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Foi com um jogo impróprio para cardíacos que o Trofense conseguiu pela primeira vez subir ao segundo escalão mais importante do futebol profissional português

Entrando dentro de campo com a conquista do primeiro jogo do play-off, ao Trofense bastava o empate para decidir a eliminatória e ascender ao segundo melhor escalão de futebol português. Contudo o Lousada não vinha com intenções de se levar por vencido e com isso aliava-se a força adeptos, que numa das telas de apoio à equipa, deixavam claro que eram “fiéis de mais para desistir”.

A nota positiva nos primeiros minutos de jogo eram atribuídos ao Lousada que entraram mais ousados e decididos a ganhar a partida. Mas foi o Trofense o primeiro a dar o primeiro aviso aos seis minutos, com um remate do avançado Chico. O Lousada também criou perigo, na sequência de um mau atraso de Major, e que Bertinho não aproveita da melhor maneira. Ainda aos dezassete minutos, depois de uma boa jogada individual de Costa, a cruzamento não tem a finalização desejada, já que Major não conseguiu intersectar o esférico, quando se encontrava numa posição privilegiada para marcar. A partir daí o Trofense, acusando em demasiado a responsabilidade, começou a falhar muitos passes e a consentir a subida dos jogadores adversários para o seu meio-campo.

Beneficiando do nervosismo trofense, a equipa forasteira consegue mesmo chegar ao golo inaugural, por intermédio de Riça, depois de uma boa jogada de Ginho pelo flanco esquerdo do seu ataque. O cruzamento sai bem e a finalização do número vinte e um do Lousada é perfeita, não dando hipótese a Vítor. Mesmo com um resultado positivo de 0-1, o Lousada precisava de uma vitória com dois golos de vantagem, pelo que este resultado apenas levava o jogo a prolongamento.

Depois do descanso os mesmos vinte e dois jogadores que entraram na primeira parte e a mesma atitude. O Lousada com um jogo aberto e distribuído pelos flancos era mais forte, mas sem criar grande perigo junto da baliza de Vítor.

Aos sessenta e três minutos a equipa que dominava ficou reduzida a dez unidades, devido à expulsão de Pina, que numa queda supostamente teria tocado a bola com a mão. A contestação do banco do Lousada foi imediata, que alegou que Pina tocou a bola com o peito e que mesmo assim “caiu involuntariamente”.

Quando faltavam vinte e cinco minutos para o fim da partida Chico destacou-se novamente num “vistoso” remate que quase dava o golo do empate. Até ao final dos noventa minutos regulamentares apenas digno de registo a expulsão de Chico, que saindo completamente desolado, colocava as equipas novamente em igual número de jogadores.

O prolongamento começou praticamente com um lance que poderia ter acabado com o jogo mais cedo. Ao terceiro minuto, aproveitando um mau atraso de um jogador do Lousada, Reguila surge isolado frente a Orlando e, no meio de algumas fintas rematou, mas mesmo sobre a linha de golo surgiu Nuno Correia e cortou para canto. O medo de arriscar fez com que o prolongamento não alterasse o marcador. Seguiam-se então as grandes penalidades…

Empatados na série de cinco, a morte súbita parecia não ter fim. Tomás permitiu a já segunda grande penalidade defendida por Vítor e estava nos pés de Maia resolver a partida. Mas o jogador trofense não conseguiu converter da melhor maneira e permitiu também a defesa do guarda-redes adversário. Quando já se caminhava para a marcação do décimo nono “penalty”, Orlando, talvez acusando a sua grande responsabilidade, permitiu a defesa de Vítor, que se encarregou de terminar com o jogo (que levava já três horas de duração), marcando assim o “penalty” da vitória (8-7). A euforia fez-se sentir por todo estádio, que registou uma das maiores assistências de sempre, com cerca de cinco mil adeptos.

Um treinador satisfeito, outro nem tanto…

No final da partida Daniel Ramos estava radiante com a conquista da sua equipa: “é o fruto mais agradável de um árduo trabalho. Acreditei sempre que podíamos chegar onde chegamos, porque, apesar de algumas adversidades, soubemos sempre gerir a situação”. O treinador trofense confessou ainda que este “foi o jogo mais emotivo” da sua vida.

Por seu lado Jorge Amaral, desolado afirmou ao NT que o jogo “foi equilibrado” e acusou o juiz da partida Arnaldo Araújo de “ter inclinado o campo”, deixando claro que o Trofense “nada tem a ver com esse facto”. O trio de arbitragem foi alvo de uma outra crítica, referente à expulsão de Pina: “As pessoas que estão a arbitrar são uma vergonha. Expulsam um jogador meu porque parou a bola com o peito”.

O treinador referiu ainda a tristeza vivida na equipa, “mas a lotaria das grandes penalidades decidiu e a vida é assim”. “Mesmo tristes saímos tranquilos, porque tudo fizemos para dignificar o clube”, concluiu.

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Jogo: Estádio Clube Desportivo Trofense

C.D. Trofense: Vítor, Maia, Alex, Michel, Marcos, Costa, Américo (Mateus 99’), Chico, Paulinho (Zé Miguel 110’), Major (Kika 70’) e Reguila

Treinador: Daniel Ramos

A.D. Lousada: Orlando, Nuno Correia, Peu, Pina, Ginho (Tomás 66’), Pedro Dimas, Canas, Riça (Lourenço 84’), Paulo Gomes, Bertinho (Balde 90’) e Miguel

Treinador: Jorge Amaral

Árbitro: Arnaldo Araújo, auxiliado por José Vicente e Sérgio Correia

Cartões Amarelos: Maia, Chico, do Trofense; Pina, Bertinho, Peu, Paulo Gomes, Tomás e Orlando, do Lousada

Cartões Vermelhos: Pina e Chico, por acumulação de amarelos

Marcadores: Riça (33)

Resultado ao intervalo: 0-1

Resultado final: 0-1*

* 8-7, após grandes penalidades