A magia da Fada dos Dentes inspirou o projeto Histórias de encantar, desenvolvido, ao longo do ano, pela professora, encarregados de educação e alunos do 1º ano da Escola Básica do Paranho.

Há muitos muitos anos, numa galáxia distante, havia o pequeno planeta a quem chamavam Dentoleite, que era muito especial, pois nele habitavam fadas. Uma delas distinguia-se de todas as outras, pois não tinha qualquer dom, o que era motivo de chacota para os habitantes do planeta.

Este é o início da história da Fada dos Dentes, desenvolvido pela professora Leonídia Sousa e os seus 22 alunos do 1º ano da EB1 JI de Paranho, que, juntamente com mais 22 contos, desenvolvidos pelos alunos e seus encarregados de educação, compõem o projeto Histórias de Encantar da Fada dos Dentes.

As alunas Maria Carolina Mamede, Maria Cruz, Cláudia Zhang e Vânia Ferreira contaram ao NT e à TrofaTv o resto da história que, mais tarde, serviu para inspirar uma peça de teatro. Um dia, quando a Fada dos Dentes andava a ajudar a Fada do Amor a espalhar este sentimento tão nobre, tropeçou, caiu sobre a carapaça da tartaruga Mafalda e, quando se levantou, caiu-lhe um dente de leite. Na manhã seguinte, a Fada sem dom acordou determinada em encontrar algo para colocar no lugar do dente partido, pois não queria, uma vez mais, ser motivo de chacota. Depois de muito procurar, a Fada encontrou lindos e reluzentes dentinhos de leite de crianças terrestre. Depois de os limpar, chamou pelo espelho mágico, para saber se cabiam no lugar. Quando o espelho lhe disse que não cabia, a fada, exausta e furiosa, lançou um feitiço sobre os dentes, que se transformaram em pó.

E é assim que termina a história? “Não”, responderam as alunas, contando que esse pó era mágico e que, com ele, as fadas conseguiam voar. Foi a partir desse dia que a Fada sem dom, passou a chamar-se a Fada dos Dentes. Também os alunos Martim Moniz, Bárbara Silva, Carolina Costa e João Silva participaram nesta conversa, onde, animados, contaram quais os papéis que desempenharam na peça de teatro e o quanto gostaram de escrever e ilustrar, com seus encarregados de educação, as suas histórias. Além disso, todos partilhavam o mesmo sonho: conhecer a Fada dos Dentes. 

Leonídia Sousa adiantou que este projeto “nasceu” na disciplina de Área de Projeto, com o intuito de “desenvolver várias competências pedagógicas nos alunos”. Como os alunos estão na fase da “mudança da dentição” e tinham muita curiosidade pela Fada dos Dentes, a professora decidiu trazer os alunos para este mundo mágico, de forma a “conseguir motivá-los para as aprendizagens pedagógicas e, em simultâneo, para a leitura e escrita criativa”.

Um projeto com várias atividades que foram desenvolvidas ao longo do ano letivo. A primeira etapa passou pela construção de um livro, que tivesse “características especiais”, para que os alunos “não o vissem como os outros que estão nas estantes”. A professora propôs ainda que o livro fosse do tamanho do aluno mais alto da turma, 1.30 metros, para que fosse “um dia diferente e com as características dos meninos”.

“O tamanho dele era logo o primeiro obstáculo. Eu queria que fosse especial, que tivesse características muito próprias deles. Achei que era importante eles verem que era como parte deles. O facto de construírem uma história é fundamental para eles, para todo o percurso escolar e depois, a nível profissional, que tenham gosto em escrever e ler, mas de uma forma entusiástica”, asseverou.

Na história redigida com a professora, os alunos, entusiasticamente, deram ideias sobre “que tipo de personagens é que gostavam de encontrar nas histórias, quais as características que gostavam de evidenciar, às vezes atitudes e comportamentos”. Logo à partida “o objetivo estava conseguido”, pois, além de ter conseguido motivado a leitura, desenvolveu o gosto pela escrita, visto que as crianças querem, cada vez mais, escrever novas histórias. Nesta etapa também foi desenvolvida a componente informática, onde os alunos “tiveram o primeiro contacto com o computador”, quando redigiram a sua história. Outra componente educativa desenvolvida esteve ligada à higiene oral, onde Sofia Alves falou com os alunos sobre os “cuidados a ter” com os seus dentes, vivenciando que “não é preciso ter medo” de estar com um dentista, pois até é algo “divertido”. 

As crianças ficaram “tão entusiasmadas” com esta sessão, que chegaram a levar pasta e escova de dentes para a escola. Inserido no projeto também decorreu uma visita de estuda a uma quinta que confecionava “alimentos saudáveis”, para transmitir aos alunos que, além dos cuidados de higiene, também é necessário existir cuidados com a alimentação. Como a Fada dos Dentes utiliza dentes saudáveis para fazer o pó mágico, as crianças ficaram mais “motivadas a cuidar da sua higiene oral”, transmitindo essa mensagem aos seus familiares. 

Justiniana Pereira, representante dos encarregados de educação da turma 30, contou que quando tiveram conhecimento do projeto aceitaram “um pouco a medo”. Mas, com o desenrolar do projeto, também eles ficaram “a gostar ainda mais da Fada dos Dentes”, fazendo de tudo para realizar “o sonho” das crianças e fazendo magia. Uma iniciativa, na sua opinião, importante, porque sensibilizou-os para a sua relação com as crianças, demonstrando que é importante acompanharem os educandos na escola e a “sonhar e a lutar por aquilo que querem”.

História inspirou peça de teatro

Foi a partir da história escrita pela professora e alunos, que surgiu a peça de teatro, que foi apresentada no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, na quarta-feira, dia 13 de junho. A peça foi redigida e encenada pela professora, que aplicou nas personagens “características muito próprias” das crianças. “Eles mal ouviram pela primeira vez a peça de teatro, sorriram, identificaram-se e viveram com tanto entusiasmo, que não tiveram dificuldade em memorizar os seus papeis. Era como se fizesse parte deles. Depois juntamente com as projeções do mundo da fantasia, com as músicas que acompanharam a peça, as vozes e expressões deles, criou-se mesmo a verdadeira magia.”, frisou.

Leonídia Sousa contou ainda com a ajuda do ator Romeu Anjos, que, além de os ajudarem a “preparem o seu papel”, realizou o casting para selecionar as personagens, e do encarregado de educação André Oliveira, que compôs uma música original, inspirada na história do livro, e que “as crianças adoram”. Como o projeto foi vivido de uma forma “tão intensa pelas crianças”, Leonídia Sousa não quer que o projeto encerre por aqui.

Por essa razão, vai expor o livro na Casa da Cultura da Trofa, para que seja possível “partilhar ideias. A contracapa do livro está em branco, para que os visitantes possam participar, deixando uma “dedicatória ou uma reflexão daquilo que viram”.

Encarregados de educação foram peça fundamental

Quando propôs aos encarregados de educação trabalharem em conjunto, para obterem “melhores resultados”, a professora acredita que, inicialmente, aceitaram, não contando que se tornasse “um desafio tão grande”.

Leonídia Sousa salientou que os encarregados de educação foram fundamentais no sucesso deste projeto, pois “viveram com muita intensidade, empenharam-se e abraçaram de forma incansável todo este projeto”, ajudando na procura de apoios para o seu desenvolvimento. O entusiasmo dos filhos contagiou os responsáveis que, perante “todos os obstáculos que foram surgindo”, uniram-se para que juntos conseguissem ultrapassá-los.

A professora aproveitou ainda para agradecer a todas as entidades que ajudaram para que este projeto fosse possível. 

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