Tem sido habitual nos últimos anos, a escolha entre os cibernautas da palavra que melhor representa o ano. Na lista elaborada pelos linguistas do departamento de dicionários da Porto moreira-da-silvaEditora foi escolhida a palavra “entroikado”, que ficou à frente dos vocábulos “desemprego” e “solidariedade”. A palavra “entroikado” sucede a “austeridade” e significa: “obrigado a viver sob as condições impostas pela troika; que está numa situação difícil; tramado; lixado”.

Em comunicado, a editora com base nestes resultados afirma: “poder-se-á dizer que ‘entroikado’ traduzirá o sentimento geral que se vive no país: os portugueses sentir-se-ão ‘entroikados’, dadas as condições de austeridade impostas pela troika“. Foi a crise socioeconómica que Portugal atravessa e o seu impacto na vida dos portugueses que conduziram ao registo deste neologismo (palavra nova) no Dicionário da Língua Portuguesaonline da Porto Editora.
Na mensagem de Natal, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que são grandes os desafios e tarefas de 2013, mas que está cumprida a maior parte do programa da troika. «Sabemos que ainda não pusemos esta grave crise para trás das costas, mas também sabemos que já começámos a lançar as bases de um futuro próspero. Ainda não podemos declarar vitória sobre a crise, mas estamos hoje muito mais perto de o conseguir», afirmou Pedro Passos Coelho, na referida mensagem de Natal aos portugueses. Para o chefe do Governo, a isto, os portugueses devem responder com «as certezas» que partilham enquanto povo: «A certeza de que vamos ultrapassar as atuais dificuldades, a certeza de que Portugal é capaz de reformar o Estado e as suas instituições, a certeza de que queremos uma sociedade mais justa do que foi até hoje, a certeza de que a nossa economia será competitiva no mundo globalizado, a certeza de que os dias mais prósperos e mais felizes do nosso país estão à nossa frente». Neste contexto, apelou ainda aos portugueses que acreditem em si próprios: «É encontrarmos a clarividência, a força e a tenacidade para ultrapassarmos este momento. É renunciarmos de uma vez por todas ao pessimismo.»

Na mensagem de Ano Novo, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, admitiu que a economia portuguesa está numa espiral recessiva, mas Cavaco Silva também mostrou esperança que 2013 pode ser o ano do regresso ao crescimento. “O ano 2013 vai ser um ano difícil”, mas “pode ser também um ano em que se comece a alterar a tendência negativa que se verifica na produção nacional e no emprego, um ano em que o clima de confiança melhore e o investimento das empresas comece a crescer”, salientou o Presidente da República na referida mensagem de Ano Novo. Para ser alcançado este objetivo, Cavaco Silva deseja que “com sentido patriótico, e a pensar acima de tudo nos portugueses, o Governo, as forças políticas e os parceiros sociais trabalhem ativamente para que, já em 2013, se inicie um ciclo de crescimento da economia”. “Se todos fizerem bem o que lhes compete, é possível que o crescimento seja uma realidade no ano que agora começa”, concluiu o Presidente da República.

Muitos são os que pressagiam que este ano vai pesar muito no bolso dos portugueses e por isso mesmo, o ideal seria passar rapidamente do ano 2012 para o ano 2014, para se sentir levemente as medidas de austeridade, mas também para se ir esbatendo a força do “entroikado” e se sentir com maior ligeireza o annus horribilis, que já entrou.

Poder-se-á dizer que a palavra “entroikado” foi a fava que saiu no bolo-rei dos portugueses. Espera-se, e deseja-se, que no próximo ano saia no bolo-rei dos portugueses não a fava mas o brinde, ou seja: que a palavra escolhida pelos portugueses seja “destroikado”, para bem de todos nós. Mesmo assim, perante a atual conjuntura, atrevo-me a desejar, a todos os portugueses, um Fabuloso Ano de 2013. Façamos por isso.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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