O Casino da Póvoa foi palco da entrega do maior prémio de artes plásticas ao escultor trofense Alberto Carneiro, pelas mãos da ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. Para além de receber 30 mil euros, Alberto Costa, viu editada uma monografia da sua obra.

  Alberto Carneiro, escultor trofense, foi distinguido, esta sexta-feira, no Casino da Póvoa, com o Prémio de Artes Casino da Póvoa, o maior galardão de artes plásticas atribuído em Portugal. O prémio foi entregue ao escultor pela ministra de Cultura, Isabel Pires de Lima, e tinha o valor de 30 mil euros, com a possibilidade de se editar um livro sobre a sua obra.

Bernardino Pinto de Almeida, Vasco Graça Moura e Mário Assis Ferreira constituíram o júri que atribuiu o prémio Alberto Carneiro, que viu João Fernandes, director do Museu de Serralves, apresentar uma monografia sobre o autor, intitulada "Alberto Carneiro lição das coisas", da autoria de Bernardo Pinto de Almeida e que narra percurso do artista e evidencia todo o trabalho desenvolvido daquele que é considerado um dos 10 nomes mais importantes das artes plásticas portuguesas.

O Casino da Póvoa adquiriu uma obra do artista para o seu espólio, intitulada "Sinais e sabedoria da floresta".

João Fernandes teceu largos elogios ao escultor trofense e referiu que "nenhum prémio é de mais para reconhecer as portas que o seu trabalho abriu no confronto com o Mundo. O trabalho de Alberto Carneiro não cessa de nos surpreender". Sobre a obra publicada, João Fernandes sublinhou que contribuirá para uma revisitação aos projectos e à obra de Alberto Carneiro, que ainda possuiu muitas peças menos conhecidos do grande público. O director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves afiançou ainda que o trabalho editado explicitará o modo como Alberto Carneiro abriu portas não só para a arte, mas também através de discursos relevantes que questionam a relação da arte com a natureza e simultaneamente interrogam a relação do homem com o mundo, realçando que o facto de o escultor transfigurar para o espaço dos museus um campo de trigo, uma árvore ou outros cenários rurais que como se sabe estão ligados intimamente ao escultor.

Com a atribuição deste prémio, Alberto Carneiro vê reconhecido todo o trabalho desenvolvido ao longo dos 45 anos de carreira artística.

Nascido em S. Mamede do Coronado, em 1937, Alberto Carneiro licenciou-se na Escola de Belas Artes do Porto e efectuou uma pós-graduação pela Saint Martin's School of Art de Londres, no final da década de 60. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian no Porto e em Londres. Foi professor no Círculo de Artes Plásticas da Universidade de Coimbra, na Escola de Belas-Artes do Porto e na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.

Realizou 73 exposições individuais e participou em mais de 100 colectivas, tanto em Portugal como no estrangeiro e a sua obra é reconhecida internacionalmente, com esculturas públicas na Eslovénia, Inglaterra, Irlanda, Coreia do Sul e Equador.

Em 1968, recebeu um prémio o Prémio Nacional de Escultura. Em entrevista aos jornalistas revelou que a distinção não funciona como um estímulo, mas sim como um reconhecimento. Apesar de frisar que não precisa de distinções para ter nem de vontade e força para trabalhar diariamente no ateliê, o escultor reconheceu "ter ficado bastante satisfeito com este prémio e interpreto-o como veículo de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido".