Ao longo das oito crónicas já aqui publicadas, passei em revista a origem político-partidária do Correio da Trofa (CT), o seu total alinhamento com a estratégia da coligação PSD/CDS-PP e a utilização de manobras não-oficiais, com vista a promover um clima de confusão e suspeita, como foi o caso da personagem ficcional “Toninho”. Revisitei temas antigos, temas que, para meu espanto, eram ainda desconhecidas por muitos dos trofenses que me abordaram a propósito deste conjunto de textos, como as dezenas de milhares de euros em ajustes directos que fluíram dos cofres trofenses para pessoas que trabalharam para a coligação e no jornal, o facto de a redacção do CT ter ocupado a antiga sede de campanha da coligação ou a situação irregular do antigo director do jornal, bem como do próprio jornal que, note-se, continua sem dar sinais de vida.
Feito o ponto de situação, importa deixar bem claro, caros leitores, que esta procissão nem ao adro chegou. Este tema, com ou sem Correio da Trofa nas bancas, ainda fará correr muita tinta. Muito mais do que aquela que hoje corre. Até lá, e porque a paciência é uma virtude, um intervalo no relato para dedicar algumas linhas a estabelecer um paralelismo. Um paralelismo que importa estabelecer, porque está em tudo relacionado com a existência do Correio da Trofa.
Desafio-vos, caros leitores, a gastarem algum do vosso tempo com o seguinte exercício. Escolham um exemplar do Correio da Trofa, é indiferente qual, e de seguida repitam o processo com este jornal. Escolhidos e lidos os exemplares, comparem os seus conteúdos. O Correio da Trofa tem, habitualmente, o seguinte formato: uma entrevista, na esmagadora maioria das vezes a um político eleito do PSD ou CDS, um dirigente de um dos partidos ou a um empresário militante ou simpatizante dos partidos no poder, algumas crónicas, todas elas escritas por pessoas ligadas, directa ou indirectamente, ao PSD ou ao CDS, duas ou três notícias muito curtas, sobre eventos locais onde pessoas-chave do partido estiveram presentes (excepto quando se tratam de grandes eventos como a FAT ou o BeLive), desporto e publicidade.
Agora reparem neste jornal. Há entrevistas para todos os gostos. Durante a campanha para autárquicas, apesar do boicote activo promovido pela coligação à Trofa TV e ao O Notícias da Trofa, todos os candidatos do PSD e do CDS-PP à liderança das juntas e da Assembleia Municipal responderam às perguntas deste jornal. Só mesmo o presidente em funções declinou o convite para enfrentar Fernando Sá e Amadeu Dias em debate. Já o CT limitou-se a fazer a cobertura da campanha da coligação. Os cronistas deste jornal, ao invés de serem todos do mesmo partido (perdão, coligação), como acontece com o CT, agregam pensamentos tão distintos e ideologicamente opostos como os de Atanagildo Lobo ou Moreira da Silva. Há notícias sobre desporto, eventos, associativismo, política, obras públicas ou acção social.
Porém, acima de tudo, existem aqui pessoas reais. Sabemos quem são, sabemos os seus nomes e já os vimos por aí, de câmara, máquina fotográfica e microfone na mão. São a Patrícia, o Hermano, a Cátia ou a Liliana. Têm uma redacção junto ao estádio do Bougadense. Já o Correio da Trofa publicava notícias que ninguém assinava e crónicas assinadas por autores-fantasma e testas-de-ferro a soldo de escumalha partidária. Teve morada na antiga sede da coligação, na mesma rua onde fica a sede do PSD, e desde então nunca mais se soube bem se existia fisicamente ou apenas nos computadores da meia-dúzia de políticos que o desenharam e fizeram nascer. Mais neblina só mesmo em alguns contratos públicos à moda deste executivo.
Não obstante, o executivo Sérgio Humberto tudo tem feito para boicotar o trabalho deste jornal, não hesitando em violar a lei para levar a cabo a sua perseguição. E, paralelamente, colaborou, enquanto pôde, com o jornal que ajudou a fabricar. Um jornal desonesto, opaco e manchado por várias irregularidades. E isto diz-nos muito sobre Sérgio Humberto, um dos pais desta fraude.