Sabia que, segundo um estudo feito pela ASAS junto de mil crianças e jovens do concelho da Trofa, 70 por cento mantém-se online durante a noite e 57 por cento almoça com o telemóvel na mão? Estes e outros dados foram dados a conhecer, no dia 20 de fevereiro, no auditório do Fórum Trofa XXI, no âmbito do projeto “Go Offline”.

A associação ASAS abraçou uma parceria com o Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA) para atuar junto da comunidade jovem do concelho da Trofa, no âmbito da utilização – e dependência – das novas tecnologias.

Ivone Patrão, docente do ISPA responsável pela condução do estudo, explicou ao NT e à TrofaTv que os resultados do inquéritos realizados a cerca de mil alunos alertam para “alguns fatores de risco que têm a ver com o sono, alimentação, exercício físico e ausência de controlo parental”, que prejudicam o desempenho dos alunos na escola.

Das conclusões apresentadas, alguns dados saltam à vista: 94% dos inquiridos usam o telemóvel na escola, 31% verificam mais de 30 vezes o telemóvel por dia; 70% acedem ao telemóvel durante a noite e 57% realizam refeições ao computador ou ao telemóvel. Mais de metade (59%) dos jovens questionados revela que não há controlo parental sobre o uso da tecnologia e 43% admitem comunicar online com pessoas que nunca conheceram.

Sobre o tempo que passam online, 46% dos inquiridos afirmam que estão até quatro horas por dia online, durante a semana, e 39% passam entre quatro e oito horas por dia ligados à internet. Esta utilização tem repercussões na dedicação a outras atividades ou convívios, como atestam os resultados que dão conta de que 40% dos jovens admitem que estar na internet lhes tira tempo para estudar, 38% reconhecem que dormem menos para estarem online, 33% sentem ficam com menos tempo para estar com a família e 32% reconhecem que, ao estar online, ficam indisponíveis para praticarem exercício físico.

Apoiada pelos resultados do estudo, Ivone Patrão refere que os jovens, “com o avançar da idade”, e por consequência do aumento da autonomia, ficam mais expostos “aos riscos de ficarem dependentes” das tecnologias.

As soluções apresentadas após a avaliação passarão por promover “novas atitudes que possam melhorar comportamentos”, explica Helena Oliveira, presidente da ASAS, que quer que o projeto seja “uma pedrada no charco”.

“É assim que se modifica o mundo, tentando contribuir com soluções para encaminhar as políticas das escolas, regulamentos e a própria atuação da autarquia”, sublinhou.

A introdução do jogo de tabuleiro “Missão 2050” é umas das respostas que serão dadas à comunidade para promover a moderação do uso das novas tecnologias. Segundo Ivone Patrão, o jogo tem como objetivos ajudar os utilizadores, desde pequenos, a “gerir o seu dia a dia com ou sem tecnologia” e a incentivar a ficar offline.

Para a prossecução do projeto, valeu à ASAS o financiamento garantido através de uma candidatura à Fundação Cepsa, que saiu vencedora. Este apoio permitiu que o projeto “avançasse mais rapidamente” e no “tempo pretendido”.

Resultados do estudo
982 jovens com idades entre os 12 e os 18 anos inquiridos
70% acedem ao telemóvel durante a noite
57% realizam refeições ao computador ou ao telemóvel
42% não praticam exercício físico fora das atividades escolares
31% verificam mais de 30 vezes o telemóvel por dia
59% dizem que não há controlo parental sobre o uso da tecnologia
46% afirmam que estão 4 horas por dia online, durante a semana e 39% estão entre 4 e 8 horas por dia
12% relatam situação de cyberbullying, como boatos, partilha de imagens privadas, emails perturbadores, comentários a ridicularizar, pressão para ceder fotos, apropriação de identidade
43% admitem comunicar online com pessoas que nunca conheceram
57% recorrem à internet quando têm problemas emocionais