Na sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia de Alvarelhos não houve uma intervenção, quer de membros do órgão, quer de populares, contra a reforma administrativa.

É raro ver o auditório da Junta de Freguesia de Alvarelhos tão cheio em dia de assembleia. Segunda-feira, 21 de novembro, foi uma exceção à regra, com pessoas da freguesia e de Guidões presentes na sessão extraordinária, para ouvir falar da reforma administrativa. Já dar a opinião não foi um direito muito utilizado na Assembleia, pois apenas três habitantes de Alvarelhos intervieram. No entanto, pelas manifestações do público, membros da Assembleia e executivo da Junta, parece consensual a necessidade de se fazer a reforma administrativa.

Depois da exposição do presidente da Assembleia, Ricardo Moreira, sobre o que consta no Documento Verde, e que deixa antever a junção de Alvarelhos com Muro e Guidões, pelo facto de estas freguesias não terem mais de cinco mil habitantes, o alvarelhense Sérgio Araújo considerou que a reforma “não vai fazer com que as freguesias desapareçam”. “O que as compõem é a cultura, quem faz a cultura e as tradições são as pessoas e isso nunca se vai perder. No meu entender, um dos objetivos desta reforma passa por fazer com que muitos façam melhor o trabalho que poucos não conseguem fazer”, frisou, alertando que este assunto deve estar despido de “qualquer demagogia partidária”.

António Vieira utilizou o exemplo das cidades Buda e Peste (atual Budapeste), que se uniram “para ficarem mais fortes”, para defender a reforma administrativa. “Temos que ter noção que isto tem que se fazer. Juntos, somos muito mais fortes. O nome da nova freguesia não importa, mas sim o facto de ficar mais barato para toda a gente”, afirmou.

“Quanto mais unidos formos, mais força teremos para reivindicarmos as nossas regalias”, defendeu Joaquim Ramos. Para este alvarelhense, “os nomes do Muro e Guidões não vão desaparecer, porque as paróquias continuam e só a parte civil será unida”.

O presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Oliveira, referiu que defenderá “o que o povo de Alvarelhos quiser face à reforma”, no entanto considera que “o mapa administrativo está desenquadrado” e que a medida que o Governo quer implementar “já devia ter sido feita há muito tempo”. O autarca salientou ainda que, caso se confirme a “fusão” das freguesias, os novos dirigentes eleitos em 2013 “terão muito trabalho”. “Deve-se criar condições para que todas as pessoas se sintam integradas, se sintam respeitadas e que pertencem, de justo valor, à nova terra, sem criar situações de nacionalismo nem imposições”.

E sobre a intervenção de Sérgio Quelhas, que garantiu que se vai bater pelo nome de Alvarelhos, Joaquim Oliveira defendeu que a designação da nova freguesia “deve recolher o consenso das populações envolvidas”.

Já José Júlio, do PS, considera que “o nome Castro nem fica mal, já que é o nome de um património muito importante nesta freguesia”.

Para o socialista Adriano Teixeira, a reforma administrativa “peca por tardia”, considerando que “Alvarelhos não se irá opor” e que “os cidadãos de Guidões e do Muro são muito bem-vindos a esta freguesia”.

 

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