A correr, a massajar ou a vestir os campeões de cada etapa, o concelho da Trofa esteve representado na 77.ª Volta a Portugal em Bicicleta, que terminou a 9 de agosto com a consagração do bicampeão Gustavo Veloso.

“Não é uma classificação que me deixa satisfeito”. O ciclista trofense Daniel Silva, da Rádio Popular Boavista, não ficou satisfeito com o 8.º lugar da geral individual que obteve na 77.ª Volta a Portugal em Bicicleta, que terminou no domingo, 9 de agosto, com a consagração de Gustavo Veloso como bicampeão. O ciclista trofense ambicionava um lugar mais alto no pódio, por ser uma participação em que se sentia “mais forte”.

Ao ficar “doente” no dia de descanso, para Daniel foi “difícil ambicionar um lugar melhor no top10”. “Os últimos três dias da Volta foram um martírio para mim. Estava com tantas dores musculares que impediam-me de realizar as tarefas mais simples como vestir-me ou calçar-me”, enumerou.
Esta situação refletiu-se no contrarrelógio, que na sua opinião foi “mediano” – ficando em 24.º lugar a 2:14 minutos de Gustavo Veloso -, pois “esperava subir alguns lugares na classificação e isso não aconteceu”. “Para piorar ainda sofro uma queda na última etapa a três voltas do fim”, denotou.
Para Daniel Silva foi “totalmente legítimo” a equipa ter escolhido Rui Sousa como chefe de fila, uma vez que foi 2.º classificado no ano passado.

Celestino Pinho “trata das pernas”do bicampeão Gustavo Veloso

A 15 de dezembro de 2012, Celestino Pinho, morador em S. Mamede do Coronado, anunciou o fim da sua carreira de ciclista profissional, após se ter sagrado bicampeão nacional e vencedor da primeira Taça de Portugal de ciclocrosse, deixando no ar a hipótese de continuar ligado à modalidade. “Dois anos” depois de estar afastado da modalidade, o trofense foi convidado para fazer parte da equipa técnica da então OFM-Quinta da Lixa, agora W52/Quinta da Lixa, sendo responsável por “massajar” o espanhol Gustavo Veloso, Delio Fernández e Samuel Caldeira. Mas antes, Celestino Pinho tinha sido convidado para fazer parte de “uma equipa estrangeira”, sendo que “à última da hora o projeto acabou por não arrancar”. “Aceitei por ser uma equipa que já tinha ganho a Volta a Portugal e por continuar a ser a melhor equipa nacional. Estou muito contente, porque acima de tudo é uma família”, afirmou.

O ex-ciclista profissional asseverou que a “experiência tem corrido muito bem” e o facto de “ter corrido muitos anos e de ter feito algumas Voltas a Portugal, tornou tudo mais fácil”, desde o “trabalho e a ligação com os ciclistas”, com quem correu e tem “amizade de anos anteriores”.

Afonso Azevedo “veste” os vencedores da Volta


Foi protagonista da Volta a Portugal em Bicicleta enquanto ciclista e agora é um dos responsáveis por vestir os vencedores de cada categoria. Afonso Azevedo, natural de Santiago de Bougado, fez parte da equipa vencedora da Volta a Portugal em 2007 e no ano seguinte optou por “deixar de competir”. “Em 2010”, o também ex-ciclista Pedro Cardoso, responsável pela empresa, convidou-o “a ingressar nesta aventura que é a Pacto”. “Em 2010, 2011 e 2012, as coisas foram correndo bastante bem e entretanto entramos na Volta a Portugal a convite do diretor Joaquim Gomes”, contou, referindo que, “há três anos”, que são os responsáveis por confecionarem as camisolas que os vencedores de cada categoria recebem nas cerimónias protocolares no final de cada etapa e que usam no dia seguinte.
Afonso Azevedo contou que a aventura está “a correr bastante bem”, sendo que a Volta a Portugal em Bicicleta é “aproveitada ao máximo”, por ser “a monta e o que lhes dá mais visibilidade por causa dos media”, tendo tido “bastante aceitação” desde que começaram a colaborar com a prova e notado “um acréscimo na nossa empresa”.
A Pacto é responsável por fornecer três das seis equipas portuguesas profissionais: W52/Quinta da Lixa, Louletano-Ray Justa Energy e Team Tavira. Por essa razão, é com “um pouco mais de orgulho” que equipam a “equipa vencedora da Volta a Portugal e a mais forte”.
O bougadense assegura que o facto de terem estado “ligados ao ciclismo há vários anos” e de terem sido “ciclistas profissionais” deu-lhes “alguma sensibilidade nas questões de compreender aquilo que o atleta necessita”. Como exemplo apontou “os calções” que têm que ser uma peça “confortável e de ter uma boa proteção”, uma vez que “está muitas horas em contacto com o selim da bicicleta”. A escolha de “tecidos mais frescos” também é fundamental, uma vez que “em agosto estão 30º e muitos graus” e quando a “época começa em fevereiro estão 10º graus”.
Os responsáveis acompanham as partidas e chegadas da Volta a Portugal, levando consigo “sempre à volta de 150 a 200 camisolas”. Como “não sabem quem são os atletas que vão vestir as camisolas no final de cada etapa”, têm de reserva “sensivelmente 11 camisolas dos tamanhos XS, M e L”, sendo que “dificilmente algum atleta gaste o L ou até o M, porque nesta altura estão muito magros”. A final da etapa é a de “mais stress”, porque “após os atletas cortarem a meta, o colégio do comissário informa-os automaticamente quem são os respetivos líderes” e, até à cerimónia protocolar, têm “cerca de cinco minutos, dependendo do tempo televisivo, para fazer a estampagem imediata do nome da equipa”. “Não sabemos que equipa ganha, mas temos que ter tudo preparado para que quando o colégio de comissários nos informar dos respetivos líderes fazermos a estampagem no momento para estar tudo pronto para a cerimónia protocolar”, salientou.
Afonso recordou uma situação que ocorreu, este ano, durante a Volta a Portugal, quando “a um minuto da cerimónia protocolar tiveram que retificar” a camisola do líder da juventude, uma vez que o colégio de comissários tinha-os informado de que era “um ciclista italiano”, mas ao “confirmar pelas câmaras constaram que afinal não foi esse atleta” que ganhou. “A camisola já estava pronta para a cerimónia protocolar, mas tivemos que fazer tudo de novo outra vez. Deu para emendar”, recordou.