No dia 25 de Abril, em que se celebra o 33.º aniversário da Revolução dos Cravos, que trouxe a liberdade, a democracia e o pluralismo de ideias ao povo português, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão através do Museu Bernardino Machado, inaugura, pelas 18h00, a exposição nacional dedicada ao "Centenário da Revolta Académica de 1907". A mostra, que estará patente até dia 2 de Setembro, é constituída por documentos do fundo particular de Bernardino Machado e do Arquivo da Universidade de Coimbra, e ainda um conjunto interessante de fotografias, caricaturas e recortes de imprensa, seleccionados em periódicos da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, de Vila Nova de Famalicão, da Biblioteca Pública Municipal do Porto e da Biblioteca Pública de Braga. A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira das 10h00 às 17h30 e aos fins-de-semana das 14h30 às 17h30.

 A reprovação de José Eugénio Ferreira, licenciado em Direito, nas provas de doutoramento, em Fevereiro de 1907, esteve na origem do protesto da Academia de Coimbra que, rapidamente, evoluiu para um movimento estudantil de dimensão nacional. A greve nos estabelecimentos de ensino superior e liceus de norte a sul do país, a seguir à condenação pelo Conselho dos Decanos de um grupo de estudantes, considerados os mentores e instigadores da revolta académica, conduziu à intervenção de destacadas personalidades políticas e a uma forte contestação ao governo de João Franco.

Bernardino Machado, na época professor catedrático da Universidade de Coimbra, solidarizou-se com os estudantes, apoiando as reivindicações de reforma do ensino e abolição do foro académico. A exoneração do cargo, a seu pedido, era inevitável.

Para o presidente da Câmara Municipal, Armindo Costa, Famalicão tem "todas as razões para se associar a este acontecimento nacional". Desde logo, "porque estamos perante a maior revolta académica do país, que levou ao encerramento da Universidade de Coimbra, à expulsão de estudantes da academia e ao fecho das Cortes", mas também porque "naquela época, o famalicense Bernardino Machado era professor catedrático em Coimbra, e não hesitou em colocar-se ao lado dos estudantes, demitindo-se da cátedra".

Por sua vez, o coordenador científico do Museu Bernardino Machado, Norberto Cunha, salienta que a "revolta estudantil de 1907 foi um dos acontecimentos sociais e políticos mais relevantes, ocorridos no ocaso da Monarquia". Referindo-se à participação de Bernardino Machado nesta revolta académica, Norberto Cunha salienta que "embora repudiando o alegado envolvimento do Partido Republicano na greve", o antigo presidente da República "apoiava as suas reivindicações, porque as justificava a liberdade de pensamento, a moral e a renovação do ensino".

Neste sentido, o responsável explica ainda que "na greve ficaram frente a frente e num painel que se alastrou a nível nacional, a propósito de um mero acto académico, o principio da autoridade (Monarquia) e o principio da liberdade (República)" .