Como prometido, na minha última crónica, cá estou eu para falar de hortas. O sol e os céus azuis voltaram, a primavera está a chegar, é época de sementeiras, preparar o solo… É hora de meter as mãos na terra.

2014 foi declarado – pelas Nações Unidas – o Ano Internacional da Agricultura Familiar. O lema é algo como “Alimentar o mundo, cuidar do planeta”.

Desde que, há 4 anos, despertei para o mundo da agricultura (por assim dizer), tenho assistido a um aumento crescente de pessoas interessadas em voltar à terra, umas, literalmente, mudando-se da cidade para o campo, outras redescobrindo espaços para transformar em hortas, aproveitando todos os cantinhos (terraços, varandas, parapeitos) para fazerem despontar as suas verduras. Têm aumentado os cursos e workshops relacionados com as hortas, há mais livros cheios de legumes nas livrarias, na internet abundam os sites, blogues e grupos de hortelãos e “hortelãs”, há feirinhas de trocas de sementes. Enfim, não falta onde encontrar ajuda para iniciar o seu canteiro!

Como já referi anteriormente, sou uma novata nestas andanças. Se são agricultores curtidos pela experiência ou mesmo hortelãos há meia dúzia de anos, o que vou dizer a seguir não vos interessa, por certo. Se nunca semearam ou plantaram nada na vossa vida, espero que as minhas palavras vos entusiasmem a fazê-lo agora.

Quero começar por vos dizer que não é complicado (pode parecer mas não é). E que no início cometemos alguns erros. Mas, regra geral, não são fatais… Podemos ter alfaces mais pequenas porque não sabíamos que as tínhamos de mondar ou pode demorar mais tempo a termos morangos porque pensávamos que era só atirar as sementes à terra. E claro que algumas sementes nunca nascerem também pode acontecer. Mesmo que tenhamos colocado todo o nosso carinho no processo.

Com a experiência, vem a sabedoria. E também vamos percebendo que usar os meios que temos (como falei atrás) para pedir ajuda e opiniões de outros entusiastas é um recurso inestimável. Às vezes, até descobrimos que temos um vizinho que nos pode ensinar muito!

Escolher o local onde vamos iniciar a nossa horta também é importante. Seja um pedaço de terra ou uma varanda, convém analisar que tipo de exposição solar tem (convém “apanhar” sol durante 5 a 6 horas por dia), se está protegido do vento ou, caso tal não aconteça, se é possível instalar protecção (rede, cerca). Deve também observar o tipo de solo que tem ou escolher que recipientes vai usar. E se descobrir que as condições não são as ideais, não desanime! Há sempre soluções para resolver ou contornar possíveis percalços.

Só para terminar (por hoje), nada disto faz sentido – quanto a mim – se encher a sua terra e os seus alimentos de químicos nocivos. Por isso, se puder, escolha sementes ou plantas biológicas, use adubos naturais (composto, por exemplo, de que já falamos por aqui), procure informação sobre agricultura biológica e permacultura para, entre outras coisas, também saber combater de forma natural possíveis pragas.

E comece por algo simples, como semear salsa, coentros, manjericão e outras ervas aromáticos que aprecie. E alfaces. E rúcula. E…

 

ema magalhães  |  APVC 

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