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Sim, você está mais pobre. E a culpa é da extrema-direita

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Os preços dos combustíveis voltaram a subir na Segunda-feira. E continuarão a subir, ao longo das próximas semanas. Os combustíveis, a conta do supermercado, o preço das matérias-primas e o valor da prestação da casa. Porque quando a energia sobe, tudo sobe com ela.

Não há como contrariar esta subida, enquanto o Estreito de Ormuz estiver fechado. Coisa diferente seria minimizar o impacto da subida. Infelizmente, estamos presos numa tenaz de incompetência e ganância: incompetência do governo, que pouco ou nada faz para nos proteger da subida dos preços, como fizeram, por exemplo, os perigosos “socialistas” espanhóis. Ganância das gasolineiras, com a Galp à cabeça, que decidiu impor-nos o preço do barril de Brent comprado a 110 dólares, apesar de nos estar a vender gasolina comprada quando o preço ainda estava abaixo dos 60 dólares.

Incompetências e ganâncias à parte, não foram as acções de Luís Montenegro ou da família Amorim que deram origem à crise económica mundial que se avoluma, e que não começou com este choque petrolífero. Começou com as tarifas impostas pela administração mais corrupta da história recente dos EUA.

Sim, você está mais pobre. Não apenas pela subida generalizada dos preços, enquanto o seu salário se mantém igual, mas também pela transferência de recursos públicos do Estado Social para as compras de armamento impostas por Washington, pela incerteza e instabilidade nos mercados, causada pelo comportamento errático de Trump e pela guerra que decidiu iniciar no Médio Oriente, ou pela factura das tarifas que acaba reflectida nos preços e na destruição que causam na economia.

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Todas estas políticas e consequências têm um denominador comum: são o resultado das decisões objectivas de um governo de extrema-direita. Governo esse que é apoiado, bem como as suas medidas, por radicais e extremistas de direita europeus, como André Ventura.
A guerra em curso no Irão, em particular, agravou e acelerou a degradação das condições de vida dos cidadãos comuns que não residem em Mar-a-Lago ou em condomínios fechados de luxo no Parque das Nações, como é o caso de Ventura. E como não existe um plano, e o regime iraniano continua a resistir, é provável que a pobreza, a miséria e a destruição económica continuem em rápida expansão. Bastou um mês para ficarmos todos mais pobres.

Chegados aqui, importa fazer uma ressalva: o regime iraniano é execrável e cá estarei para abrir uma boa garrafa de vinho e celebrar o seu fim, no dia em que cair. Mas se a ideia fosse derrubar ditaduras, não seria o Irão a disparar mísseis contra as monarquias absolutas do Golfo. Seriam os EUA.

A verdade é que Trump se está absolutamente nas tintas para direitos humanos ou democracia, como estão todas as forças de extrema-direita. Interessa-lhe controlar os recursos energéticos iranianos, reforçar a posição de Israel no Médio Oriente e colocar um governo-fantoche em Teerão. A populaça, onde se inclui o caro leitor e este que lhe escreve, são absolutamente irrelevantes para Donald Trump e respectiva corte de populistas, corruptos, pedófilos e fascistas. Eles estão nisto para fazer dinheiro. Nós estamos nisto para ser carne para canhão. De maneira que se ficamos mais pobres, sem dinheiro para comer ou garantir um tecto sobre as nossas cabeças, eles não querem nem saber.

Mas, convenhamos, não há nenhuma surpresa aqui. Nunca uma governação de extrema-direita produziu outra coisa que não fosse pobreza, miséria, censura, corrupção, guerra e morte. Foi assim com Salazar, Franco, Mussolini ou Hitler. É assim com Putin e Trump. E mesmo que mude ligeiramente o cheiro, a merda será sempre a mesma. E você ficará cada vez mais pobre. Ao menos sabe a quem agradecer.

Artigo de opinião de João Mendes

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