É com enorme prazer que inicio uma colaboração regular com o “ O Notícias da Trofa”, jornal que se tornou, nos últimos tempos, uma referência do jornalismo isento e de qualidade, no nosso concelho.

É habitual, no início de cada ano, formularmos votos e desejos que gostaríamos de ver cumpridos nos doze meses seguintes. É o que procurarei fazer de seguida.

O nosso país enfrenta uma grave crise económica, social e de confiança, desde o inicio da década.

A razão principal prende-se com o facto de Portugal não ter conseguido, num período de expansão económica em toda a Europa, nomeadamente entre 1996 e 2000 – Governação do Eng.º Guterres, levar a cabo um conjunto de reformas estruturais essenciais para que o país pudesse enfrentar com êxito os novos desafios de competitividade.

Mau grado o esforço de sucessivos governos (Durão Barroso, Santana Lopes e agora, reconheça-se, José Sócrates), o país permanece numa situação extremamente complicada.

O desemprego cresce dia a dia, a nossa classe média perde poder de compra, a diferença entre ricos e pobres cada vez mais acentuada, as nossas empresas com graves problemas de competitividade face aos gigantes asiáticos e do leste europeu, uma administração pública ineficiente, desmotivada, enfim, um país pouco confiante em si mesmo, a auto-estima dos portugueses em baixa.

É esta situação que temos de inverter, são estes desafios que necessitamos ganhar!!

Em primeiro lugar, é essencial que possamos disfrutar de estabilidade política. Comparemos o número de Primeiros-Ministros que Portugal e Espanha tiveram nos últimos 30 anos e talvez aí encontremos a razão mais forte para os diferentes estádios de desenvolvimento dos 2 países.

Em segundo lugar, importa que reformas em áreas-chave como a administração pública, a justiça, a segurança social avancem finalmente.

A modernização do país e a melhoria das condições de vida dos portugueses não se compadecem com a tibieza e a falta de coragem para a tomada de decisões relevantes.

Esperemos, para nosso bem, que o actual Governo tenha capacidade e coragem para o fazer.

Em terceiro lugar, é primordial melhorar a qualidade de organização e de gestão da maioria das nossas empresas.

Mais do que problemas com a falta de produtividade dos trabalhadores, Portugal debate-se com deficiências de organização e gestão preocupantes, no nosso tecido empresarial.

Muitos outros aspectos poderiam aqui ser elencados. Estes são, na minha opinião, os mais importantes para que o nosso país ganhe competitividade, se modernize e esteja à altura dos desafios que todos temos a obrigação de enfrentar e ganhar.

No próximo artigo de opinião, abordarei os principais desafios que se colocam nos próximos tempos ao nível do nosso concelho.

 

João Moura de Sá – Economista

 

P.S. Desejo a todos os Trofenses que o ano de 2006 lhes traga saúde e grandes sucessos pessoais e profissionais.