Apresentação da plataforma digital e a assinatura de protocolos entre a Câmara Municipal da Trofa e quatro instituições de solidariedade marcam o pontapé de saída do projeto “inovador” Trofa Solidária.

Já imaginou uma plataforma digital, onde pode consultar os pedidos de ajudas de famílias e as carências das instituições de solidariedade social de forma a poder ajudá-las com donativos ou trabalho voluntário? A partir de segunda-feira, 2 de setembro, esta plataforma é uma realidade para o concelho da Trofa.

A Câmara Municipal, a Muro de Abrigo, ASAS (Associação de Solidariedade e Ação Social de Santo Tirso), a delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa e a Santa Casa da Misericórdia da Trofa assinaram um protocolo para o início de um projeto “inovador” no País. Trofa Solidária, nome atribuído ao projeto, é uma “base digital” que permite que todos os parceiros trabalhem em “uníssono”, evitando assim que haja “duplicações de auxílios”. Através desta plataforma, a comunidade vai ficar a saber o que existe em cada instituição e o que esta necessita para continuar a desenvolver a sua missão, bem como consultar apelos de famílias para determinada ajuda que necessita. Além disso, haverá uma parte destinada aos munícipes, onde estes podem contribuir com qualquer bem, quer seja alimentar, roupa e calçado, livros, entre outros. “No fundo trata-se de todos porem em comum aquilo que têm, de nós sabermos em termos imediatos e online aquilo que cada um tem e poder distribuí-los por quem deles necessitem da melhor maneira, com os técnicos a trabalhar as situações e a verificarem as necessidades que existem”, explicou Magalhães Moreira, vice-presidente e vereador do Pelouro da Ação Social da Câmara Municipal Trofa.

Para Magalhães Moreira, a plataforma vai pôr “todas as Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS) do concelho e todos os trofenses que queiram colaborar na área social a fazê-lo de uma maneira transparente, clara e que permita saber a quem estão a dar” as dádivas.

Antes do arranque do projeto houve um “trabalho prévio”, onde foram abordadas “todas as comissões sociais de freguesia, todas as conferências vicentinas, todas as IPSS, Lions Clube e Rotary Club da Trofa, que, apesar de terem “gostado do projeto”, não quiseram aderir por “não ser a melhor altura”. No futuro, o vice-presidente espera que o projeto seja alargado a “todas as instituições”.

Magalhães Moreira denotou que o projeto é “inovador” em “muitos aspetos” e, os “mais importantes” são a “transparência” e a “possibilidade de qualquer pessoa, mesmo individualmente, poder interferir e ajudar”. A privacidade das pessoas está “ressalvada”, uma vez que o acesso à informação +e “livre até determinado ponto”. Devido às várias ferramentas desta plataforma, Magalhães Moreira está convicto de que “seja quem for que ganhe as eleições tem a melhor ferramenta que existe no País para fazer solidariedade a sério num concelho”. “Se conseguirmos pormos todas as instituições e a generalidade da população da Trofa a ir a esta plataforma e a trabalhar com ela, acho que será minorada e a única maneira de resolver os problemas sociais que existem neste momento e que cada vez tendem a agudizar-se no nosso concelho. Porque a Câmara e o Governo por si só não conseguem dar vazão aos pedidos que lhes são feitos e às carências que existem. Tem que ser a sociedade civil assim unida, de uma forma clara em que todos possam ver o que é posto à disposição e como é dado”, concluiu.

Para Helena Oliveira, presidente da ASAS, este projeto tem “grande importância”, pois as instituições estão “todas interligadas com os próprios cidadãos”, sendo possível verificar “àquilo que podemos fazer uns pelos outros: os que têm para dar e os que necessitam de receber”. “Nós, por exemplo, temos um projeto na área da toxicodependência, de ex-toxicodependentes. Será bom, por exemplo, a nível de reinserção social, que estejamos em contacto com os munícipes e que tenham visibilidade do projeto, vejam que essas pessoas podem vir a ser úteis em qualquer campo”, referiu.

Já Fátima Silva, presidente da Muro de Abrigo, contou que a ideia principal do projeto “já está a funcionar um bocadinho” em parceria com a Loja Social, onde também são parceiros, mas “sem esta solidez que se está a dar” agora com a criação deste projeto e a assinatura de protocolos. Fátima Silva contou que neste momento a associação está a “comprar alimentos para poder distribuir”, uma vez que os “pedidos são muitos e as necessidades cada vez vão aumentando mais” e a Muro de Abrigo não tem essa capacidade. “Se calhar se tivermos isto online, as pessoas percebem que é preciso arroz, massa ou uma botija de gás e mandam, sabendo para quem é que estão a dar as coisas”, exemplificou.