Foi aprovada à “quarta tentativa” e pretende dar uma nova vida a um dos maiores povoados do Noroeste Peninsular e, desde 1910, Monumento Nacional. A operação “Promoção, Valorização e Beneficiação do Castro de Alvarelhos” foi aprovada no âmbito de uma candidatura submetida pela Câmara Municipal da Trofa ao Norte 2020, com um investimento elegível de quase 438 mil euros, que será comparticipado em 85 por cento.

Dividida em três ações, a candidatura prevê, inicialmente, o melhoramento das condições e dos percursos de visitação ao Castro, no qual se inclui “a aquisição de um terreno”, assim como da qualidade dos acessos, e a continuidade de acompanhamento arqueológico e de investigação, assim como de conservação dos materiais do acervo.

Na candidatura está prevista a aquisição de um equipamento de monitorização, para contagem dos visitantes do Castro de Alvarelhos. Com esta intervenção, a autarquia prevê um “acréscimo de dois mil visitantes”, em 2022 e 2023, num total de 5500.

Acesso ao Castro de Alvarelhos

No projeto, foram identificados como “novos públicos” a comunidade escolar, científica e associativa, famílias, turistas (nacionais e internacionais), visitantes com mobilidade reduzida e com deficiências visuais ou auditiva. Para estes últimos, haverá informação gráfica em braille e um documentário bilingue traduzido para língua gestual. Está ainda prevista a realização de uma exposição itinerante, com divulgação a escola nacional.

O Castro de Alvarelhos é um dos maiores povoados do Noroeste Peninsular. Ocupado desde épocas muito remotas, provavelmente desde a Idade do Ferro, este monumento tem passado despercebido para a maior parte da população do concelho da Trofa, mantendo-se esquecido entre a Quinta dos Aidos e a Quinta do Paiço.

O Castro encontra-se protegido por uma Zona Especial de Protecção com cerca de 130 hectares que ultrapassa os limites do concelho da Trofa e se estende pela freguesia de Guilhabreu (Vila do Conde) e ainda uma pequena parcela pela freguesia de S. Pedro de Avioso (Maia).

A estação arqueológica, com exceção do projeto de investigação de que foi alvo na década de 90 do século vinte, nunca tinha sido objeto de uma intervenção sistemática, contando apenas com uma intervenção pontual efetuada por José Fortes, em 1899, e uma outra realizada por Serpa Pinto, em setembro de 1926. A intervenção arqueológica, ao nível da escavação, decorreu entre 1991 e 1998, tendo sido realizadas 11 campanhas, das quais resultou uma área intervencionada de 1980 metros quadrados. O resultado destas investigações permitiu definir a periodização das diferentes fases de ocupação da estação. Os achados podem ser encontrados no Museu Abade Pedrosa, na cidade de Santo Tirso, bem como na Casa da Cultura da Trofa.
Um forno de pão, a linha de canalização dos esgotos, as divisões das casas e as ruas foram colocados a descoberto e com alguma imaginação consegue-se visualizar o modo de vidas dessas populações.

A localização do povoado junto de uma importante via romana e o valor dos objetos ali encontrados indiciam a relevância do local, que teve ocupação humana até à Idade Média, como provam as ruínas de uma capela medieval, que se julga ter sido a primeira igreja de Alvarelhos. É também visível uma sepultura da época medieval, altura em que os corpos eram colocados “em local sagrado”.

Nas ruínas pode ainda ver-se o que se julga ser um espaço público nobre da localidade na época romana, delimitado por restos de colunas.

Em abril de 2012, foi inaugurado o percurso interpretativo do Castro de Alvarelhos. Nessa cerimónia, o arqueológo Francisco Queiroga, responsável pelo conteúdo das placas que documentam a ocupação deste local, referiu que se trata de um povoado que foi “construído na Idade do Ferro e que cobre pelo menos a última parte do primeiro milénio antes de Cristo e que ganhou vida quando se iniciou o processo de romanização e se ultimou a conquista da Península”. A partir daí, “assumiu padrões de romanização que não são muito comuns nos castros da região, o que o torna único e interessante”. “Este local é enorme, não se sabe onde começa nem onde acaba” , atestou.

Na ocasião, o arqueólogo alertou que, mais do que continuar a escavar, é importante a sua “proteção”.

Um ano depois, a 18 de abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a autarquia da Trofa e a Universidade do Porto assinaram um protocolo de colaboração para a investigação do Castro.

Desde então, assistiu-se a um desmazelo no local, com o crescimento de silvas e falta de conservação.