tatuagem

As tatuagens já foram símbolos exclusivos de tribos urbanas, mas os clientes que hoje recorrem a dois estúdios de Lisboa deixaram de ter um perfil definido: são pessoas de todas as idades e estilos.

Dois tatuadores profissionais disseram hoje à Lusa que a tatuagem é, actualmente, uma tendência claramente difundida e que cada vez mais pessoas, de todas as faixas etárias e estratos sociais, optam por fazer uma ou mais.

Filipe Cardoso, tatuador no ‘El Diablo Tattos’, em Lisboa, diz que chegam ao seu estúdio, no Chiado, todo o tipo de clientes e de todas as faixas etárias, sem excepção.

Relativamente às tendências, refere que os motivos japoneses e tribais estão muito na moda e são muito procurados, mas adianta também que os símbolos religiosos também têm muita procura.

O tatuador diz que ainda há muitos jovens que fazem tatuagens por uma questão de afirmação, como chegou à conclusão o sociólogo Vítor Sérgio Ferreira, na sua obra intitulada “Marcas que demarcam: Tatuagem, ‘body piercing’ e culturas juvenis”, hoje apresentada na Universidade do Minho.

Quanto aos pais, Filipe Cardoso indica que já não há grandes problemas, como havia antigamente, porque “a tatuagem já é vista mais como uma arte”.

Já sobre jovens que fazem do seu corpo uma espécie de projecto artístico, mantendo-o quase todo tatuado, como explica o sociólogo Vítor Sérgio Ferreira, este profissional diz que ainda há poucos em Portugal, porque essa é uma tendência pouco divulgada por cá.

Apesar de esta não ser a época mais indicada para o negócio, devido à crise geral, no seu estúdio são feitas tatuagens regularmente, “apesar de se fazerem menos do que há uma década atrás, por exemplo”.

Já no estúdio ‘La Diabla’, também em Lisboa, a opinião do profissional Henrique Resende não difere muito.

Não é tatuador, porque se dedica aos ‘piercings’, mas defende que a tatuagem, hoje em dia, é um conceito já muito generalizado, ao qual qualquer pessoa adere.

“Por exemplo, já cá vieram pessoas idosas, que despertaram para um novo tipo de vida, e fizeram duas ou três tatuagens”, conta.

“Os jovens que nos visitam procuram tatuagens com conceitos mais modernos, elaborados, já não procuram coisas básicas. Querem tatttos japonesas, tribais, maiores, e isso é interessante”, refere.

Desses clientes, Henrique Resende salienta “as pessoas do culto da tatuagem”, que são aquelas que têm várias partes do corpo tatuadas, com ideias próprias, que sabem avaliar um bom trabalho.

Quanto aos pais que visitam o estúdio, revela que ainda há muitos jovens, com 18 e 19 anos, que dizem que, em casa, vão ter de esconder as tatuagens.

Todavia, essa é uma minoria, porque os próprios pais já gostam destas coisas e já aceitam melhor, garante.

“Em Espanha, por exemplo, há pessoas com 60 e 70 anos que adoram tatuagens e piercings e que adoram ver os filhos e os netos assim”, conta.

“E em Portugal, apesar de alguns entraves, caminha-se nesse sentido”, conclui.