O presidente da direção do Clube Desportivo Trofense, Paulo Melro, falou ao NT sobre a descida de divisão e divulgou que a solução para manter a estrutura profissional do futebol passará pela “alienação da maioria do capital da SDUQ, com a consequente entrega da gestão desportiva a terceiros”. A constituição de uma SAD será colocada a discussão na próxima assembleia-geral marcada para 26 de junho, pelas 20.30 horas, no polo de S. Martinho da Junta de Freguesia de Bougado.

O Notícias da Trofa (NT): Esperava que o desfecho desta época no futebol sénior do Trofense fosse este?
Paulo Melro (PM): Obviamente que não, o nosso objetivo era claramente a permanência nos campeonatos profissionais, na linha do que tínhamos vindo a fazer nas épocas anteriores. Um orçamento contido com a aposta em jovens valores com potencial de crescimento e valorização, preparando a época com a convicção que o resultado final seria diferente. Em janeiro, tentamos inverter a situação, mas uma vez mais as coisas não correram como esperávamos.

NT: Como está a direção a gerir este choque da descida de divisão? O que é que falhou?
PM: É um momento triste, ninguém gosta de estar associado a uma descida de divisão. Sobre o que foi feito e ficou por fazer, o responsável pelo futebol profissional já falou publicamente, após reflexão interna. Agora é momento de olhar em frente, com energia renovada e encarar os desafios que o futuro nos traz.

NT: De que forma a coletividade vai sair prejudicada com esta descida de divisão?
PM: O efeito maior e mais concreto será verificado na sua componente de futebol sénior que, com a saída dos campeonatos profissionais, vê suspensa uma das maiores receitas, os direitos de transmissão televisiva. De referir que o problema estrutural do clube é o mesmo nos campeonatos profissionais ou no Campeonato Nacional de Seniores, porque apesar da diminuição dos encargos com a equipa sénior, a diminuição das receitas é também acentuada pelo que o défice estrutural se mantém. No campo desportivo, teremos uma menor exposição e impacto junto dos média, no entanto o fator proximidade poderá trazer maior atratividade aos jogos.

NT: Os empresários que apoiaram o Trofense até agora já lhe deram alguma informação sobre se estão ou não com intenção de manter apoio na próxima época?
PM: Em cada final de ano é normal que alguns apoios se renovem, outros não. Os apoiantes de referência são mais do que simples patrocinadores, pelo que contamos claramente com o seu importante apoio. Não vejo razões para que este ano seja diferente. Em cada final de ano emitimos uma declaração agradecendo o apoio e apresentando o projeto para o ano seguinte. Quando esse processo estiver concluído faremos a apresentação pública como é costume.
NT: Sendo Rui Silva um dos financiadores dos últimos anos de atividade do Trofense, acredita que apesar da descida de divisão ele vai continuar a apoiar na mesma medida? Há outros empresários da Trofa que apoiam o Clube em termos logísticos e financeiros. Continuam a contar com esse apoio?
PM: Julgo que o correto seria dizer que, nas últimas décadas, a Família Silva tem sido a principal impulsionadora do clube, pelo que é de elementar justiça reconhecer a importância que esta tem na vida do clube. Como sabe, depois de muitos anos de apoio direto, na época passada, perante as enormes dificuldades de tesouraria, recorremos uma vez mais ao Dr. Rui Silva e família, que mostraram disponibilidade para ajudar, mas numa perspetiva de investimento. Tudo aquilo que acordamos foi cumprido na íntegra pelo lado do investidor, no entanto o clube não foi capaz de gerar as mais-valias que sustentavam o incentivo ao investimento. Esgotada esta via, temos agora que procurar outras soluções, nas quais temos vindo a trabalhar, que passarão necessariamente por encontrar parceiros disponíveis a investir no futebol sénior. Se este investimento não se vier a concretizar, ou seja, se não conseguirmos assegurar receitas adicionais, será muito difícil assegurar a viabilidade do clube. A transformação da SDUQ em Sociedade Anónima Desportiva (SAD) está em cima da mesa.
Já solicitamos a realização de uma assembleia com esse fim, uma vez que todas as propostas que temos vindo a negociar passam pela alienação da maioria do capital social da SDUQ.
Trata-se de um modelo em que a gestão do futebol sénior passará a ser assegurada pelos acionistas da SAD. Qualquer que venha a ser a solução final, todos os apoios ao clube e ao futebol sénior serão necessários.

NT: Quais os financiamentos com que contam para pagar dívidas e despesas correntes do CD Trofense?
PM: Para além das receitas normais do clube, o contrato de cedência de utilização do estádio à futura SAD.

“O prestígio da nossa formação está já consolidado”

NT: De que forma esta descida de divisão da equipa sénior pode prejudicar as camadas jovens do CD Trofense?
PM: A estrutura do futebol de formação é independente do futebol sénior, por essa razão não vejo nenhuma razão objetiva para que algum “prejuízo” se verifique. Eventualmente, ao nível da captação de jovens valores, admito que se possam verificar pontualmente algumas dificuldades adicionais. No entanto, o prestígio da nossa formação está já consolidado e facilmente encontraremos argumentos para continuar o excelente serviço prestado a centenas de jovens do concelho.

NT: Em termos de formação, qual o balanço que faz desta época que agora termina?
PM: Em termos de formação, este ano, tivemos uma mistura de sentimentos. Por um lado, os juniores voltaram aos campeonatos distritais, por outro lado tivemos as equipas de iniciados e juvenis a disputar a fase final de acesso aos nacionais. Os iniciados atingiram o objetivo, enquanto os juvenis, apesar da excelente prestação, não conseguiram. Ao nível de escolas, a equipa de Sub-11, atravessou duas fases sem derrotas e sagraram-se campeões, ao derrotar o Futebol Clube do Porto por 1-0.

NT: Já estão a preparar a próxima época desportiva em todos os escalões? E de que forma o estão a fazer e o que previram no vosso plano de atividade?
PM: Em termos de departamento de formação, ainda temos atividades a decorrer, no entanto o planeamento para a próxima época já está a ser feito.