Paiva Couceiro foi um dos poucos monárquicos que não se conformou com a implantação da República e combateu-a pelas armas. Foi este general monárquico/conservador que liderou a contra-revolução monárquica a partir da Galiza, onde se exilou com outros monárquicos. Foi desta forma que Artur Coimbra, mestre em História expôs, na passada sexta-feira, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão a contra-revolução monárquica, nos anos a seguir à implantação da República em Portugal. O orador falava no âmbito de mais uma conferência no âmbito do ciclo “As Grandes Questões da República”.
De acordo com Artur Coimbra, Paiva Couceiro exigiu aos governantes republicanos a realização de um plebiscito e a restauração da Carta Constitucional de 1926, pretendendo mostrar que existia uma alternativa monárquica ao regime republicano. Para o conseguir organizou um pequeno exército e fez duas incursões pelo norte transmontano. A primeira um ano depois da instauração da república, que se limitava a hastear a bandeira monárquica em Vinhais e, na segunda em 1912, que penetrou por Valença, Vila Verde e Chaves, conseguindo, com a ajuda do Padre Domingos, alguns levantamentos populares em Cabeceira, Celorico de Bastos, Fafe e Vieira do Minho. Apesar disso, foram rapidamente neutralizados pelas forças republicanas.
Mas os ataques à República persistiram, com o envolvimento activo de parte do clero. O mais importante ocorreu em 1918, com a proclamação da Monarquia do Porto, pela Junta Militar do Norte. O país ficou dividido em dois: acima do rio Vouga mandava a monarquia permanecendo o sul fiel à República, nunca hasteou a bandeira azul da monarquia.
O sonho do regresso à monarquia durou 25 dias, que o exército republicano derrotou. Foi um período de grande terror e violência, que ficou conhecido “pelo Reino da Traulitânia”. Os monárquicos aproveitaram o momento para fazer ajustes de contas e desencadear vinganças pessoais, com grande crueldade e violência.
Porém, a Monarquia do Norte, como ficou conhecido este pequeno período de dominação monárquica, falhou. Dificilmente poderia ter outro desfecho, porque não contou com o apoio do rei D. Manuel, exilado em Inglaterra, nem teve o reconhecimento de Espanha e Inglaterra.
A próxima conferência está agendada para 21 de Maio e será dedicada ao tema “A resistência operária à I República” , contando com a presença do professor Paulo Guimarães.