Um dos temas mais recorrentes, neste início do século XXI, a par da ecologia, é o da igualdade entre homens e mulheres.

No entanto, quando falamos do papel da mulher na sociedade, não podemos esquecer que estamos a falar de ideias que estão arreigadas no nosso entendimento coletivo e que são muito difíceis de derrubar.

Passar de uma sociedade estruturada de forma a que sejam os homens a ocupar os papéis determinantes e decisores, para uma sociedade onde homem e mulher desempenhem um papel colaborativo e competitivo, não é tarefa para uma geração, nem para duas. É , e será, um processo longo e conturbado, pois não podemos esquecer que as mudanças de mentalidades são aquelas que se operam, em cada um de nós, de uma forma mais lenta. Aquilo que nós somos é o resultado da educação que o Estado nos transmite, via escola, e da educação que a nossa família nos transmite, em casa. E não nos podemos esquecer que os valores essenciais que a mãe (sobretudo) nos transmitiu foram aqueles que a mãe dela, por sua vez, lhe transmitiu a ela. Embora os filhos não assimilem, nem se identifiquem com todos os valores que os pais lhes transmitem, uma boa parte desses ensinamentos ficam registados e, mais tarde, quando a vida estabiliza e passaram as turbulências da adolescência, começam a reproduzi-los, numa cadeia geracional que facilita a permanência de comportamentos.

Mas, apesar de todas estas dificuldades, o caminho da mulher face à dignificação do seu papel e à valorização das suas múltiplas competências, não vai parar mais e adivinham-se saltos gigantescos no sentido da caminhada para a igualdade entre os sexos.

A polémica medida de se criarem quotas para a participação cívica da mulher em partidos, organizações, empresas… não acolheu da minha parte grande simpatia pois percebi, pela análise e conhecimento de casos concretos, que esse pode ser um caminho para levar mulheres totalmente impreparadas e até incompetentes a ocuparem cargos de grande responsabilidade e prestígio. No entanto, percebo que a porta também se pode abrir para mulheres devidamente habilitadas e preparadas para o exercício dos mais variados cargos e, atualmente, já consigo entender a necessidade dessa polémica medida, embora reconheça que, só a sua simples existência, mostra o quanto as mulheres têm de caminhar para a tão desejada e plena igualdade.

Encontramo-nos num período de transição onde ainda coexistem dois mundos: o mundo construído por e para o homem e o mundo que está a descobrir a mulher nas suas múltiplas competências e capacidades. E é nesta dicotomia, onde as bases e princípios em que se estruturou todo o nosso pensamento e crenças se está a desmoronar, que hoje assistimos aos dramas familiares e sociais que acontecem todos os dias e que a comunicação social tão amplamente divulga.

A violência contra a mulher e as desigualdades de oportunidades que ainda persistem, não são mais do que os últimos resquícios do homem a querer fazer valer o seu ascendente social, exercido durante milhares e milhares de anos e que, nestes tempos, está sendo ameaçado.

O caminho que ainda falta percorrer está nas mãos das futuras gerações que já nasceram com a mudança.

É nelas que eu , que nós, depositamos toda a esperança.