tiago-vasconcelos

É certo e sabido que os destinos dos trofenses são conduzidos em piloto automático. O condutor, com um sorriso de orelha a orelha, largou as mãos do volante para acenar a quem passa, naquele velho estilo da política bacoca.

Por isso, há semanas atrás, referi que a Trofa estava entregue a nós próprios – Acrescento hoje, e aos técnicos. Sim, aos técnicos que, na sua generalidade, trabalham afincadamente para responder às necessidades de quem se desloca aos serviços municipais. Sem eles, seria o descalabro. Deve ser difícil, muito difícil, trabalhar “sem rei nem roque”.

A qualidade e a boa “teimosia” do trabalho da generalidade dos técnicos permitem afirmar que a Trofa tem futuro.

Mas, a Trofa tem futuro pelos bons exemplos que atravessam todo o concelho nos diversos domínios, alguns dos quais tenho referenciado nos artigos que escrevo.

Assim, e mais uma vez, não consigo deixar de referenciar mais alguns exemplos que sucederam nas últimas semanas. Todos centrados na juventude do nosso concelho e na sua postura perante episódios que a desagradam – Metro e eleição para o Director da Escola Secundária.

A JSD e a JS, cada uma ao seu estilo, tomaram posições públicas a contestar a anulação do concurso público da linha do metro da Trofa. Independente da forma como o fizeram, demonstraram que a juventude do nosso concelho tem opinião e não deixa de chamar a atenção de quem decide, ou pode influenciar a decisão final. A forma de o fazer é sempre discutível, desde que seja não prejudique o outrem. Penso que, e apesar de gostar mais da forma de protesto da JSD, nenhuma prejudicou o bem público.

Mas, a atitude que mais me encheu as medidas foi a levada a cabo pelos jovens do liceu.

A Escola Secundária da Trofa viveu (vive?) dias conturbados no processo eleitoral do Director. Esses momentos foram provocados pela intromissão inadmissível da Câmara Municipal. No meu ponto de vista, a Câmara não se deve imiscuir no processo, muito menos da forma como me contaram. De uma forma atabalhoada, a Presidente da Câmara está a prejudicar o normal funcionamento da escola e a prejudicar a formação dos alunos.

Será que está à espera que alguém consiga terminar a formação necessária para tentar “assaltar” o cargo e politizar uma função que não deve ser politizada?

Se assim for, parece-me pequeno!

Um destes dias, não há eleição para a administração de um condomínio que a Presidente não se queira intrometer.

E o que fizeram os alunos?

De forma cívica e educada, ao contrário do que alguns (poucos) querem fazer crer, ausentaram-se de uma cerimónia na altura do discurso da Presidente de Câmara. Sem um assobio, sem um grito, apenas se ausentaram em sinal de protesto.

Protestaram porque não os deixam trabalhar em paz e sossego.

Protestaram porque não entendem (Será que alguém entende?) porque é que se preocupam por politizar um cargo não político.

Com esse protesto, a juventude do liceu (a maioria não é militante de nenhum partido político) demonstrou que, se existe clima de medo que alguém possa querer instalar na Trofa, não faz sentido ter medo de expressar a opinião e a crítica.

Viva a Juventude Trofense!