A autarquia da Trofa e a Universidade do Porto assinaram um protocolo de colaboração para a investigação do Castro de Alvarelhos, a 18 de abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

É Monumento Nacional desde 16 de junho de 1910 pela importância arqueológica que encerra, graças a várias épocas de ocupação desde os finais da Idade do Bronze à Idade Média. O Castro de Alvarelhos há muito que não é objeto de investigação, mas essa realidade vai mudar brevemente, graças ao protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal da Trofa com a Universidade do Porto.

Segundo a presidente da Câmara, Joana Lima, a Trofa conseguiu aliar a “forma económica” e “de sabedoria” para retomar as investigações num dos castelos romanos da Rede de Castros do Noroeste Peninsular.

“A partir do momento que faz um protocolo, a Universidade do Porto vai ter todo o interesse em fazer mais escavações e explorações por parte de quem coordena o projeto mas, também, pelos novos alunos, fruto da sua curiosidade sobre estas questões”, frisou.

Rui Centeno, presidente do Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, confirmou que o objetivo é “elaborar um projeto de investigação, onde estarão incluídos trabalhos de campo com estudantes de licenciatura e mestrado em Arqueologia”. “O estudo poderá estender-se por três anos e com escavações que poderão durar um mês”, acrescentou.

Segundo Rui Centeno, o Castro de Alvarelhos foi um “achado no início dos anos 70” e constitui “um tesouro monetário muito valioso, que é conhecido internacionalmente”.

Este protocolo foi uma maneira de também comemorar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, para “demonstrar” que a autarquia “valoriza o que o concelho tem de melhor do ponto de vista histórico e arqueológico”, evidenciou Joana Lima.

“O principal objetivo deste protocolo é aproximar a Trofa ao meio científico e académico, porque temos de estar na linha da frente com o conhecimento, e com os que nos têm algo para dar como as universidades”, sublinhou.

 

“Ainda falta escavar 90 por cento do Castro”.

A autarquia refere que, de acordo com o especialista na cultura castreja e professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Armando Coelho, “falta escavar mais de 90 por cento no Castro de Alvarelhos, sendo que o que está mais visível diz respeito à ocupação romana” e que os mil anos anteriores “estão ainda por descobrir”. Neste castro, disse o mesmo especialista “há vestígios herdados desde a época proto-histórica”.

Na Trofa, as comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios continuaram no dia 20 de abril com visitas guiadas aos castros de Alvarelhos, Terroso, na Póvoa de Varzim, Monte Padrão, em Santo Tirso, e Sanfins, em Paços de Ferreira, que contaram com dezenas de participantes.

No dia 19 de abril, respeitando o desafio da temática deste ano para a comemoração, “Património + Educação = Identidade” proposta pelo ICOMOS Internacional, a Câmara Municipal da Trofa, continuou a desenvolver ações de sensibilização acerca do património concelhio nas Escolas da Trofa até 19 de abril.

Castro de Alvarelhos

O Castro de Alvarelhos é um Monumento Nacional desde 16 de junho de 1910, beneficia de uma Zona Especial de Protecção, desde 1976, retificada e ampliada em 1992.

Teve várias épocas de ocupação, desde os finais da Idade do Bronze À Idade Média, e delas guarda vestígios materiais e arquitetónicos.

O povoado estende-se desde o cabeço, denominado “Monte Grande”, pela encosta abaixo, na direção nordeste, ladeado por duas linhas de água, numa extensa área que o coloca entre os maiores do Noroeste Peninsular. A sua localização, na encosta voltada ao fértil vale aluvionar, é sugestiva do carácter agro-pastoril das comunidades que o habitaram ao longo dos tempos.

A ocupação deste local durante a Idade do Bronze está documentada por cerâmicas polidas e carenadas, machados em pedra polida e lâminas em sílex, sendo, por ora, desconhecidos vestígios de construções desse período.