Numa carta enviada à presidente da Assembleia de Freguesia (AF) do Coronado, Cecília Pereira, a “6 de maio”, Alberto Carneiro manifestou “o maior repúdio pelas afirmações produzidas por Augusto Jesus”, na sessão de “27 de abril” da AF, relativamente “ao Jardim-Escultura”, quando afirmou que a obra custou “uma pipa de massa”. Além disso, o escultor não ficou agradado com as “afirmações feitas” a si, quando Augusto Jesus declarou que “já é a segunda vez que este senhor recebeu dinheiros públicos, para investir na própria terra”, enumerando que Alberto Carneiro “já usufruiu de uma quantia considerável da Câmara de Santo Tirso”.
“Tais afirmações são manifestamente graves e atentatórias ao bom nome e dignidade do destinatário, estando a ser produzidas de forma muito leviana imbuída de uma irresponsabilidade a todos os níveis visíveis. Por isso e de modo a que tais afirmações não possam ficar soltas na opinião pública, exige que a presidente da AF interpele o deputado Augusto Jesus, para que na próxima reunião apresente não números ou insinuações, mas documentos de dinheiros que tenham sido recebidos e/ou usufruídos pelo signatário, evitando-se desta forma o recurso aos meios judiciais”, leu Cecília Pereira.
Em resposta, Augusto Jesus denotou que “um artista é um artista e pensa como um artista”, pois “o senhor pode ter lido o jornal e interpretar como quiser”, uma vez que, na altura, “questionou porque não tinha os resultados do valor da obra”. “O senhor Alberto Carneiro e eu e pelos meios que forem precisos falaremos”, completou.
Afirmando “não estar a defender ninguém”, Ricardo Oliveira, do PSD/CDS-PP, recordou que “ouviu da boca dele (Alberto Carneiro), na inauguração, que fazia a obra, mas que alguém a tinha que pagar”. “Se há ou não documentos, alguém o vai ter que justificar, mas a obra foi paga por erários públicos”, completou.
Sobre este assunto, José Ferreira, presidente da Junta de Freguesia do Coronado, apenas respondeu a Adriano Vasconcelos que ainda “não conseguiram contabilizar os números (do valor total da obra) de uma forma muito objetiva”, uma vez que “há ali muita coisa que foi oferecida, alguma coisa que foi comprada e horas de máquinas”, denotando que “não vai andar a dar dados incorretos e imprecisos”.

Junta de Freguesia “não” teve conhecimento  do início das obras

Vítor Martins (PS) reparou que “estavam a retificar uma rua (junto à estação de comboios) e que tinha uma placa que dizia obra a cargo da Câmara Municipal”, querendo saber, entre várias questões, se “antes de iniciar a obra houve algum contacto com o executivo da Junta” e se “houve algum pedido de quais as ruas mais necessitadas”. O membro socialista, que garante “conhecer bem S. Romão”, afirmou que “há estradas com mais necessidade”.
O presidente da Junta de Freguesia respondeu que é da “responsabilidade” da Câmara “requalificar e de tapar buracos”, mas que “não teve conhecimento do início das obras”, tendo apenas lhe sido dado conhecimento naquele dia, no âmbito de uma “visita do executivo camarário, ao abrigo da Presidência Aberta”. “Foi assim que tivemos conhecimento oficial das obras, de palavra, não documentada. Tivemos conhecimento depois de as obras estarem no terreno e por ter a Presidência Aberta, estou convencido que se assim não fosse, tão cedo não teríamos conhecimento. Mas não é uma tragédia e como aqui foi referido, o importante é fazer-se e acudir as necessidades que temos e que são muitas”, terminou.
Já Ricardo Oliveira, que frisou “não querer ser advogado de ninguém”, mencionou que a Câmara Municipal “está a fazer esta obra porque a Junta de Freguesia não aceitou o protocolo e certamente, bem ou mal, fez opções”. “A Junta de Freguesia tem de pegar no problema e de resolvê-lo, porque a Junta é que sabe as necessidades da freguesia, não é a Câmara. A Junta é que vive diariamente com os problemas, sabe onde é que estão as lacunas e onde é que deve atuar”, opinou.