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A columbofilia é uma verdadeira ciência. Que o digam os adeptos, que fazem deste o segundo desporto com maior número de praticantes em Portugal, a seguir ao futebol. A Trofa também tem muitos adeptos, como são exemplo a equipa Araújo & Filhos, que foram vice-campeões do bloco 5 do distrito do Porto pelo segundo ano consecutivo.

Para se ser campeão, é preciso dedicar-se à modalidade “a cem por cento” e encará-la com verdadeiro espírito de profissional, apesar de não ser uma prática remunerada. É, aliás, um desporto caro, que vai persistindo graças à paixão dos praticantes aos pombos. Rigor, disponibilidade e dedicação são palavras-chave daqueles que ambicionam ter aves vencedoras.

Assim como um pouco por todo o país, em Ervosa, S. Martinho de Bougado, vive um trio aficionado pelos pombos. Abílio Araújo, o pai, aprendeu a gostar da modalidade com os filhos, Manuel e Fernando, que compõem a equipa “Araújo & Filhos”, que compete a nível local e distrital há mais de 25 anos. No início de uma época, que acontece de março a junho, chegam a ter “mais de 150” aves na colónia, número que decresce com a competição, uma vez que há exemplares que acabam por não regressar à origem, depois de serem lançados a uma certa distância. Existem vários campeonatos dentro da modalidade, mediante a quilometragem: o de velocidade – que tem menor distância -, o de meio fundo, média distancia, e o fundo, que pode chegar aos 750 quilómetros.

No Campeonato do Bloco Cinco da Associação Columbófila do distrito do Porto, a “Araújo & Filhos” foi vice-campeã na classificação geral (atrás de uma equipa de Gondomar), tendo conquistado o 1.º lugar no meio fundo e o 3.º em velocidade.

A nível local, nas provas da Sociedade Columbófila Trofense, a tripla venceu três das cinco provas – velocidade, meio fundo e campeonato de borrachos (pombos novos) -, mas acabou por perder para a equipa “Asas de Rindo” o título mais ansiado, que é a classificação geral. A prova de fundo foi vencida pela equipa “José Manuel e Paulo Matos”.

Já no âmbito das provas do Grupo Columbófilo Tirsense, a equipa venceu o campeonato de meio fundo, foi 2.º classificado de velocidade e 3.º na geral. Venceu ainda o campeonato de clássicas.

Este ano, a perda de aves foi considerável, porque “a aposta também foi grande”, explicou Fernando Araújo. Os 17 casais reprodutores que, atualmente, nidificam têm, por isso, um papel muito importante para a reposição da colónia.

Há muitos fatores que contribuem para que as aves não consigam chegar ao destino. Desde logo “as condições climatéricas”, como a chuva, o vento, o nevoeiro ou o calor intenso, passando também pelos predadores e até pelos fios de alta tensão. As provas de longa distância são as que registam mais perdas. Nestas, as aves chegam a voar “durante 11 horas”, afirma Manuel Araújo.

E como se prepara um pombo para competir? O segredo é treiná-lo com método e paciência. A preparação inicial é feita “junto ao pombal”, quando as aves são soltas por “curtos períodos de tempo”. “Quando conseguem voar durante uma hora sem querer pousar, os pombos estão preparados para serem soltos longe do pombal”, explicou.

O treino continua a ser feito de forma gradual, ou seja, já fora do pombal, a ave é largada, inicialmente, a cinco quilómetros, e nas semanas seguintes a distância vai aumentando até chegar aos 70 quilómetros. “Aí, podem ser soltos a qualquer distância, porque já têm a noção que é para voltar”, complementou Manuel Araújo.

Nos dias de prova, os pombos não são muito alimentados, para que tenham vontade de regressar, assim como são separados das fêmeas, e vice-versa, para que quando chegarem ao pombal sejam “premiados” com o reencontro. A alimentação é reforçada “nos dois dias antes da prova”, para que a ave esteja “no pico de forma” quando for lançada.

Em competição, explicou Fernando, “os pombos são registados com uma anilha que tem chip” na associação, sendo posteriormente “encestados” e “colocados num camião” que os levará para o ponto de partida. Depois de lançado, o primeiro pombo a ser constatado na “coordenada estabelecida” vence a prova. A coordenada serve para colocar os participantes em situação de igualdade, uma vez que os locais de chegada são os pombais onde são criados.

Depois de terminada a época, os pombos são transferidos para a ala de reprodutores e, posteriormente, isolados para a muda da pena.

Desde crianças que Manuel e Fernando Araújo têm “o bichinho” da columbofilia. Raramente compram aves, porque preferem “trocar com amigos”. Na colónia já morou um que foi considerado “o rei” do pombal e a descendência seguiu-lhes “as asas”. Como o neto, batizado de “Bambino”, que esta época “ganhou uma anilha de ouro e três de prata”.