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A EXTINÇÃO DA TROFÁGUAS – Vida efémera

Não cabe nas intenções deste artigo de opinião fazer uma análise ao trabalho desenvolvido pela Trofáguas, empresa municipal para a área das infra-estruturas ligadas ao ambiente.

Teve, certamente, aspectos positivos e aspectos menos positivos. É cedo para uma avaliação: a proximidade não aconselha a que se faça já uma análise, ainda que com preocupações de imparcialidade.

Do que aqui pretendo falar é da questão essencial da necessidade ou não da existência dessa empresa.

Quando foi deliberada a criação desta empresa, na Câmara e Assembleia Municipais, não teve o voto favorável do PS, ainda que não tivesse votado contra por entender que a maioria devia escolher os seus instrumentos de gestão e, no final, prestaria contas.

Nessa altura o PS manifestou-se pela desnecessidade de se criar uma empresa que iria desempenhar funções que já eram desempenhadas pelos serviços camarários e fiscalizar serviços que, maioritariamente, eram prestados por empresas privadas, como é o caso da recolha de resíduos e do abastecimento de água.

Obviamente, estas opiniões têm a sua dose de subjectivismo e é sempre possível encontrar pessoas com opinião contrária, sobretudo antes do seu funcionamento.

Mas, independentemente dessas opiniões favoráveis ou desfavoráveis à existência duma empresa municipal para a área do ambiente, a verdade é que a Trofáguas foi alvo de forte contestação popular e tema sempre presente durante a campanha eleitoral.

Houve mesmo quem propusesse a sua extinção, como foi o caso do CDS e da CDU. Quanto ao PS, nunca se mostrou favorável à sua existência.

Opinião diferente seria de admitir, ainda que, com muito subjectivismo, se se tivesse criado uma empresa para desenvolver novas competências na área do ambiente e que até ao momento não tivesse qualquer serviço municipal a desempenhar essas mesmas novas competências.

Nos termos actuais, e agravados pela forte contestação com tendência para subir de tom, a empresa teria, mais dia menos dia, o seu destino traçado, como veio a verificar-se.

Fiquei estupefacto quando fui convidado pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal para integrar um Conselho de Administração que teria como principal objectivo transferir as competências da empresa para a Câmara Municipal, esvaziando-a de conteúdo e, finalmente, promover a sua dissolução.

Esse convite foi precedido duma troca de impressões em que reafirmei a opinião sobre a desnecessidade da empresa, tanto mais que o concelho da Trofa não dimensão que o justifique.

Um convite dessa natureza, vindo dum adversário político, que não deixou de ser, obriga a pensar seriamente sobre o assunto.

Ao fim dumas dezenas de horas de reflexão, concluí que me identifico com o objectivo de cessar o funcionamento da empresa e transferir os seus serviços e funcionários aos seus lugares de origem, ou seja: à Câmara Municipal.

Sendo assim, mantenho a coerência de defender aquilo em que acredito e acredito que a extinção dessa empresa é útil à Trofa porque poderá prestar os mesmos serviços com menores custos, sem prejuízo dos méritos que possam ter existido.

Assim, à surpresa inicial do convite, passei a uma fase em que estou mais preocupado em que os objectivos sejam atingidos no mais curto espaço de tempo possível.

E é com esse espírito que o novo Conselho de Administração deve manter-se.

Quanto à maioria da Câmara Municipal, mais grave do que não reconhecer um erro, seria manter uma empresa por uma qualquer teimosia.

E se no espírito dalguns há objectivos políticos (ouvi falar na noite das facas longas), é uma guerra que não me interessa. Esse não é o meu partido e, portanto, não me interessam as questões internas dos outros partidos.

Se os objectivos forem atingidos, ficarei satisfeito por sentir ter sido útil à minha terra.

 

 

 

Afonso Paixão

 

 

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