Esforço, perseverança e dedicação, são alguns substantivos que caracterizam o empenho de Rui Pedro Silva, trofense de 26 anos, desportista de alta competição, na modalidade de atletismo e que está entre os melhores a nível nacional.

  O atleta que alcançou o 11º lugar no meeting de Sheffield, em Inglaterra, na prova dos 3000 metros, já corre desde os 6 anos, tendo iniciado a sua vida de atleta na equipa do Ginásio da Trofa, onde , assegura "passou muitos e bons anos". No entanto, depois de vários anos, a conquistar títulos nacionais, aos 17 anos, Rui Pedro Silva, decidiu subir a fasquia e tornar-se num verdadeiro  atleta: "fiz uma opção, mudei de equipa, mudei de treinador fui viver uma realidade completamente nova da qual não me arrependo. Fui correr para o Futebol Clube do Porto, onde estive pouco tempo", afirmou. Esta mudança implicou um empenho extra, com treinos de de manhã e de tarde, mas com a ajuda do pai, com quem trabalhava, foi possível conciliar horários visto que "ele era muito flexível e permitia-me adequar o horário de trabalho às minhas necessidades", acrescentou.

Depois do Futebol Clube do Porto, onde esteve duas épocas, foi para o Skoda, "porque me ofereceu melhores condições e também consegui lá vários títulos nacionais", afirmou Rui Pedro Silva. Nesta última época "mudei para o Maratona, que é a melhor equipa nacional", sendo campeão nacional logo no primeiro ano e quinto lugar no Campeonato da Europa de Crosse.

No Maratona, fez a melhor época de sempre, "fui quinto no Europeu de Crosse, fui Campeão Nacional de Crosse, que era um objectivo que vinha há já dois anos ou três a perseguir e obtive boas classificações no estrangeiro em várias provas". Rui Pedro Silva, fez questão ainda de referir que "pelo Maratona faço quatro ou cinco corridas, onde me preocupo estar a cem por cento que é a equipa que me paga, de resto as outras competições que faço, corro na mesma com o equipamento do Maratona mas já é diferente", afirmou.

Em Inglaterra, deu o seu melhor, correndo com os melhores do mundo, mas lembra que "quando cheguei aos mil e tal metros já não tinha pernas para correr mais, mas tinha de chegar ao fim e foi isso que fiz", asseverou. Com o objectivo de ser também o primeiro da Europa, os africanos, Kenianos e Etiopes na sua grande maioria, são para ele e para os outros corredores um grande obstáculo, visto que têm um grande ritmo e velocidade e afirma ser "quase impossível alcança-los, porque eles não correm, voam", ironizou.

Em relação ao tema do doping, Rui Pedro, refere "um atleta português que ficou em segundo no europeu de crosse, e como teve o controle positivo e foi desqualificado", mas o atleta afirma que "felizmente não tomo nada disso sou várias vezes controlado, ainda a semana passada vieram a minha casa tocar-me à campainha para me fazer o controle, sem avisar", explicando então como se processa este controle no qual "os atletas de alta competição depois de atingirem um certo nível, o Organismo de Controlo Anti-doping, tem o nosso contacto e se formos para outro sitio qualquer temos de comunicar para onde é que vamos, podendo aparecer lá alguém", mas para Rui Pedro, "quem não deve não teme". Por isso, é acompanhado por um médico, que lhe prescreve todos os medicamentos que ingere, "porque às vezes na inocência compra-se uma coisa qualquer, mesmo uma aspirina, e não se pode tomar", acrescentou.

Apesar do seu empenho e reconhecimento a nível nacional e internacional, o atleta de alta competição lamenta o facto de "ter mais apoio de outras instituições de fora do que aqui do nosso município, mesmo na corrida que costumava haver cá eu não era considerado um atleta do concelho da Trofa". Rui Pedro assevera ainda que na zona norte haver poucos sítios preparados, onde possa treinar, tendo que correr "pelas ruas cheias de carros, e quando não ando aqui vou treinar para o Porto, para o Parque da Cidade ou para o estádio do Maia, visto que nem temos ginásio aqui", mas em Lisboa onde às vezes treina, "tínhamos tudo, piscina, saunas, ginásios, cá infelizmente temos pouca coisa", afirmou.

Para ele existem também muitas diferenças, entre o público estrangeiro e o público português, referindo que, "nós quando vamos correr lá fora somos considerados ídolos, em Portugal já é mais banal, já não dão tanto valor ao atletismo", dando o exemplo de uma corrida em Manchester onde, " há um mês estavam a correr 25 mil pessoas numa prova de oito ou dez quilómetros, cá posso juntar dez provas para se ter essas pessoas todas. Eles lá fora vivem o atletismo de um modo diferente", explicou.

Para ele, para além do apoio do público, "é importante também o apoio da minha família, da minha namorada, do meu treinador e da minha equipa", acrescentando também que nas horas livres, que são muito poucas " vou ao cinema ou vou até à praia, para não entrar em stress".

Mas um dos grandes objectivos de Rui Pedro Silva para a próxima época, são os jogos Olímpicos , onde espera participar com a ajuda de João Campos, o seu treinador pessoal , o mesmo treinador da campeã olímpica Fernanda Ribeiro. Em Setembro ou Outubro participará na Taça dos Campeões de Estrada e em Dezembro nos Campeonatos da Europa de Crosse,nos quais irá tentar melhorar o quinto lugar que detém neste momento.