que se diga que muitas das medidas agora concretizadas já estavam preparadas pelo anterior Executivo. Em todo o caso, os louros desta acção são do actual.

A situação económica continua muito débil e sem se ver “a luz ao fundo do túnel” mas o Governo com o seu afã propagandístico muito bem “auxiliado” pela Comunicação Social faz esconder a grave crise em que nos encontramos.

O Governo Socialista, introduziu inteligentemente na agenda política o referendo do aborto para assim serem escondidas as grandes questões como a crise económica; o desemprego que tem números assustadores e até o facto de continuarmos a descer no ranking europeu que mostra que já alguns países que recentemente entraram na União Europeia já nos ultrapassaram e outros mais, estão quase a ultrapassar-nos. E nós a vê-los passar.

Os números continuam dramáticos, mesmo que o Primeiro-Ministro faça muitas “Mensagens de Natal” cheias de optimismo: crescemos nos primeiros noves meses deste ano apenas 1,1% do PIB; Ou seja, continuamos a divergir da média europeia. Por outro lado, entre 1995 e 2005, perdemos 15% de quota de mercado da UE, ao passo que os novos Estados Membros do Leste conquistaram 60%. Ou seja, não temos conseguido resistir à deslocalização das indústrias e do capital.

Se a estes dados acrescentarmos o endividamento cada vez mais sufocante das famílias e empresas e a excessiva carga fiscal, que onera estas e aquelas, temos um quadro muito preocupante da situação económica do país, à qual o Governo não tem sabido responder com eficácia, a não ser, continuar na senda dos aumentos dos bens essenciais.

Os produtos ou serviços que vão aumentar desde já, fazem uma lista que nunca mais acaba: electricidade, água, licença para pesca, portagens, pão, transportes públicos, gasolina e gasóleo, medicamentos, rendas de casa, crédito à habitação, tabaco, taxas moderadoras, juros, e o que mais adiante se verá.

É muito difícil encontrar um produto essencial na vida dos portugueses que não vá aumentar logo no início do ano e muito acima do aumento dos salários e das pensões.

Para onde nos levam os socialistas!?!

Votos sinceros de um Bom Ano de 2007.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt