paulo-queiros 

A crise, bem sentida pelos trabalhadores e classe média, tem servido de desculpa, e capote, para muitos abusos e enganos. A coberto da crise continua-se a garrotear os salários dos trabalhadores, mas os grandes grupos e empresas financeiras continuam a apresentar lucros obscenos. Usa-se e abusa-se do Lay-off, fecha-se empresas ardilosamente mandando centenas de trabalhadores para o desemprego. Não há quem controle e fiscalize as empresas que, utilizando meios fraudulentos, fecham agora para abrir amanhã, com outro nome, com outros trabalhadores, agora com contrato a prazo e precários, continuando esses empresários a fazer uma vida faustosa e socialmente bem aceite, não tendo vergonha de ter mandado para o desemprego dezenas de trabalhadores sem pagar aquilo a que eles têm direito.

Agora que estão a discutir o Programa de Estabilidade e Crescimento, vulgo PEC, serve para justificar o aumento de impostos, a diminuição das despesas sociais, aumento de preços(introdução de portagens, por exemplo), cortes no Investimento Público, particularmente aquele necessário à sobrevivência de centenas de Pequenas e Médias Empresas, mas já não serve para começar a taxar as mais-valias financeiras e para acabar com os off shores, principalmente o da Madeira, e para obrigar a Banca a pagar uma taxa de IRC adequada.

Com o proposto no PEC será um retrocesso no desenvolvimento e progresso do país e, contrariamente ao que é dito pelos partidos de direita, e principalmente pelo PS, este caminho não é inevitável, sendo apenas uma opção pelos mais ricos, contra os trabalhadores e povo.

Já algumas vozes do PS (Ana Gomes e Mário Soares) vêm alertando para os perigos de uma alienação de empresas do Estado que são estratégicas para a economia nacional, pondo em perigo a estabilidade, a qualidade dos serviços e a soberania nacional, mas tal como a Manuel Alegre, ninguém lhes liga.

Os governos PS, têm sabido utilizar na perfeição o adágio popular “dividir para reinar”, orientando as críticas dos eleitores para a situação na Função Pública, não esclarecendo que não é retirando benefícios a esses que vamos melhorar nos outros sectores. Aceitam, e fomentam, críticas ao RSI, porque é fácil e quem o recebe não se pode defender. Enquanto o povo anda distraído porque o vizinho recebe 400 ou 500 euros, não repara no fartar vilanagem da distribuição de benesses entre os gestores públicos. Não é mais vergonhoso os milhões distribuídos por alguns Boys que o (aceito que muitas vezes mal) RSI. São precisos muitos subsídios do Rendimento de Inserção Social para igualar os “prémios” de um só gestor. Mas o Povo só fala dos indigentes. Roubar um tostão é crime, roubar um milhão é sublime.

O Primeiro-Ministro quando se desloca para as suas visitas vai sempre às empresas de sucesso (muitas vezes conseguido através de uma subsidiação governamental), esquecendo aquelas que atravessam dificuldades. Sei que é mais bonito ser cumprimentado por gente satisfeita do que por trabalhadores com a desesperança estampada no rosto, mas é a estes que faz falta uma palavra de incentivo e conforto, que faz falta que explique o porquê das opções tomadas que conduzem a sua empresa para o encerramento, porque continuam a proteger os mais fortes e poderosos, deixando estes trabalhadores à mercê do infortúnio.

Mas não podemos chorar durante quatro anos e depois voltar a confiar naqueles que conduziram o país a este estado. Não é como o CDS-PP e PSD que criticam tudo e todos, apresentam propostas demagógicas, ao sabor do descontentamento popular, mas que na hora das votações alinham sempre contra os trabalhadores e o povo.

Não podemos aceitar como inevitável o caminho que nos querem traçar.

É preciso acordar. É preciso lutar.

Paulo Queirós

2010-03-17