Tendo sido oficialmente dado inicio à obra de construção dos Paços do Concelho da Trofa, deixando assim a população Trofense “romanticamente” agradecida ao executivo camarário, entendo ser meu dever apresentar uma voz crítica e séria às opções políticas do executivo relativamente a este dossier – evitando abordar escândalos concursais recentes.

As tomadas de decisão política, a qualquer nível do Estado – autarquias incluso – deverão ser feitas no único e máximo respeito pelos interesses das pessoas, sobre uma base de prioridades efetivas, tendo em conta os problemas existentes, os benefícios resultantes e a relação custo/benefício. Assim questiono-me:

“Será a construção do Palácio do Município a verdadeira prioridade da Trofa e dos Trofenses? – “Será esta a melhor solução para a resolução do problema da “deslocação” dos serviços municipais? e “Será o custo de quase 9 milhões de euros o preço justo a pagar pelo edifício?”
Não. Não. E Não!

A construção de um Palácio, de 9 milhões de euros, para abrigar o Sr. Presidente da Câmara e os Srs. e a Sra. Vereadora Não é hoje a prioridade da Trofa nem dos Trofenses. Num município em que tantas coisas faltam e em que mais ainda estão mal cuidadas, esta obra não poderá, jamais, ser prioritária à Reabilitação Urbana generalizada de um município e em especial, de uma cidade tão degradada quanto está a Trofa.

Sendo um Trofense apartidário, tomo a liberdade de assumir que outros partidos, em tempos, apresentaram soluções bem mais interessantes, flexíveis e inteligentes do que a atual. Seria preferível uma boa solução provisória a uma má solução definitiva – ou talvez não tão definitiva assim.

Quase 9 milhões de euros é o custo previsto para a obra – um valor m² praticado em habitações de luxo em Portugal – é um valor evidentemente exagerado. “Materiais nobres”, disse Sérgio Humberto, lembrando as torneiras banhadas a ouro de histórias de outrora.

“Deve o município da Trofa ter um espaço digno onde se concentram os serviços municipais? Claro que Sim! – Deve este espaço ter uma localização ad hoc (mesmo que piores já tenham sido apresentadas) e ter o custo de um hotel de luxo? – 9 Milhões de euros. É claro que Não!”

Devemos evitar o desperdício – fantasmas de despesismo Social-democrata, a ser pago por todos nós, voltam a levantar-se. Entendo que devamos impedir que investimentos mais importantes não sejam feitos por resultado desta sangria financeira imposta aos Trofenses.

Resta-nos entender, resta-nos projetar, resta-nos semear uma verdadeira cultura política e democrática – inclusive nos nossos políticos – para que erros tão primários quanto este não sejam mais permitidos por nós cidadãos. Resta-nos entender que, qualquer má decisão cometida contra o Município da Trofa afetará negativamente a vida de cada Trofense, pelas oportunidades perdidas causadas por uma má decisão política. Agora, quem quiser, perceberá que nem sempre tudo é tão “romântico” quanto parece.

Rui Miguel Silva