Paulo Alves, natural de Guimarães e residente em Braga, iniciou na manhã de segunda-feira, dia 11 de março, uma caminhada de Braga até Lisboa, com o intuito de sensibilizar as pessoas para a consignação do IRS. O fim da etapa do primeiro dia foi na Trofa.

 O relógio marcava cerca das 10.30 horas de segunda-feira, quando Paulo Alves, de 41 anos, deu início à sua caminhada de Braga até Lisboa, num total de cerca de 300 quilómetros.

Durante 16 dias, Paulo Alves tem estipulado fazer “29 etapas”, percorrendo cidades como Vila Nova de Famalicão, Trofa, Porto, Ovar, Aveiro, Cantanhede, Figueira da Foz, Pombal, Leiria, Nazaré, Torres Vedras, Mafra e Lisboa, “sem dinheiro”, contando com a “solidariedade das pessoas em termos de alojamento e alimentação”.

O objetivo desta caminhada, à qual Paulo Alves, residente em Braga, apelidou de “Ajuda Solidária”, é “apelar à solidariedade das pessoas” e “sensibilizá-las” para a possibilidade da consignação do IRS”, aumentando assim o número de cidadãos que façam este gesto. “Não custa nada, não sai do bolso. É o Estado que tem que pegar naquela parte e entregar às instituições de solidariedade social (IPSS). Só depende mesmo da vontade da pessoa e do gesto de colocar a cruzinha e os nove números do contribuinte da instituição (no anexo H do IRS)”, explicou.

O projeto surgiu de “um desabafo” de um diretor de uma instituição, que “partilhou” com Paulo Alves “as dificuldades” com que a instituição vivia, nomeadamente em “equilibrar o orçamento”. “Passado um tempo” lembrou-se da possibilidade da “consignação do IRS” como forma de financiamento para as IPSS e decidiu “criar um projeto que fosse a voz de todas as instituições”. “Acredito que esta possibilidade pode ser uma fonte de rendimento das instituições e estou a dinamizar isto para elas se tornem viáveis”, denotou.

Na busca de “soluções” para que o projeto “criasse algum impacto”, o bracarense decidiu seguir o exemplo do casal Rafael Polónia e Tanya Ruivo, que viajou de Ovar até Macau de bicicleta, em 2011 e 2012. Em conversa com Rafael Polónia, este sugeriu que Paulo Alves fizesse “uma caminhada sem dinheiro”. E porquê com o bolsos vazios? “Já que iria apelar à solidariedade das pessoas, esta seria mais uma razão, pedindo apoio em termos de alojamento e alimentação”.

Foi então que Paulo Alves decidiu fazer uma caminhada de Braga a Lisboa, devido à “distância”, aproveitando para visitar as cidades “mais da costa”, que têm “mais pessoas”. Apesar de não se ter preparado fisicamente, o bracarense preparou-se mentalmente e tem “fé” que vai conseguir cumprir as 29 etapas. Nesta caminhada, Paulo Alves faz-se acompanhar de uma mochila que leva “o essencial”: “Um saco de cama, outras sapatilhas para versar estas, uma toalha daquelas superabsorventes, meias para poder mudar de forma regular, calças de fato treino, uma camisola e produtos de higiene”.

O dia é dividido em duas etapas. Durante a manhã, o caminheiro “visita uma instituição”, à tarde e ao final do dia aproveita para fazer “sessões de sensibilização com as pessoas”. “O dia a dia vai ser assim, fazer caminhada, visitar instituições, sensibilizar as pessoas e tentar arranjar alojamento e alimentação”, afirmou.

Paulo Alves “não acredita” que tenha dificuldades em conseguir alojamento ou alimentação, acreditando na “solidariedade das pessoas”, pois, segundo o próprio, caso leve um não é “uma questão de bater a outra porta” até encontrar uma que esteja “disponível” para ajudá-lo. “Não estou a fazer nada de mal, estou a tentar ajudar e a melhorar o mundo das IPSS em Portugal. Acho que as pessoas vão estar comigo e não contra mim”, acrescentou.

 

Etapa teve paragem na Trofa

A primeira etapa teve início em Braga, terminando em Vila Nova de Famalicão e a segunda foi do concelho famalicense até à Trofa. Como ninguém se ofereceu para dar guarida ao bracarense, este dirigiu-se ao quartel dos Bombeiros Voluntários da Trofa (BVT), que acederam em recebê-lo nessa noite. Aproveitando “a ocasião”, Paulo Alves falou com os elementos dos BVT sobre “a possibilidade de fazer a consignação do IRS”.

Esta primeira etapa foi “cansativa”, pois teve que “recuperar algum tempo”, uma vez que saiu “tarde de Braga” e os “períodos de chuva lhe dificultaram um bocado em avançar no terreno”. Contudo chegou por volta das 19.30 horas ao concelho da Trofa, quando tinha “previsto chegar às 20 horas”. “O corpo neste momento está um bocado dorido, mas acho que com a noite vai passar e amanhã estarei pronto para caminhar mais uns quilómetros. Já pensamos em fazer etapas pequenas para não cansar e poder levar isto até ao fim”, salientou.

Quanto à alimentação, a primeira porta em que bateu foi-lhe recusado “prontamente”, mas, quando bateu na segunda, encontrou um “senhor muito bondoso”, que lhe deu “um prato de sopa, uma refeição do dia e uma garrafa de água”. Em Vila Nova de Famalicão, foi “surpreendido” pelos responsáveis de “uma padaria/pastelaria”. “Quando entrei disse logo que não tinha dinheiro, que estava a fazer uma caminhada até Lisboa e pedi só para me sentar e descansar um bocado e ligar-me à internet para saber o que se estava a passar. Eles vieram ter comigo e ofereceram-me o lanche”.

Paulo Alves tem tido um feedback positivo por parte das pessoas, que têm “apitado e dado acenos de motivação”, demonstrando “sensibilizadas” para a possibilidade de fazer consignação do IRS.

Na terça-feira, o bracarense saiu em direção à Maia, passando pelo Porto, tendo ido pernoitar em Vila Nova de Gaia. Para o 3º dia, a “população de Ovar já se organizou e ofereceu alojamento e alimentação”.

Caso queira acompanhar “o que está a acontecer”, pode acompanhar através da página do facebook (www.facebook.com/ajudasolidaria.org), do Twitter () e do blogue (http://blog.ajudasolidaria.org/), que vai sendo atualizado sempre que o Paulo tenha internet. Além disso, existe ainda o site (ajudasolidária.org), onde as pessoas se podem registar e “doar um euro à instituição que escolherem”. “Nós temos uma meta que é dez.dez.dez, ou seja, dez empresas, dez mil subscrições, dez milhões de euros consignados de IRS este ano”, concluiu.

Foi ainda criado um “email específico” (ajudaopaulo@ajudadolidaria.org), para onde as pessoas devem dirigir às suas ofertas em termos de alojamento e alimentação.