Já lá vão mais de 4 anos que o atual primeiro-ministro António Costa afirmou vaidosamente, que foi o governo PS (leia-se governo da “geringonça”) que virou a página da austeridade. Numa entrevista recente, António Costa (um mestre das artes circenses) afirmou mais uma vez, com o desplante que o caracteriza, que foi virada a página da austeridade.

Uma coisa é a afirmação de António Costa outra coisa é a realidade do país e dos portugueses. E a verdade aponta para uma situação bem “negra”, com o custo de vida cada vez mais elevado, que contraria a afirmação “panfletária” de um primeiro-ministro que já nos habituou a utilizar estes malabarismos retóricos para sustentar o insustentável, principalmente quando é confrontado com a realidade.

O aumento da carga fiscal em Portugal atingiu o valor mais alto desde o longínquo ano de 1995. Portugal teve o 4º maior aumento da carga fiscal deste século entre os países desenvolvidos da OCDE e vai continuar a agravar-se, para tristeza dos portugueses, que vão continuar a ter cada vez menos dinheiro para o seu sustento e a terem de trabalhar mais tempo para obter a reforma.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) apresenta um buraco de 560 milhões de euros, cinco vezes maior do que o Governo previa e também se verificou um aumento nas dívidas a fornecedores que se situam nos 735,1 milhões euros. O SNS está a colapsar e as notícias são frequentes de casos dramáticos e de situações que não deveriam ocorrer, para além da emigração dos profissionais de saúde que voltou a disparar e até a vacina da meningite B que devia ser gratuita este ano foi adiada para 2020, com metade das crianças portuguesas a não estarem vacinadas.

As diferentes variedades de amianto são agentes cancerígenos e as fibras microscópicas de amianto podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer por muitos anos, podendo vir a provocar doenças, vários anos ou décadas mais tarde. O amianto continua a existir em muitas unidades de saúde, unidades escolares e outros edifícios públicos em Portugal contaminando todos aqueles que passam uma grande parte da sua vida nesses edifícios, mas o governo pouco ou nada faz.

Há um desinvestimento até ao zero na ferrovia e nas vias de comunicação, com Portugal a ter o 3º pior investimento público per capita da União Europeia. O Programa Ferrovia 2020 apresentado em fevereiro de 2016 e que previa um investimento de dois mil milhões de euros para melhorias na rede ferroviária nacional foi cancelado, o que originou o adiamento de 18 obras consideradas prioritárias pelo programa.

Também a falta de pessoal nos serviços públicos, principalmente na saúde e na educação e o abuso da precariedade que continua a existir, assim como os problemas graves que se passam nas forças de segurança e nos atrasos verificados na atribuição das pensões e reformas demonstram que afinal não se virou a página da austeridade. O que António Costa faz é atirar areia para os olhos dos portugueses, como faz com os impostos indiretos, as cativações e até com o “Novo Banco”, que continua a sorver o dinheiro dos contribuintes portugueses.

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