Foi a 20 de Março de 2010 que todos se uniram para “Limpar Portugal”. Um ano depois, as lixeiras são menores, mas continuam a existir.

Sofás velhos, vestuário, carcaças de frigoríficos, materiais de construção… Há de tudo um pouco nas bermas das estradas e no interior das florestas de Portugal, mas também da Trofa. Um ano depois do movimento “Limpar Portugal” continuam a ser depositados vários tipos de resíduos ilegalmente e a Câmara Municipal da Trofa tem actualmente a decorrer 15 processos de contra-ordenação, nove dos quais detectados em 2011. “Quatro já estão resolvidos, por isso ainda há muito a fazer nesse sentido”, avançou Assis Serra Neves, vereador do Ambiente da Câmara Municipal da Trofa.

De acordo com o responsável, embora em menor escala, continuam a ser “depositados resíduos nas lixeiras já referenciadas”, sendo que a Brigada Municipal de Intervenção Florestal tem detectado alguns casos. Para Assis Serra Neves seria necessário organizar mais uma iniciativa do género do “Limpar Portugal”. “Está a pensar-se para 2012 na iniciativa Limpar o Mundo, já é falado em vários municípios, mas antes devíamos pensar fazer isso localmente, ou seja Limpar a Trofa, mas esta iniciativa tem de ser levada a cabo com as associações do município”, frisou. Isto porque o vereador considera “muito difícil”, individualmente alguém “fazer uma limpeza global”.

Enquanto essas iniciativas não acontecem, Assis Serra Neves pede à população para “alertar a Câmara Municipal, o serviço do ambiente, mas também a Polícia Municipal (252 428 109/10) e a GNR (252 499 180)”, denunciando desta forma os depósitos de lixo ilegais. Para breve está também a abertura de um Ecocentro em Cidai, Santiago de Bougado. “Vai entrar em funcionamento muito brevemente e qualquer pessoa pode levar esses lixos ao Ecocentro, porque é mais fácil do que os despejar nas bermas das estradas”, aconselhou.

Da mesma opinião é Hélder Magalhães, que fez parte da organização do movimento “Limpar Portugal” no concelho da Trofa. A escassos metros do Ecocentro e Aterro Sanitário de Santo Tirso, na freguesia de Covelas, o trofense identificava mais um dos depósitos clandestinos, desta feita com componentes de automóveis. No entanto, e apesar de terem sido identificadas algumas lixeiras, um ano depois da iniciativa, Hélder Magalhães faz “um balanço bastante positivo”, porque “pelo menos as pessoas têm mais sensibilidade”. “Tínhamos o concelho com bastantes depósitos de lixos de vários géneros e já tivemos oportunidade de dar algumas voltas e verificar que em muitos desses sítios não houve reposição desses lixos”, explicou. Agora, Hélder Magalhães não pensa na repetição do “Limpar Portugal”, mas sim na actuação por parte das entidades competentes: “O Limpar Portugal foi um movimento de cidadãos voluntários de louvar e que teve bastante sucesso, mas acho que agora também era importante ver por parte das entidades algum retorno”.

Cândido Novais, presidente da ADAPTA (Associação de Defesa do Ambiente e Património na Região da Trofa), também elogiou o movimento, que ajudou a “alertar consciências”, no entanto “passado um ano, o lixo continua a aparecer”, lamentou. Isto porque Cândido Novais sabe que “há sítios que antes eram lixeiras e que ainda hoje se mantêm limpos, mas têm aparecido novos focos de depósito de materiais”.

 É necessária “responsabilidade cívica” por parte de todos os trofenses, porque “a Trofa está muito bem equipada a nível de ecopontos para colocar o lixo”, avançou. “A ADAPTA aconselharia a dar a conhecer aos munícipes de que a empresa Trofáguas faz a recolha dos monstros, porque ainda há muita gente que desconhece esta possibilidade e que agarra na televisão ou no sofá e os deixam em qualquer lado”, aconselhou.

Os locais onde são colocados os resíduos estão já identificados pela autarquia. Os estradões florestais que interligam as freguesias do concelho, como a que faz a ligação entre as freguesias de Guidões e Alvarelhos, a Rua Central, em Covelas, na Rua António Sérgio e nas proximidades da Rua Frei Leão de S. Tomás, em S. Martinho de Bougado e em alguns caminhos e propriedades florestais que ligam a freguesia de Covelas a Vilar de Luz, no concelho da Maia, são alguns dos locais mais problemáticos no que toca à deposição clandestina de resíduos.