Uma comunidade que revela a sua cultura e prosperidade na expressão paisagística da extensão do seu território, que se abrange com um lance de vista é uma comunidade que se preocupa com a sua qualidade de vida. Um território bem tratado, paisagisticamente expressivo e acolhedor é um valor, não só pela felicidade que proporciona a quem nele vive ou visita, mas também pela racionalidade subjacente à utilização dos espaços, funcionalmente organizada e esteticamente perfeita.

A paisagem é uma interação entre o mundo e o sujeito e dá lugar ao belo natural, que se traduz na relação de harmonia entre a comunidade e o seu território. É o fenómeno espacial no tempo do individuo, que dá alma a uma comunidade através da imagem frondosa das matas, das sebes e cortinas arbóreas nas margens dos caminhos, das orlas dos maciços arbóreos dos cursos de água regularizados e despoluídos, do enquadramento dos aglomerados urbanos e do equilíbrio compósito das suas silhuetas.

Quando se abre uma janela à banalidade de um quotidiano de uma cidade sitiada por cimento, há gestos bem simples, aqueles que se aprendem no tempo imemorial da natureza, pois para preservar a felicidade da memória de uma comunidade é preciso deslumbrar uma estética paisagística no sentido pleno. É pouco provável que uma comunidade seja feliz sem ter o deslumbramento duma bela paisagem constituída por vários elementos que formem um conjunto com sentido útil e com expressão estética.

A preservação do ambiente e do património significa um compromisso com a vida das pessoas. É um desafio constante a procura da harmonia entre a planificação territorial e a iniciativa individual de proprietários e empresários para usufruírem do melhor rendimento da sua propriedade, respeitando os princípios do urbanismo. O planeamento do território, nas suas vertentes rústica e urbana é o alicerce de toda a prática municipal e está na sua razão de ser. A imagem do município é o resultado de conceitos e ideias aplicadas à construção do espaço edificado e da paisagem.

Para a defesa desta harmonia, e não só, nasceu em dezembro de 2000 a ADAPTA – Associação para a Defesa do Ambiente e do Património na Região da Trofa, que no artigo 2.º dos seus Estatutos está gravada a sua missão: “… para defesa, conservação e melhoria do ambiente e do património natural e construído na região da Trofa, numa perspetiva do desenvolvimento sustentável e da qualidade de vida das populações, segundo as vertentes da educação, informação, formação e intervenção…”. A ADAPTA defende o património construído enquanto memória de um passado, mas também a preservação do património natural nas suas diversas vertentes.

O que fazemos pelo ambiente e pelo património é apenas um reflexo do que fazemos, a nós e aos outros, por isso é que o ato de Cidadania não é só dizer que o caminho, o lugar, o rio estão sujos é também ajudar a limpá-los. As ações desenvolvidas pela ADAPTA ao longo dos tempos são muitas e bem conhecidas das pessoas atentas a estas temáticas, como é o caso da transformação de um terreno com cerca de dois mil metros quadrados de área, situado em Lantemil, Santiago de Bougado, numa horta biológica ou a iniciativa “Conversa com”, que decorre esta semana nas suas instalações, em que os candidatos à presidência da Câmara Municipal da Trofa apresentam as suas propostas para a defesa do ambiente e do património. A ADAPTA é um exercício de Cidadania como condição indispensável à formação de uma verdadeira consciência ambiental e o seu historial fala por si. Em janeiro de 2002 foi reconhecida como ONGA – Organização Não Governamental do Ambiente, pelo Instituto de Promoção Ambiental.

Proteger o ambiente e o património é proteger o ser humano. A preservação do ambiente e a defesa do património é um dever de todos. Os associados da ADAPTA têm uma dupla responsabilidade e aqueles associados que exercem cargos de governação, local ou nacional, têm uma tripla responsabilidade. É seu dever defenderem o ambiente e o património, mas também defenderem a ADAPTA, em qualquer lugar ou cargo que exerçam e em qualquer circunstância. Assim deve ser!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt