As opiniões dos motoristas divergem quanto à colocação de um vidro separador entre o condutor e os lugares de passageiros. A Associação de Defesa e Segurança dos Motoristas de Táxi do Porto defende que este é o único sistema capaz de garantir a segurança dos taxistas. O NT foi ouvir a opinião de alguns taxistas trofenses.

 

taxistas.jpgMuitas são as histórias vividas pelos taxistas e que espelham a insegurança desta profissão. Assaltos à mão armada, sequestros, roubos e até situações de passageiros que chegam ao destino e não pagam, fazem parte do dia-a-dia destes homens e mulheres que se arriscam a transportar qualquer desconhecido para destinos incertos. De noite ou de dia, o perigo está em cada passageiro diferente que transportam e o final da história só é conhecido quando chegam ao destino. "Temos de desconfiar de toda a gente, tanto vale ser bem, como mal vestido", afirmou Américo Azevedo, um taxista trofense.

A Associação de Defesa e Segurança dos Motoristas de Táxi do Porto defende a colocação de um vidro separador entre o condutor e os lugares de passageiros e dizem que este é o único sistema capaz de garantir a segurança dos taxistas. Contudo as opiniões dos motoristas divergem. O NT foi ouvir alguns taxistas trofenses e se uns concordam e fazem "de tudo para ter mais segurança", outros afirmam que o vidro separador, ou os aparelhos de vigilância "não vão evitar um assalto".

Américo Azevedo, acredita que todas estas medidas sejam "uma segurança", mas "depois de já estarmos mortos não adianta", afirmou.

Para este taxista trofense "o mais seguro era as pessoas entregarem-nos um documento de identificação, porque se for um malandro eles não querem fazer isso", explicou. Apesar das várias estratégias para evitar este tipo de assaltos, "a vida de taxista é sempre um risco". "Eu agora quando são distâncias grandes eu peço um determinado valor, antes, para pelo menos garantir o dinheiro para o gasóleo, porque nós não podemos confiar em ninguém, mas às vezes não tenho muita coragem para fazer isso. Isto é muito complicado" reiterou.

Já Paulo Pereira, acredita mais nos sistemas de segurança do que o colega de profissão e diz estar "sempre a favor destas medidas". "Se o Governo e a Câmara Municipal nos ajudassem a pagar, porque o vidro custa cerca de dois mil euros, eu colocaria no meu carro". No entanto aponta um problema: "Este carro é um mercedes e não dá para colocar o vidro, porque entre o condutor e o passageiro não há muito espaço. Mas se arranjar maneira de colocar o vidro, eu coloco", porque entre levar menos pessoas na viatura, e estar mais seguro, Paulo prefere a segurança. "Eu prefiro levar apenas três pessoas e ter mais segurança, porque hoje não sabemos quem metemos dentro do carro e como há tanto desemprego e falta de dinheiro, as pessoas desesperadas são capazes de fazer qualquer coisa", acrescentou.

Apesar de ter o sistema Táxi Seguro, "o vidro é a melhor opção", considerou. "Com o sistema Taxi Seguro temos um botão de fácil acesso e podemos accionar sempre que estamos em perigo. Ao accionar o botão, através de satélite a PSP do Porto é alertada e localizam de imediato o meu carro e podem ajudar-me", explicou, mas "tudo o que seja para a minha segurança e a segurança dos meus clientes, o meu carro irá ser sempre um dos primeiros da Trofa a ter esse sistema".

Taxistas da Trofa reclamam falta de condições

A falta de espaços onde parar um taxi preocupa os taxistas trofenses. Junto estação de comboios, ao Hospital, ou mesmo junto ao mercado da feira, "nunca existe um taxi", afirmou Paulo Pereira, um taxista.

Depois da situação já ter sido comunicada "várias vezes à Câmara Municipal da Trofa", o assunto continua por resolver. Os taxistas reclamam lugares marcados junto aos principais pontos do concelho, onde as pessoas necessitam de uma viatura, porque "muitas pessoas até dizem que a Trofa nem parece uma cidade, quando querem um táxi, eles só existem na praça de táxis mesmo", afirmou o taxista.

O mesmo não podem dizer de um pedido feito à Junta de freguesia de S. Martinho de Bougado, que construiu junto à Praça de taxis, uma casa de banho para os motoristas. "E nós agradecemos, porque eramos obrigados a fazer as necessidades em qualquer sítio e no verão, com o calor, o cheiro aqui não se aguentava", explicou Paulo Pereira.