O presidente da Trofa abandonou hoje a reunião do Conselho Metropolitano do Porto depois de uma troca de acusações com o presidente daquele órgão, que disse que o incidente não põe em causa o memorando sobre as linhas intermunicipais.

O episódio aconteceu durante a discussão do ponto três da ordem de trabalhos da reunião desta manhã, que fixou, no dia 2 de dezembro, a realização em simultâneo das 17 assembleias municipais para aprovação do novo elemento da Comissão Executiva Metropolitana que vai substituir Cláudia Vieira que assume um cargo de vereação na Câmara de Gondomar.

Os municípios da Trofa e Santo Tirso pretendiam que a próxima reunião do Conselho Metropolitano do Porto (CmP), marcada para 06 de dezembro, fosse alterada para data anterior, para permitir que o memorando de entendimento sobre as linhas intermunicipais que atravessam os dois concelhos e ainda o município de Famalicão fosse incluído na ordem de trabalhos da assembleia municipal de 02 de dezembro.

Os três municípios pretendem constituir-se como Associação de Municípios, no caso, a MobiAve, cuja criação está dependente de um entendimento com a AMP que, como autoridade de transporte, gere a rede.

A constituição da associação já teve luz verde da Comunidade Intermunicipal do Ave (CIM do Ave), que em matéria de autoridade de transportes gere o concelho de Famalicão, faltando uma decisão da AMP, relativamente aos municípios de Santo Tirso e Trofa.

Para o presidente do CmP, Eduardo Vítor Rodrigues, a importância do tema justificava que os dois municípios fizessem “um sacrifício” e convocassem uma assembleia extraordinária para o efeito.

Perante esta declaração o presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Humberto, começou por dizer que esta é uma matéria que já devia ter sido agendada anteriormente pelo que a Trofa não estaria disponível para realizar a assembleia municipal de 02 de dezembro, inviabilizando assim a tomada de posse do novo elemento da Comissão Executiva.

A troca de acusações entre os dois autarcascomeçou pouco depois com Sérgio Humberto a acusar Eduardo Vítor Rodrigues de faltar à verdade em relação a este processo que, no seu entender, “é tão simples”.

O autarca da Trofa voltou a dizer que este é um problema de dois municípios da ÁreaMetropolitana do Porto, que têm de ser tratados de forma igual aos outros municípios.

O presidente do CmP explicou que desde há três semanas está a trabalhar ativamente na resolução do problema destes dois municípios, “mais um [Famalicão] que não faz parte da AMP.

“Tenho muito empenho em resolver um problema da Trofa e Santo Tirso, e esse compromisso está plasmado no compromisso de trazer aqui este memorando até 29 de novembro”, disse, acrescentando, contudo, que o CmP não tem de alterar o seu calendário por causa de dois concelhos.

Na resposta, Sérgio Humberto criticou “o nível de agressividade” de Eduardo Vítor Rodrigues e acabou por abandonar a sala quando o presidente do CmP lhe retirou a palavra.

Após a saída do presidente da Trofa, o autarca de Gaia explicou que o processo em causa é bastante complexo, sublinhando que não é com “radicalizações” que se os problemas se resolvem.

“Estamos a tentar agilizar em três semanas, depois de uma reunião que não correu propriamente bem, um problema de dois municípios que tem mais de dois anos. Eu não sou o ‘Teddy Rapidinho'”, disse, pedindo para e serenidade para terminar este processo.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião, Eduardo Vítor Rodrigues deixou claro que este incidente não coloca em causa o diálogo institucional, nem o memorando de entendimento que está a ser preparado.

Em causa está apenas uma questão de “legitimação” formal da vontade política, explicou, salientando que esta decisão abre a porta a que no “futuro” o município de Famalicão integre o sistema intermodalAndante.

Já o presidente da Câmara de Santo Tirso, onde se realizou a reunião de hoje, disse que mantém a confiança na resolução deste impasse, desvalorizando a polémica em torno das datas.

Na reunião de 27 de setembro, o presidente da Câmara da Trofa acusou a Comissão Executiva da Área Metropolitana do Porto (AMP) de agir de má-fé, considerando que a mesma tem defendido apenas os interesses de um ou dois municípios.

Em causa o entendimento daquela comissão sobre as linhas intermunicipais que atravessam os concelhos da Trofa e de Santo Tirso e que os dois municípios em conjunto com a autarquia de Famalicão querem passar a gerir.