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Edição 407

«…Abaixo o imperialismo / Independência Nacional / Pois Claro.»

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De uma canção panfletária

O ano de 2012 foi o ano do maior recuo económico e social desde o 25 de Abril de 1974. O desemprego bateu todos os recordes, lançando no desespero mais de um milhão e trezentos mil trabalhadores; a pobreza (rendimento inferior ao salário mínimo nacional) atinge mais de 2,5 milhões de portugueses (um quarto da população nacional); milhares de pequenas e médias empresas faliram e outras tantas se preparam para fechar portas brevemente por não conseguirem suportar a brutal carga fiscal imposta pelo Governo; os casos de fome tornaram-se notícia diariamente. Com o prenúncio de terror que é o Orçamento do Estado para 2013, espera-nos mais desemprego, mais precariedade, mais agressões aos direitos laborais, mais saques aos salários, pensões e reformas, mais ataques à Saúde e à Educação, mais privatizações e mais desapreço pela soberania nacional. Acresce a isto o novo programa ideológico do governo alegadamente sugerido pelo FMI para se locupletar com mais quatro mil milhões de euros através de cortes que conduziriam ao fim imediato do Estado Social, com o despedimento de 100 mil funcionários públicos, mais 50 mil professores, cortes definitivos de 10 a 20% sobre salários e pensões.

 Parece que o principal objetivo do governo PSD/CDS não será criar emprego, aumentar a produção e distribuir a riqueza de forma mais justa, mas sim o regresso de Portugal aos Mercados. O que vai resolver o regresso de Portugal aos mercados? Os Mercados são os Bancos, as Companhias de Seguros e os diversos fundos especulativos chamados de mercados financeiros em que assenta a colossal especulação desta economia de jogo de fortuna e azar! Para o país ir aos mercados financiar-se, temos de cumprir, assegura o governo, isto é, temos de pagar os juros agiotas e aplicar as medidas de rapina! Ou seja, se conseguirmos sanear as finanças públicas, regressamos aos mercados, mas com um país e um povo na ruina, empobrecido, sem indústria e sem comércio, sem saúde e sem educação. E para quê? Os mercados tentarão sempre sugar o máximo. Até sermos entroikados foram arrecadando juros cada vez mais elevados com a justificação dos défices públicos. Amanhã seguirão a especular com a desculpa de que o crescimento económico é cada vez mais exíguo!

Com a ditadura alemã a não permitir o BCE financiar os estados, a especulação mudou-se das taxas de câmbio para as taxas de juro. Portugal deixou de contar com o Banco de Portugal para se financiar e ficou dependente dos ditos mercados. Com a crise e com todos os estados a irem em socorro dos Bancos à beira da falência, a busca de meios de financiamento ampliou-se, possibilitando a especulação desembestada dos mercados, detentores de liquidez. A atividade económica foi desaparecendo, gerando cada vez menos receitas, enquanto o Estado se transformava em rede de segurança dos Bancos privados à custa dos contribuintes. A tudo veio juntar-se os empréstimos a juros agiotas hoje tutelados pela troika, que fizeram de Portugal um autêntico protetorado da Europa. O Estado metamorfoseou-se em penhorista de último recurso dos Bancos. Terá injetado cerca 3500 milhões de euros até final de 2012 no BPN, o Banco das figuras relevantes do PSD e de Cavaco Silva, com o choque negativo nas contas públicas que todos estamos a pagar. Tivemos ainda a garantia dada ao BPP e temos agora o Banif. E o Povo que pague. Do empréstimo da troika, 12 mil milhões de euros são para a Banca. Para o BCP foram três mil milhões e para o BPI uns 1300 milhões. Os restantes 7,7 mil milhões, o Governo não aplica na economia porque diz estar de prevenção no caso de a Banca voltar a carecer de ajuda!

A pergunta é simples: Por que motivo o imperialismo financeiro – os mercados – não empresta diretamente aos bancos em falência?

De facto, cavaqueia-se muito sobre a dívida pública para se ocultar a dívida privada e em especial a divida da Banca! A manobra pretende encobrir que se está a resolver os problemas do sistema financeiro à custa da dívida pública, à custa do corte de subsídios, dos salários, das reformas e do aumento brutal de impostos. Em Portugal e na Europa, os estados dilatam os seus défices orçamentais por causa do sistema financeiro, elevaram a sua dívida pública para salvar a Banca, mais concretamente, para salvar os banqueiros e os seus principais acionistas.

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A palavra «imperialismo» parece fora de moda nos últimos tempos, mas ela é, de facto, atual, e tem uma acuidade como nunca, pelo que para dar a volta a isto, imperioso será recuperar a soberania nacional e gritar, em alto e bom som «…Abaixo o imperialismo / Independência Nacional / Pois Claro.»

Atanagildo Lobo

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