Escrevo estas linhas com a necessidade de alertar para que todos percebam que existe património na Trofa que vai passando além da atenção da maioria, porque para muitos a história desta localidade e concelho é praticamente nula, ignorando solenemente as freguesias que compõem este pequeno município, além do que se passa no centro do seu concelho.

Um exemplo claro e flagrante deste esquecimento, ou talvez mesmo desconhecimento, fica localizado em S. Romão do Coronado. Falo concretamente da capela de Santa Eulália, que é bastante próxima da igreja daquela freguesia e, que no seu pequeno alto, ano a ano vai completando mais um aniversário para os seus séculos de existência.

Reduzidas dimensões, construção simples, bem sei que não é apelativo para a atenção de muitos, mas aquela construção, possivelmente sem direito a grandes dúvidas, contudo, mantendo alguma reserva científica, poderá ser uma das construções mais antigas deste jovem concelho.

Na documentação medieval relativamente a S. Romão, existem já referências ao lugar de Santa Eulália, entre outros lugares como o de Lousado, ganhando força a questão da existência desde tempos remotos, daquele templo para ser o responsável pela atribuição daquele topónimo.

A construção atual, obviamente, que é do século XVII, fazendo as atuais instalações aproximadamente 400 anos, alertando alguma da bibliografia para a existência possivelmente de um templo pré-existente, comprovando a argumentação que tem vindo a ser explanada.

Nas Memórias Paroquiais de 1758 era descrita a romaria de habitantes das freguesias vizinhas até aquela capela, comprovando a antiguidade do seu culto, caso fosse um culto recente não teria aquele impacto na sua comunidade, podendo estar a falar de décadas, não escrevendo séculos para refrear o meu entusiasmo.

A construção de novos templos, assente na reconstrução de templos antigos, é prática comum. Várias escavações arqueológicas em templos semelhantes rapidamente demonstraram a existência de antigas construções e contribuíram para a constituição de uma identidade, existindo a forte possibilidade de um dia, se ocorressem trabalhos arqueológicos, serem identificadas marcas de um passado.

Possivelmente, e até querendo não ser demasiado apaixonado e tentando manter o distanciamento necessário para o trabalho de um historiador, lanço um repto ao público se já repararam na própria constituição do terreno, uma pequena elevação, de terra, no meio de algo plano com grande extensão, não ignorando a proximidade com uma linha de água, não deverá ser ignorado essa situação, porque possivelmente, naquele local, poderá ter existido uma construção em época bastante remota, muito anterior à fundação da nação Lusa. E talvez uma das primeiras ocupações do território do Vale do Coronado após as primeiras populações terem descido da montanha.