O arrogante quando sentado na cadeira do poder age como um asno tresmalhado que pensa ser melhor que os outros e maior que o infinito e até chega a pensar que um deus qualquer se incorporou nele. Aquele que usa a arrogância para espezinhar e achincalhar o seu opositor é um ser ridículo, prepotente, vingativo e egocêntrico, que reflete um complexo patológico.

O político quando é infetado pela arrogância, não gosta de ser corrigido nem aceita ser questionado por um opositor ou por um jornalista que quer escrutinar a verdade. O político arrogante, como se considera um ser superior, só vê e ouve o que lhe convém, por isso pensa que é dono da verdade e que a razão está sempre do seu lado.

A arrogância transformou o ego do antigo primeiro ministro do pior governo deste país em democracia, o governo «socrático», num ser desprezível e num animal político perigoso, como se considerava perante os seus camaradas. Mesmo agora, que está a responder perante a justiça utiliza a arrogância como arma, quando é questionado pelos juízes.

Esta forma de estar na política fez escola, pois o atual governo tem muitos políticos que também incorporam neles muitos tiques de arrogância ridícula e prepotência bacoca, incluindo o atual primeiro ministro, que foi o n.º 2 desse malfadado governo «socrático». O primeiro ministro demonstra a sua arrogância nos debates parlamentares onde chega a agredir verbalmente os seus opositores, mas também nas interpelações públicas, como na «arruada» em fecho de campanha, quando perdeu as «estribeiras» e quase bateu num idoso.

O mundo da política precisa de políticos humildes e não de políticos arrogantes e prepotentes que pensam estar acima da lei até chegando a afirmar em público que as leis não são para ser «levadas à letra», como disse o atual primeiro ministro, que é um «mestre das artes circenses». É mais um político que agrega nele a arrogância aliada à prepotência e quando verborreia faz lembrar a frase: «quanto mais vazia vai a carroça, maior é o barulho que ela faz».

O poder executivo é vigiado e limitado pela ação de entidades legitimadas para esse propósito, só que no negócio da recolha seletiva de resíduos orgânicos, estimado em 60 a 70 milhões de euros, a governação fez «tábua rasa» das recomendações da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e entregou em exclusivo a uma empresa, sem concurso público. A entidade reguladora, nomeada pelo governo, apresentou queixa no Ministério Público pedindo a anulação do despacho de 28 de julho, por conter uma alteração ilegal ao objeto da concessão, mas a governação também se marimbou para o parecer pedido pelo próprio governo à Procuradoria-Geral da República (PGR).

No caso deste negócio do lixo e do lítio, cheio de muita escuridão, o governo fez uma adjudicação sem concurso público, a uma empresa que nem sequer pode exercer a recolha de lixo. É a arrogância no seu extremo, que levou o governo a afrontar os princípios de independência da entidade reguladora e a pôr em causa princípios de concorrência, transparência e igualdade.

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