A arte vai ganhar nova dimensão na Trofa, com a criação da Companhia de Teatro da Trofa e a realização de um festival itinerante.

As siglas C.T.T. e F.I.A.T. dizem-lhe alguma coisa? Se pensou numa empresa de distribuição e numa marca de carros… não está correcto. A Companhia de Teatro da Trofa (C.T.T.) ainda está a dar os primeiros passos, mas promete levar a cultura a todas as freguesias do concelho da Trofa através do Festival Itinerante de Arte da Trofa (F.I.A.T.).

A ideia de criar a C.T.T. surgiu na sequência do “projecto cultural maior” que é o F.I.A.T., que pretende ser “um festival de características itinerantes e que durará oito semanas, uma em cada freguesia do concelho, levando uma exposição e curso de fotografia, um ciclo de cinema e uma encenação teatral”, explicou Helena Pereira, representante da empresa Intelectus d’Ouro, mentora do projecto e que apresentou a ideia à autarquia trofense.

O projecto envolve as áreas da cultura, educação e ambiente e António Sousa, responsável da Animação Cultural da Casa da Cultura da Trofa, garantiu que “estes departamentos acharam interessante e que seria uma aposta para a Trofa, na medida em que mobiliza as pessoas e as envolve em torno de um tema que é muito importante”.

“A matéria do festival será sempre escolhida dentro daquilo que é a discussão internacional de referência. Este é o Ano Internacional da Floresta, pelo que o ambiente estará em destaque. “Temos um espaço interessante que é o Parque Nossa Senhora das Dores, que vai ser remodelado e onde a árvore é um valor fundamental, de alguma forma, deve ser preservada ou deslocada e depois recuperada com replantação ou reflorestação. No sentido em que a árvore é um valor único, achámos que seria de abraçar a ideia”, esclareceu António Sousa. A intenção é “aliar a arte a uma causa”.

A peça de encerramento do F.I.A.T. deverá ser uma adaptação da obra de Sophia de Mello Breyner, “A Floresta”. Uma das missões da C.T.T. também é “trabalhar peças que sejam de autores abordados no Plano Curricular do ensino público português”, para que “tenham viabilidade no serviço educativo que a autarquia pode prestar à escola”. Para além disso, esta escolha é também uma homenagem à escritora e poetiza, que faleceu em 2004.

Outra das novidades é que um dos poucos requisitos para entrar na C.C.T. é residir, trabalhar ou estudar na Trofa. Os interessados devem ter mais de 16 anos e “vontade de aprender”, porque a peça de teatro vai ser trabalhada num Curso de Iniciação à Expressão Dramática, com a duração de cem horas. “Entendemos que as pessoas devem trabalhar por um objectivo. O intuito dos projectos passa sempre por envolver os cidadãos da Trofa, mostrar-lhes que é possível fazer algo em contexto local e envolvendo-os nas iniciativas”, atestou Helena Pereira.

“A descentralização tem sido política deste executivo”, confirmou António Sousa, acrescentando que o problema continua a ser a cativação de público”.

As audições vão decorrer nos dias 16 e 17 de Fevereiro, a partir das 18.30 horas, na Casa da Cultura da Trofa e existem 20 lugares para serem preenchidos. No primeiro dia, a audição consiste numa entrevista individual. Os candidatos vão ainda receber um texto que devem trabalhar e interpretar no dia seguinte. Os interessados em participar podem contactar a Intelectus d’Ouro (intelectusdouro@gmail.com), a C.T.T. (companhiateatrodatrofa@gmail.com ou no Facebook) ou a Casa da Cultura (252 400 090 ou cct@mun-trofa.pt).