Na despedida depois de 23 anos de trabalho no Cenfim da Trofa, o diretor cessante Branco Rodrigues assiste à entrega de certificados do CNO da escola profissional.

Delfina Inês já ultrapassou o meio século de vida, mas a sua vontade de ultrapassar desafios dá-lhe um ar jovem e sonhador. A viver em S. Romão do Coronado, Delfina aceitou o desafio de voltar a estudar no Centro Novas Oportunidades (CNO) do núcleo da Trofa do Cenfim. Se noutros tempos a vida a obrigou a parar na 4ª classe, hoje, com o 9º ano concluído, Delfina Inês não fecha portas à possibilidade de expandir as suas competências ao nível do 12º. O desafio foi-lhe lançado por Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa, e depois de um “acho que vou parar por aqui”, a formanda mudou de ideias: “Talvez. Se tiver oportunidade, porque não?”

Delfina foi uma das cerca de 50 pessoas que receberam o diploma de certificação no CNO do Cenfim da Trofa, no sábado.

O facto de ser de Viana do Castelo não impediu Miguel Lomba de concluir o 12º ano e agarrar a “oportunidade para melhorar” as suas qualificações. Este certificado vai contribuir para que Miguel evolua em termos de carreira e assim possa estar “mais bem preparado para encarar o mundo do trabalho”.

Joana Lima participou na entrega dos diplomas e falou da sua experiência pessoal – tirou o curso superior em horário pós-laboral – para incentivar os formandos a não desistirem de se qualificar, de ver certificadas as suas competências e a prosseguirem para a formação académica.

Já Branco Rodrigues aproveitou a ocasião para oficializar a sua saída do mundo do trabalho. Depois de 23 anos a trabalhar ao serviço do Cenfim, o ex-diretor da escola sente-se “um trofense honorário”, já que deu mais de 30 anos da sua vida à cidade, pois também trabalhou na já extinta Feruni.

A indústria “foi uma boa experiência” e a que serviu para abrir o núcleo da Trofa do Cenfim em 1988, que iria “dar formação profissional no setor da metalomecânica, que tinha desaparecido em 1975 com o ensino unificado”.

Branco Rodrigues considerou que o Cenfim “evoluiu, atualizou-se e respondeu sempre às necessidades que as empresas lhe foram colocando”.

Apesar de sair com “o sentimento de dever cumprido”, o ex-diretor do Cenfim acredita que “tinha mais para dar”. “Mas, agora, a formação não pára. As pessoas vão ter que saber cada vez mais, porque o conhecimento evolui e as necessidades das pessoas com qualificação são maiores”, postulou.

Mesmo aposentado, Branco Rodrigues promete “estar em contacto com o mundo da formação”.

 

 

António Luís é o sucessor de Branco Rodrigues e promete “dar continuidade ao trabalho” desenvolvido pelo ex-diretor, colocando “o formando em primeiro lugar”.

Depois de liderar as direções dos núcleos de Ermesinde e Amarante do Cenfim, António Luís vai tentar manter o padrão de qualidade atingido pela escola profissional na Trofa: “Pôr os valores da cidadania à frente, contribuir para a competitividade das empresas e a realização pessoal dos formandos”.

O primeiro projeto como diretor do Cenfim da Trofa é “reorganizar o espírito de grupo, no sentido de o conhecer e de tirar partido de cada especificidade de carácter que apresenta, para que, no futuro, dê o seu melhor”.

A premissa defendida será a de que “o formando deve sair com competência, atitude, vontade de vencer e com projetos de realização a prazo, porque, normalmente, a dificuldade de vencer na empresa passa, acima de tudo, pela atitude com que as pessoas têm”.

Licenciado em Engenharia Mecânica e natural de Penafiel, António Luís vai dirigir os núcleos do Cenfim da Trofa e Arcos de Valdevez.