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Edição 726

Santiago de Bougado em corrida contra o tempo para a desagregação

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Estima-se que venham a ser 600 as freguesias que poderão vir a ser desagregadas /criadas pela proposta de Lei que há de vir a ser levada a Conselho de Ministros já esta semana, e que será depois remetida ao Parlamento, garante o Jornal Expresso. Coincidência ou não, são também 600 os dias de trabalho árduo, que tem vindo a ser desenvolvido pelos 11 elementos do Movimento Por Santiago de Bougado, que desde 2019, têm vindo a lutar para que a sua freguesia seja desagregada de S. Martinho de Bougado.

A agregação feita em 2013 contra a vontade dos Bougadenses de Santiago de Bougado, imposta pela denominada lei “Relvas”, defendida pelo então ministro do PSD, Miguel Relvas, que determinou a agregação de Santiago a S. Martinho, nunca foi aceite de forma pacífica pela população. Agora, mais de 7 anos depois há de novo uma luz, ainda que muito ténue, ao fundo do túnel.

A reposição foi acenada, mais do que uma vez, pelo primeiro-ministro António Costa, tendo o então ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, lançado datas ainda na anterior legislatura que nunca foram avante.

No atual Governo, a condução do processo está nas mãos de Alexandra Leitão, a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, que reuniu com a Associação Nacional de Freguesias, Anafre e foram já definidas algumas datas.

De acordo com informação veiculada por fonte do ministério, “está em fase final de preparação um documento” que deverá ser levado a Conselho de Ministros na próxima semana e que será remetido, sob a forma de proposta de lei para a Assembleia da República, onde residem agora as esperanças dos Bougadenses e de milhares de pessoas que, pelo país fora, criaram movimentos para lutar pela desagregação da sua freguesia.

António Pontes, porta-voz do Movimento por Santiago de Bougado afirma que o Movimento “recebe esta informação da proposta de lei com muita positividade e boas expectativas” que vão de encontro ao “trabalho que, ao longo dos dois últimos anos, os elementos deste movimento têm vindo a desenvolver em prol da reposição da nossa freguesia”. Tendo em conta que o “Movimento foi constituído com o intuito de conseguir a desagregação da Freguesia de Santiago de Bougado é muito importante assistirmos agora a esta decisão do Governo de levar a “Conselho de Ministros na próxima semana a proposta de lei que define os critérios para a reposição/desagregação de freguesias”.

António Pontes lembrou todo o trabalho desenvolvido pelo Movimento por Santiago de Bougado, junto dos grupos parlamentares dos vários partidos com assento na Assembleia da República, assim como as dezenas de reuniões e iniciativas levadas a cabo junto dos eleitos locais e dos partidos políticos na Trofa, adiantando que “tendo por base a informação que tem vindo a público parece-nos que estamos bem posicionados para conseguir retomar a autonomia administrativa de Santiago de Bougado”.

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“Aguardamos com expectativa que seja tornado público o documento final que define os critérios a aplicar para alcançarmos de novo a autonomia administrativa”.

Agora é esperar pelo conselho de ministros e esperar que se cumpra o prazo de 31 de março de 2021, data proposta pelo Governo para fechar este dossier, que vai ainda fazer correr muita tinta.

CDU faz aprovar na Assembleia Municipal moção a favor da reposição de freguesias

Foi por unanimidade que na última Assembleia Municipal da Trofa a moção pela desagregação de freguesias foi aprovada. CDU, PS e Coligação Unidos pela Trofa, assim como todos os presidentes de junta do concelho, nomeadamente os presidentes da Junta de Freguesia de Bougado Luís Paulo, Lino Maia presidente da junta de Alvarelhos e Guidões e o presidente José Ferreira da União de Freguesias do Coronado aprovaram o documento exigindo ao Governo “Repor as freguesias extintas“.

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Edição 726

A Trofa na Rota do Linho? ( 1943-1979)

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“Triste linho. O que ele padeceu para chegar a ser branco e útil. Foi semeado, arrancado, ripado, moído, espadelado, sedado, fiado, ensarilhado, meado, cozido, corado, dobrado, novelado, urdido e tecido”. São estas as fases por que passa a transformação do linho, desde o seu cultivo até ao branqueamento final…

Mas, o que é o linho e qual a sua composição? É uma planta herbácea, que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lineáceas (com flor azulada). O linho compõe-se basicamente de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de substância lenhosa. Produz sementes oleaginosas e a sua farinha é utilizada para cata-plasmas de papas, usadas para fins medicinais. O linho é um dos tecidos mais antigos da humanidade; acredita-se que foi descoberto há mais de 36.000 anos. Para a antiga sociedade egípcia, era de uma importância fulcral, sendo igualmente reverenciada pelas tribos de Israel.

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações aqui

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Maria Júlia Padrão (1923-2020): A menina da Farmácia partiu

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Em poucos dias, a Trofa perdeu duas referências, que, à boleia de um sentido cívico e muita ousadia, ajudaram a escrever a história do concelho. Uma dessas referências foi Maria Júlia Padrão, figura incontornável da sociedade trofense, que partiu a 2 de outubro, aos 96 anos, deixando um legado quase impossível de replicar. Para os anais da história desta comunidade fica o espírito emancipado e muito à frente do seu tempo, a mostrar o caminho do progresso.

Mais velha de cinco irmãos, dois rapazes e três raparigas, Maria Júlia herdou a vocação artística da mãe, exímia tocadora de piano, tendo sido orfeonista no Orfeão Universitário, mas inclinou-se mais para a pintura. Ainda assim, foram as pegadas do pai, Avelino Moreira Padrão, conhecido como “médico dos pobres”, que sustentaram muito do que foi a vida desta jovem que se formou, em 1945, na Faculdade de Farmácia do Porto.

Prontificou-se a apoiar o progenitor no atendimento aos doentes, mais concretamente na administração de vacinas e injetáveis, mas Avelino Moreira Padrão era exigente e quis que Maria Júlia se especializasse também em enfermagem. E assim foi. No último ano de licenciatura, a jovem inscreveu-se na Faculdade de Medicina do Porto e tirou, simultaneamente, o curso de enfermeira visitadora.

O sonho de ser médica, anulado por quase não ouvir do lado esquerdo, foi substituído pelo projeto que criou com a irmã, Maria José, depois de cinco anos a ajudar Avelino nas consultas: a Farmácia Moreira Padrão abriu em 1951, um ano depois do falecimento do pai. Este tinha aprovado os intentos das filhas, com uma condição: não entrar em guerras comerciais com a farmácia já existente na Trofa.

E naquele tempo, corrido sem o percalço de uma pandemia, as Marias foram empreendedoras, ao prestar serviços de enfermagem e entrega de medicamentos ao domicílio. Faziam-no a pedalar. Maria Júlia e Maria José saíam pelas aldeias de bicicleta, muitas vezes revezavam-se nas corridas. “Nesse tempo, não havia horário de trabalho. Aplicávamos injeções de penicilina de quatro em quatro horas. Enquanto uma descansava, a outra ia”, contou, numa entrevista à Saúda.

Teve a felicidade de nunca ter tido “um mau encontro” e de ser “muito respeitada” pela comunidade. À imagem do que acontecia com o pai, também estas jovens não cobravam nada pelos serviços que prestavam e quem podia oferecia géneros, como batatas, pão e hortaliças.

Maria Júlia não se destacou apenas nos cuidados médicos. Na política, também deixou marca, e bem vincada tendo em conta o tempo em que viveu. Tinha o “bichinho da política”, porque não conseguia “ficar alheada dos problemas do país”. Também neste capítulo, seguiu inspirada pelo pai, alistando-se no Partido Popular Monárquico. Mas apesar de preferir “um Rei, educado para isso”, em Portugal, não se furtava ao dever cívico do voto, mesmo nas presidenciais.

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Era amiga próxima de D. Duarte Pio, que a ajudou, aliás, a criar a Caixa de Crédito Agrícola na Trofa, e seguiu os preceitos do catolicismo, tendo apoiado vários projetos comunitários.

Viveu intensamente, trabalhou até ao fim, disponibilizando sempre um sorriso, sem exagerar na dose. A doutora Maria Júlia partiu sem dever nada a ninguém. A Trofa deve-lhe muito.

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