O vírus do Papiloma Humano (VPH), é responsável pela maioria dos cancros do colo do útero, que por sua vez é a principal causa de morte e o segundo cancro mais frequente nas mulheres. Cerca de 80% desenvolveram algumas das suas formas por volta dos 50 anos. Na maioria das pessoas, a infecção acaba por desaparecer por si própria, mas noutras pode evoluir e transformar-se em cancro do colo do útero.

   O colo do útero é a extremidade inferior do útero, que liga o corpo do útero à vagina. O colo do útero sofre alterações ao longo da vida de uma mulher (puberdade, durante o parto, menopausa). A área que une a região externa do colo do útero (exocolo do útero) e a porção interna (endocolo) é muito sensível. È aqui que se inicia a maior parte dos cancros do colo do útero.

Ao contrário de muitos outros cancros, a origem do cancro do colo do útero não é hereditária. Este cancro é sempre causado pelo VPH. Certos tipos deste vírus são capazes de transformar as células do colo do útero, provocando lesões, que em alguns casos progridem para lesões cancerosas. Esta progressão acontece apenas num número reduzido de casos e desenvolve-se ao longo de vários anos.

Todas as mulheres podem ser afectadas e cerca de 40% de todos os casos de cancro do colo do útero são diagnosticados em mulheres com idades entre os 35 e os 54 anos. No entanto, foi demonstrado que a maioria das mulheres contraem o VPH na adolescência ou início da idade adulta. Cerca de 70% das mulheres e homens, entrarão em contacto com o VPH durante as suas vidas. Este vírus é muito comum e é transmitido por simples contacto genital de uma pessoa para a outra. Felizmente, a maioria das pessoas infectadas com o vírus não desenvolverão cancro porque, em 90% dos casos, o Vírus do Papiloma Humano é eliminado naturalmente.

Sendo o cancro do colo do útero uma das principais causas de morte na Mulher, o rastreio é uma arma de que nenhuma mulher deve abdicar pois, mais vale prevenir que tentar remediar o irremediável, se for observada pelo médico, quaisquer sinais precoces de cancro podem ser tratados, impedindo a sua evolução. Actualmente a taxa de cura de cancro que se limita apenas ao colo do útero, situa-se em 85%. Agora felizmente já há vacina para este problema.

Em países como a Espanha e a Grã-Bretanha, a comparticipação desta vacina é total e esta medida será já incluída no próximo ano no calendário de vacinas gratuitas. Em Portugal, o ministro socialista da Saúde, Correia de Campos, está ainda a estudar a possibilidade de comparticipação desta vacina, mas qualquer medida só será anunciada depois de conhecido o Orçamento de Estado.

Portugal já tem disponível no mercado uma vacina contra o vírus do Papiloma Humano, cujo custo ultrapassa os 400 euros, que afasta a imunização das pessoas com menos recursos financeiros, por ter um preço demasiado elevado para a generalidade das carteiras portuguesas. Este cancro, que aniquila a vida sexual e familiar das sobreviventes, mata em média uma mulher por dia, em Portugal.

Em Portugal está a perder-se a oportunidade de se salvarem vidas a médio e longo prazo e com uma acção concreta do Governo, no apoio à vacinação, iria evitar sofrimento e morte e do ponto de vista economicista poderiam poupar-se muitos recursos ao evitar tratamentos.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt