Este domingo há entrada livre no Trofense-Felgueiras. Uma ação da direção que tenta aproximar a população do clube. Em entrevista ao NT, o presidente do clube, Franco Couto, desabafou que ainda sente a comunidade afastada, apesar de a equipa estar em boa posição para subir à 2.ª Liga.

“Estou em 1.º lugar, mas sinto-me friamente só”. O desabafo foi feito por Franco Couto, presidente do Clube Desportivo Trofense, dias depois de a equipa sénior ter chegado ao topo da tabela classificativa da série A do Campeonato de Portugal.
O presidente do emblema da Trofa sente que o concelho ainda está de costas voltadas para a coletividade e não entende a postura da população, uma vez que este vive uma nova realidade. “Na época passada, com os problemas que ainda tínhamos para resolver, ainda compreendia, mas esta época é difícil perceber, porque estamos em primeiro. É certo que ainda não ganhamos nada e temos de respeitar os adversários que ainda temos pela frente, mas acredito que o trabalho que estamos a desenvolver merece ser reconhecido”, asseverou o dirigente.
Franco Couto exemplifica com os contactos que recebeu logo após a vitória em Mirandela, que levou a equipa ao 1.º lugar. “Recebi mais telefonemas de Lisboa do que da Trofa”, lamentou, acrescentando que foi felicitado por “presidentes de clubes de 1.ª Liga” e até do vizinho Futebol Clube Famalicão.
O presidente do Trofense sente as entidades oficiais do concelho afastadas do clube, sublinhando a ausência da Câmara Municipal, que para o dirigente é o espelho do adormecimento da comunidade perante o que se está a passar no panorama futebolístico local. “A Trofa precisa despertar e inspirar-se em grandes homens e empresas que fizeram esta terra crescer, como o comendador J. Serra, o engenheiro Fernandes da Frezite, o senhor Agostinho da Saner, o senhor Pinheiro das Máquinas Pinheiro, a MIDA, o Rui Azevedo da OFA ou o senhor Jaime da Trifitrofa, que foi dos que mais ajudou o clube e o senhor Eurico Ferreira e a sua empresa, a quem tenho de agradecer pelo facto de me terem deixado trabalhar, desistindo de contestar a dívida que o clube lhes tem. Estas pessoas não podem ser esquecidas”, sublinhou.
E no lote dos exemplos, Franco Couto não esquece de mencionar o presidente da mesa da assembleia do clube, Paulo Renato Reis, a quem agradece todo o apoio dado no projeto desportivo. “É um grande homem, um grande empresário e um grande trofense. Digo já que se ele aceitasse tomar conta do clube, eu saía já”, atirou.
Na tentativa de aproximar a população do clube, a direção do Trofense decidiu não cobrar bilheteira no próximo jogo em casa, no domingo, 27 de janeiro, diante do Felgueiras. “Queremos que os trofenses sintam, de novo, o clube. Eu preciso de sentir o apoio da comunidade. Conseguimos tirar o clube da falência, mas se eu não conseguir ver as pessoas unidas a este clube, não terei forças para continuar a trabalhar neste projeto. Só seremos bem-sucedidos se tivermos a Trofa do nosso lado”, frisou.