Até final da presente legislatura, de acordo com notícia recente do "Jornal de Notícias", o Governo não aprovará novos investimentos na rede do Metro do Porto

Significará isto que a Trofa continuará à espera.

      Não bastava já que a Trofa tenha sido preterida com obras noutros concelhos, que nos passaram a perna graças ao muito paroquianismo que se verifica na Administração do Metro do Porto. Não bastava que a Trofa tivesse sido muito prejudicada pela eliminação do caminho-de-ferro entre a Trofa e a estação da Trindade, no Porto.

      Não bastava nada disso para evitar que o Governo evitasse congelar novos financiamentos até 2009.

      Significará que, eventualmente se decidirá em meados de 2009, depois far-se-á o projecto de execução e….depois, tempos depois, teremos Metro. Quando? Em 2011? Em 2012?

      Depois de sermos passados, vemos agora que vemos a nossa solução adiada até à próxima década.

  Afonso Paixão    Pelo que pode ver-se, as nossas acessibilidades não são urgentes para quem decide. Entendem que podemos esperar porque não constamos dos mapas das prioridades.

      Nenhum concelho ficou privado dum transporte já existente, à excepção da Trofa.

      De acordo com a notícia referida, ficará congelada toda a segunda fase e, note-se bem, uma parte da primeira fase, que corresponde à obra prevista para a Trofa. Isto é: fomos ultrapassados por obras da segunda fase e agora somos metidos no pacote das obras congeladas.

      Não podemos deixar de considerar que foi um balde de água fria.

      Algum dos concelhos abrangidos pelo projecto da Metropor ficou privado dalgum transporte existente? Não, nenhum. Apenas a Trofa ficou privada de transporte existente e tem sido relegada para segundas núpcias, sistematicamente.

      Neste sentido, a decisão agora tomada deve ser entendida como um balde de água fria para as nossas aspirações que são, aliás, legítimas.

      Não tenho opinião tão desfavorável à presença do Governo, em posição maioritária na Administração da Metro do Porto.

      Afinal, é o Governo que vai financiar e os autarcas já demonstraram o seu paroquianismo ao ponto de terem prejudicado a Trofa de forma descarada.

      Não deixa de ser curioso que todos parecem solidários com a Trofa, mas, nas horas das decisões, essa solidariedade não se viu.

      Tive sempre a esperança que o Governo, ao intervir, iria repor alguma justiça neste importante assunto.

      Este processo do Metro do Porto já se assemelha a uma novela. O seu enredo tende a não evoluir e continuamos a ter muitos episódios até à saturação.

      Esperemos que em 2010 ou 2011 não estejamos todos à espera que alguém decida que a obra da Trofa seja para arrancar.

      Não posso deixar de lamentar que haja quem tenha vindo a dizer que não existe estudo económico que sustente uma decisão de trazer o Metro até à Trofa.

      Mas haverá melhor estudo económico do que a experiência do movimento do comboio da via estreita, que funcionou durante tantas décadas repleto de passageiros?

      Esperemos que este não seja um assunto eternamente adiado.    
 
 
 

                                    Afonso Paixão