“A Revista volta à Trofa” é uma das peças integradas no Festival Amador de Teatro do concelho, que vai servir de homenagem a Avelino Dias de Sá.

Vinte e cinco anos depois, a Revista volta à Trofa. Este género de teatro, que em tempos encheu o salão polivalente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa (AHBVT), vai voltar ao mesmo palco. Pelas 21.30 horas de sábado, 11 de abril, muitos atores que fizeram parte do elenco há 25 anos voltam a encarnar as personagens que satirizam uma Trofa com carências, ainda sob jurisdição tirsense. A peça, que foi adaptada por António Moreira, visa também homenagear aquele que é considerado “o pai do teatro na Trofa”, Avelino Dias de Sá, que faleceu em fevereiro de 2013. “Será uma festa bonita, porque vão aparecer aqui pessoas que não se lembram e vão gostar de se recordar do Avelino, que durante 50 anos foi encenador de muito boa gente”, afirmou António Moreira, em entrevista à TrofaTv e ao jornal O Notícias da Trofa.

O desejo de aclamar Avelino Dias de Sá tem já “oito anos”, altura em que Moreira fez o primeiro pedido à autarquia. A participação no Festival de Teatro Amador da Trofa, que decorre na sexta-feira e no sábado, foi uma forma de cumprir o sonho.

Num dos últimos ensaios antes da estreia, o elenco testava a memória e acertava pormenores. São “cerca de 20” as pessoas envolvidas na peça, dividida em quadros e com projeção de vídeos antigos em que Avelino Dias de Sá surge a contracenar. Para a homenagem, o Grupo Cénico da AHBVT conta com o apoio do CineClube da Trofa.

Recrutar os atores da altura foi uma tarefa “muito difícil”, contou António Moreira. Sem o contacto nem morada de alguns, o “passa a palavra” foi a solução que encontrou. Ainda assim, “há pessoas que participaram há 25 anos, mas hoje estão no Luxemburgo, Inglaterra e França e têm muita pena de não fazer parte da peça, mas não vão deixar de ver a peça, através da TrofaTv”, contou António Moreira.

Hoje, a revista “é mais aberta” do que há 25 anos, porque “chama-se burro a qualquer ministro e não há problema nenhum”. Na altura, no fim das sessões, “havia pessoas que iam para casa e riam-se do nada, quando se apercebiam do significado de determinado texto”, contou.

Uma viagem ao passado, aos tempos áureos do teatro na Trofa, é o principal objetivo de António Moreira que não esconde o orgulho de poder estar, novamente, em cima do palco.

 

O contributo de Avelino Dias de Sá na cultura trofense

Findava a década de 1950 quando Avelino Dias de Sá fundou o Conjunto Dramático da Trofa Velha. O amor pelo teatro, que há muito que se tinha manifestado, ganhou outra proporção quando, ainda menor de idade, foi convidado a substituir um ator, no Teatro Experimental do Porto, onde passava dias a ver os ensaios.

“A Bandeira Roubada”, levada a cena na Trofa, foi o primeiro passo para a concretização do sonho de pisar o palco na terra natal. Depois do sucesso da primeira peça, seguiram-se outras como “Antígona”, “Os Dois Órfãos em Paris”, “Cama, Mesa e Roupa Lavada” e “O Turbilhão”. Os primeiros ensaios foram feitos “num moinho velho, junto ao rio Covelas” e os atores eram apoiados “pelos lavradores, que os deixavam ir para os celeiros ensaiar”.

Mais tarde, criou o teatro de revista, com o então denominado Grupo Cénico da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, onde a primeira revista levada a cena era baseada na Trofa. Fizeram-se mais sete.