Cerca de 80 pessoas associaram-se ao projeto “100 mil árvores” e plantaram espécies autóctones na Quinta da Sardoeira, em Covelas.

Fustigada por um grande incêndio há dois anos, a Quinta da Sardoeira,emCovelas, despiu-se de árvores autóctones e tornou-se numa propriedade quase “monopolizada pelos eucaliptos.

Para dotar a área de espécies típicas do território, cerca de 80 pessoas dispersaram-se pelos montes e plantaram 1600 árvores.

A manhã soalheira de sábado, 28 de janeiro, não podia ter combinado melhor com a iniciativa. Os escuteiros do Carvalhido, no Porto, deslocaram-se à freguesia trofense para participar nesta iniciativa integrada no projeto ““100 mil árvores””. O pequeno Diogo Neto estava a achar a experiência “”muito engraçada”” e já tinha ““perdido a conta”” às árvores que tinha plantado, entre ““carvalhos, castanheiros e……(pausa)””. Depois da ajuda da colega Leonor Silva, Diogo lá completou: ““E loureiros””.

Questionado sobre que designa ção a dar a estes tipos de árvores, o pequeno escuteiro, sussurrou: ““Naturais?””. Nova tentativa: ““Autónomas?””. Autóctones, queria dizer, mas gramática à parte, a verdade é que miúdos e graúdos arregaçaram as mangas e pegaram nas pás e ancinhos para plantar carvalhos, castanheiros, bétulas, entre outras. Até os proprietários da Quinta não se alhearam a esta iniciativa amiga do ambiente, como Alexandra Serra que quando desafiada pela Associação de Silvicultores do Vale doAve a associar-se a esta plantação, não hesitou: ““Para mim isto é um presente que me estão a dar e claro que recebi de braços abertos, porque nós queremos uma floresta autóctone””.

Relembrando que a paisagem atual é muito diferente do que foi na sua infância, Alexandra Ferreira fez mea culpa devido à devastação do incêndio, há dois anos: “É muito difícil manter uma grande área limpa e, por outro lado, lutar contra os incendiários””, afirmou, relembrando que as chamas destruíram vários hectares de floresta durante três dias. Alexandra Ferreira estava feliz por ver o empenho de outros em ver reflorestada aquela área.

Márcio Correia, elemento do Agrupamento 110 do Carvalhido, explicou como os escuteiros foram ali parar: ““Uma das responsáveis pelas secções mais novas é daqui da Trofa e como surgiu esta iniciativa achamos que era uma boa oportunidade para as crianças terem um contacto mais intrínseco com a Natureza e aprenderem coisas úteis como a plantação de árvores””.

Para além dos escuteiros de Carvalhido, também os de Matosinhos quiseram conhecer este património florestal trofense e contribuir para a plantação das árvores. Outras entidades pró-ambiente da Trofa também estiveram representadas nesta iniciativa, como a Associação para a Protecção do Vale do Coronado. Paulo Damasceno, elemento da coletividade, afirmou que esta ““está disponível para participar em atividades que valorizem o ambiente do concelho””. ““Os incêndios, este verão, consumiram muita da nossa mata e é a obrigação de todos colaborar para o repovoamento””, completou.

Já Hélder Magalhães, um dos coordenadores do ““Limpar Portugal”” na Trofa, referiu que “”este ano, a tática da equipa passa, além de fazer a limpeza, por associar-se a algumas ações de sensibilização junto da população””. “Achamos que esse é um dos meios para reduzir o número de depósitos ilegais. Muitas vezes cometem-se atos quase criminosos de deixar lixos no meio da floresta por desconhecimento. Também queremos combater isso””, acrescentou.

A Câmara Municipal também está empenhada em reflorestar o concelho com espécies autóctones. A presidente, Joana Lima, afirmou que “”a Trofa tem que se associar aos bons projetos para o desenvolvimento sustentável do concelho”. “”Este projeto tem que ver com a reflorestação das áreas ardidas e, há dois anos, esta área da Quinta da Sardoeira, que é uma quinta emblemática no nosso concelho, foi fustigada pelos fogos e, hoje (sábado), estamos a reflorestá-la””, afiançou.

Já estão agendadas ações semelhantes no concelho, uma no dia 25 de fevereiro, também na Quinta da Sardoeira, e outras em S. Gens, Santiago de Bougado, e em Paradela, S. Martinho de Bougado.Aedil trofense não deixou de sensibilizar para a importância da plantação de árvores autóctones, acabando com a hegemonia dos eucaliptos.

O projeto ““100 mil árvores””  nasceu do contexto do Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Área Metropolitana do Porto. O objetivo é criar bosques com espécies autóctones, enriquecer a biodiversidade e proteger os solos.

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