Um património ancestral que até há 40 anos servia para muitos irem “buscar a preciosa farinha para fazer o pão nosso de cada dia”. Ativos até à década de 1980, época em que se assistiu a uma forte industrialização e – às vezes consequente – poluição do rio, as azenhas constituem um património que é urgente preservar. Na região do Ave, o arquiteto trofense Bruno Matos é um dos que, há vários anos, investiga sobre o “tesouro” molinológico que o rio dá aos territórios. Em entrevista ao NT, contou algumas das histórias que as azenhas ajudam a contar, lamentou que este património esteja votado ao abandono e sublinhou a importância de as comunidades adotarem “boas práticas de reabilitação”, para não o descaracterizarem.

O Notícias da Trofa (NT): Dos trabalhos já realizados sobre o património existente nas margens do rio Ave, quais destaca?
Bruno Matos (BM):
Relativamente ao património molinológico que é o meu objeto de estudo, existem alguns trabalhos na área da historiografia sobre as Azenhas do Ave. No entanto, encontram-se dispersos em boletins culturais, pequenas publicações, fotografias, etc. Segundo o estudo que realizamos, os primeiros trabalhos sobre as Azenhas do Ave aparecem na viragem do século XIX / XX, sendo curiosamente a primeira uma curta-metragem de Aurélio da Paz dos Reis datada de 1896, com o título “As Azenhas do rio Ave”. Fotógrafos pioneiros, como por exemplo Marques Abreu ou Emílio Biel, realizaram diversas fotografias sobre as Azenhas do Ave nas décadas de 1900 e 1920. Mais tarde, em meados do século XX, investigadores consagrados da Universidade do Porto, como Jorge Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira, realizaram o primeiro estudo científico sobre azenhas e moinhos em Portugal, onde estão incluídas as Azenhas do Ave pelas suas especificidades e características únicas.

Na segunda metade do século XX, autores da terra, como António Cruz, José Pereira da Silva e Napoleão de Sousa Marques, entre outros, tocam no assunto assinalando a importância histórica e patrimonial das Azenhas do Ave em congressos e publicações locais.

Já no século XXI, a ADAPTA publica um inédito levantamento sobre as azenhas e moinhos existentes no município da Trofa, levado a cabo pelo ilustre José Manuel Cunha e uma vasta equipa formada por membros dessa associação.

Atualmente, existe um interesse generalizado, quer pela sociedade, quer pela comunidade académica, surgindo frequentemente teses de mestrado que se debruçam sobre o tema. Inclusive, no presente ano letivo, o rio Ave e o seu património são objeto de estudo na unidade curricular “Projeto 5” do 5.º Ano do Miarq no curso da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e da unidade curricular “Atelier 1A-Paisagem” do 4.º Ano do Miarq do curso de Arquitetura da Universidade do Minho, encontrando-se ambas as faculdades a estudar soluções de valorização territorial das margens do Ave.

É evidente uma preocupação sobre o futuro deste património e a necessidade de o preservar, salvaguardar e valorizar.

“Este património molinológico caminha para o desaparecimento, encontrando-se maioritariamente em ruínas. É claro que existe um leque de ações que poderiam ser implementadas para preservar, salvaguardar e valorizar as Azenhas do Ave.”

NT: Concretamente na Trofa, há alguns trabalhos efetuados, mas há a sensação de que este património, apesar da importância comprovada por esses escritos e da criação dos passadiços em Bougado, está um pouco votada ao abandono. O que seria importante fazer para preservar e enriquecer este património, aproximando-o da comunidade?
BM:
Infelizmente o abandono é um facto. Eu diria mesmo que este património molinológico caminha para o desaparecimento, encontrando-se maioritariamente em ruínas. É claro que existe um leque de ações que poderiam ser implementadas para preservar, salvaguardar e valorizar as Azenhas do Ave. É nesse sentido que a investigação em curso no CEAU-FAUP caminha. Mas já lá vamos.

No município da Trofa, das nove Azenhas existentes no rio Ave, uma desapareceu por completo (Azenha da Esprela); quatro encontram-se em ruínas (Azenha do Arnado -em vias de desaparecer -, Azenha do Cêrro, Azenha de Sam e Azenha da Barca); e quatro sofreram transformações (Azenha do Bicho, Azenha da Maganha, Azenha de Bairros e Azenha de Real).

Apesar deste facto, está mais que comprovado que as Azenhas do Ave representam um património com elevado valor cultural, histórico, arquitetónico e paisagístico. Como vimos anteriormente, isto tem vindo a ser sublinhado ao longo de um século pela comunidade científica, em diversas áreas da História, à Arqueologia, Antropologia, Etnografia, etc. Atualmente estamos num ponto crítico… porque se não atuarmos iremos perder para sempre este legado das margens do rio Ave, existente desde o reinado de D. Dinis (1295) e que faz parte da memória coletiva dos Trofenses. É fundamental a comunidade reivindicar a salvaguarda da identidade, das tradições e das suas memórias – é o que nos distingue enquanto povo, não existem Azenhas do Ave em mais nenhuma parte do planeta, ou seja, pelas suas especificidades tornam-se únicas. Deste modo, representam um fator de diferenciação com um valor incalculável.

Por outro lado, existe um manifesto interesse e envolvimento da população quando se organizam atividades de sensibilização sobre as Azenhas. Recordo-me de um percurso pelas Azenhas do Ave que realizamos na Trofa, com o apoio da Casa da Cultura, no dia Nacional dos Moinhos, que mobilizou aproximadamente uma centena de pessoas. Há um especial interesse em conhecer as histórias que as Azenhas guardam, as suas funcionalidades e a importância que tiveram na região. Subsiste um vínculo na memória dos mais idosos, e um fascínio pela descoberta nos mais jovens, quando visitam uma azenha em atividade com os seus mecanismos tradicionais em funcionamento. Observar uma roda em movimento a acionar um engenho tradicional torna-se inesquecível.

A singularidade deste património formado pelas azenhas, açudes, casa do moleiro, armazéns de farinha, caminhos primitivos, praias fluviais, pela sua fauna, pela sua flora, etc. pode representar um fator de atratividade turística, cultural e ambiental promovendo e dinamizando a região, os produtos locais, a farinha artesanal, o pão tradicional, ou mesmo a inovação através da microgeração de energia aproveitando as infraestruturas hidráulicas existentes. Isto já acontece em diversos países do centro e norte da Europa nomeadamente, na Alemanha, Bélgica, Holanda, Reino Unido e França.

O que seria importante fazer? Atuar rapidamente antes que este património desapareça. Pelo valor que elas representam pensamos que seria importante reabilitar um exemplar no município para que as gerações futuras possam conhecer uma azenha em funcionamento, acionando os seus engenhos tradicionais de moagem, do linho, da lã, etc. Por outro lado, acreditamos que as azenhas ainda têm um importante papel a desempenhar no futuro, através da microgeração de energia, num período em que as energias renováveis são uma meta europeia. Esta é uma matéria que também temos em cima da mesa na investigação atual.

Para que isto seja possível e se concretize, é necessário existir um entendimento entre as partes interessadas. Sejam os seus proprietários, as associações culturais/cívicas e os municípios. Os proprietários, certamente, não pretendem que as suas azenhas sejam transformadas numa ruína, que desaparece com o tempo. As associações lutam pela preservação da cultura e das tradições e os municípios procuram novos programas de dinamização do território e valorização dos recursos locais. É evidente que o património, a cultura, as tradições, o rio Ave e a sua energia serão sempre recursos incontornáveis no presente e no futuro.

“Na Holanda, Bélgica, França, Reino Unido, Espanha, entre outros países, existem diversos exemplos de azenhas reabilitadas que se transformaram em ativos culturais, económicos e sociais”

NT: Considera que falta a “mão reguladora” de uma entidade como a ADAPTA foi em tempos?
BM:
As associações têm um papel fundamental na salvaguarda, preservação e valorização do património local. É assim em diversos casos. Por exemplo, o Castelo de Santa Maria da Feira é, hoje, um recurso cultural, económico e social incontornável. Isto resulta de uma ação de envolvimento por parte da comunidade local que se organizou formando a Comissão de Vigilância, constituída por cidadãos que, ao longo dos últimos anos, têm desempenhado um papel fundamental na preservação, salvaguarda e valorização do Castelo. Atualmente, é um importante ativo gerador de fundos, quer para a sua permanente manutenção, quer para a dinamização económica através do turismo, interno e externo, com reflexos diretos para o município e para a região.

Isto é replicável também ao património molinológico. Na Holanda, Bélgica, França, Reino Unido, Espanha, entre outros países, existem diversos exemplos de azenhas reabilitadas que se transformaram em ativos culturais, económicos e sociais. Nós visitamos muitos destes casos e constatamos isso mesmo. Casos como a Azenha de Hackforte, na Holanda, o Moinho Charlecote, no Reino Unido, a Azenha Moufet, em Itália, a Azenha Routro, na França, o Real Engenho, em Espanha, ou os Moinhos do Folón e do Picón, na Galiza, apenas para citar alguns.

As associações locais desempenham um papel essencial ao protegerem o património, impulsionando projetos para a sua reabilitação, dando vida aos espaços, cuidando dos edifícios e contribuindo para a sua manutenção. Obviamente que nada se consegue isolado, é fundamental uma conjugação de interesses e vontades entre proprietários, associações e municípios.

“A Azenha da Maganha é referenciada num Prazo do Reinado de D. Diniz (1295)”

NT: Do património existente, quais os edificados mais importantes e porquê?
BM:
Do conjunto identificado de 84 Azenhas do Ave, localizadas nos concelhos de Vila do Conde, Vila Nova de Famalicão, Trofa e Santo Tirso, todas apresentam características particulares e todas elas se revestem de valor. Este conjunto de Azenhas forma um sistema associado ao rio Ave de peculiar interesse, que devido à sua dispersão e desconhecimento, no nosso entender, não tem sido alvo do merecido reconhecimento. No seu todo, este sistema conforma uma construção monumental, com quilómetros de extensão, concebida para a exploração energética do rio de forma equilibrada e ambientalmente sustentável.

Na Trofa, existem nove Azenhas no Ave, todas elas muito diferentes mas com um denominador comum, a sua grande importância patrimonial e arquitetónica. Não arriscamos a destacar nenhum exemplar, até porque, recentemente, tivemos acesso a novos dados acerca da Azenha da Esprela e ficamos surpreendidos pelas suas características arquitetónicas.

Contudo, a Azenha de Bairros foi o último exemplar a funcionar, até há bem pouco tempo dispunha de um engenho de moagem a produzir farinha, que preservou as especificidades construtivas e os materiais tradicionais adequados, fruto de uma sabedoria ancestral passada de geração em geração.

Outro exemplo peculiar, a Azenha da Maganha, que é referenciada num Prazo do Reinado de D. Diniz (1295), que tivemos oportunidade de consultar recentemente na Torre do Tombo. Ou a Azenha da Barca, que faz parte da identidade de muitos trofenses ao passarem outrora o verão no areal da sua praia fluvial. Em Vila do Conde, temos igualmente exemplares extraordinários: o núcleo de Ponte d’Ave ou a Azenha da Azurara com o seu coroamento e cujas referencias documentais remontam ao reinado de D. Afonso III.

Em Vila Nova de Famalicão, a Azenha de Povoação, a Azenha de Chaves ou as Azenhas Velhas, em Oliveira Santa Maria, são também exemplares magníficos que caminham para o desaparecimento. Em Santo Tirso, a Azenha da Ponte com ligações ancestrais ao Mosteiro de São Bento. Enfim… poderíamos destacá-las uma a uma, pois, todos os exemplares reúnem valores culturais, históricos, arquitetónicos, construtivos, etnográficos, e mesmo, ambientais.

“Certamente, muitos ainda se lembram de ir à Azenha buscar a preciosa farinha para fazer o pão nosso de cada dia. Estes edifícios estiveram ativos até à década de 1980”

NT: Que histórias ajudam a contar as azenhas e moinhos deste território?
BM:
Muito sucintamente, a história de um povo com séculos de ligação ao rio Ave.
As Azenhas do Ave representam o primeiro foco de industrialização do Vale do Ave. Caracterizam-se como as primeiras “fábricas tradicionais”, cujo engenho mecânico foi inventado pelo Arquiteto Romano Vitrúvio. No entanto, ainda não dispomos de estudos arqueológicos que relacionem as Azenhas do Ave com a época de ocupação Romana, embora isso aconteça em muitas outras regiões, quer em Portugal, quer em Espanha, França e Itália. Sabemos, com certeza, que este património foi um ativo económico do Reino nas épocas de D. Afonso III, D. Dinis e das Ordens Religiosas com os Beneditinos e os Cistercienses. Os Mosteiros da região detinham grande parte destes edifícios, que representaram durante muitos séculos um recurso económico muito valorizado e cobiçado. Como exemplo, o Mosteiro de São Bento, o Mosteiro de Vairão, o Mosteiro de Landim e o Mosteiro de Santa Clara eram os principais detentores de Azenhas no rio Ave. Com a extinção das Ordens Religiosas, esse património passou para posse de privados e assim se manteve até aos nossos dias.

Certamente, muitos ainda se lembram de ir à Azenha buscar a preciosa farinha para fazer o pão nosso de cada dia. Estes edifícios estiveram ativos até à década de 1980. A partir daí, entraram em decadência constante, fruto da evolução tecnológica, com a industrialização do setor da moagem, a expansão da indústria têxtil e a poluição do rio Ave nesse período. Atualmente, encontram-se em vias de desaparecerem. Temos o dever de continuar a sua história.

NT: Que estudos estão a ser feitos, atualmente, na investigação sobre as Azenhas do Ave?
BM:
Começamos a estudar as Azenhas do Ave em 2008, no âmbito do Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitetónico, sob a orientação do professor catedrático Francisco Barata, a quem presto a minha homenagem. Nunca mais parámos. Atualmente, estou a concluir o doutoramento na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Esta investigação aborda diversos pontos: .1 Enquadramento histórico; .2 Estudo da influência das Azenhas do Ave no território; .3 Análise dos aspetos arquitetónicos e construtivos, com um exaustivo levantamento arquitetónico das azenhas e açudes, onde se incluem projetos de reconstituição arquitetónica e tecnológica dos edifícios em ruínas; e, por último, mas de relevante importância, .4 Novos programas, usos e funções para as Azenhas do Ave.

No grupo de investigação sobre património arquitetónico – PACT do Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Porto – temos desenvolvido nos últimos oito anos diversos estudos e projetos sobre reabilitação de azenhas e moinhos. Publicamos vários artigos científicos sobre a matéria, participamos em congressos nacionais e internacionais, organizamos exposições e ações de sensibilização com as comunidades locais, associações, juntas de freguesia e câmaras municipais. Estamos a organizar um Encontro de Molinologia, que juntará em Portugal diversos especialistas.

Temos sido, recorrentemente, contactados por associações locais e regionais, juntas de freguesia e municípios que pretendem reabilitar azenhas ou moinhos integrados em paisagens ribeirinhas. O Moinho de São Marçal, em Vila Nova de Famalicão, é um exemplo disso. Um desafio que nos foi colocado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e pela Junta de Freguesia de Esmeriz, que apostaram na reabilitação das ruínas de um antigo moinho. O objetivo a que nos propusemos foi valorizar o património, através de uma intervenção qualificada, isto é, com recurso a boas práticas de reabilitação.

Este facto, para nós, é muito importante de referir, porque não basta levantar paredes e colocar uma cobertura utilizando materiais desadequados ou, doutro modo, tentando reproduzir imitações de rodas, quer verticais quer horizontais, sem qualquer conhecimento das técnicas tradicionais de construção, exemplos do que vemos acontecer em muitos casos. Para enveredar por este caminho, mais vale não intervir, precavendo o risco de descaracterizar o património. Nestes casos, a sugestão passa apenas pela conservação.

Quando pretendemos reabilitar uma azenha ou um moinho devemos conhecer as características hidrográficas do rio, o seu passado histórico, as funcionalidades dos engenhos mecânicos, os processos tradicionais de construção, os tipos de materiais, e por fim, adequar o novo uso às características do edifício preexistente. Caso contrário, corremos o risco de descaracterizar o património e “deitar por água abaixo” um investimento.

Os últimos anos de investigação no Centro de Estudos foram, em grande parte, dedicados a estas matérias. Por exemplo, no caso da intervenção no Moinho de São Marçal em Vila Nova de Famalicão, optou-se pela reconstrução de um pisão de pancada vertical, extinto na região desde os finais do século XIX, mas que todavia se encontrava referenciado nas Memórias Paroquiais de 1758. Este facto exigiu meses de investigação para conhecermos o tipo de engenho, os processos construtivos, os materiais adequados, as madeiras utilizadas originalmente, o seu dimensionamento, etc. Foi indispensável elaborar desenhos técnicos pormenorizados, bem como um exaustivo trabalho no terreno em contacto direto com moleiros, artesãos carpinteiros, pedreiros, serralheiros e madeireiros. Por exemplo, para construir a maceira do pisão foi necessário encontrar um carvalho com 90cm de diâmetro e serrá-lo especificamente para o efeito. Só assim, com o nosso permanente acompanhamento técnico, garantimos a correta execução do pisão, respeitando todos as técnicas e materiais utilizados tradicionalmente. Estará para breve a sua inauguração, pelo que deixo desde já aqui o convite.

Biografia
Bruno Matos (Trofa, 1978). Arquitecto, Mestre em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico, (FAUP, 2012). Doutorando no perfil “Património Arquitectónico”, (FAUP, 2012). Foi premiado na primeira edição do Prémio Ibérico de Investigação em Arquitectura Tradicional. É investigador no grupo PACT do CEAU-FAUP (Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto). Autor do livro e comissário da exposição itinerante “Património à prova de água – Apontamento para a Salvaguarda das Azenhas & Açudes nas margens do rio Ave, Vila Nova de Famalicão/Trofa”, promovido pelo Gabinete do Património Cultural da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, assina também diversos artigos na área da Molinologia.
Participa frequentemente em congressos nacionais e internacionais, bem como em iniciativas de sensibilização sobre o Património Molinológico, em colaboração com câmaras municipais e associações. É membro associado da TIMS – The International Molinological Society, da ACEM – Asociación para la Conservación y Estudio de los Molinos e da RPM – Rede Portuguesa de Molinologia.