As redes sociais na internet são estruturas compostas por indivíduos ou organizações, que estão ligados entre si por diferentes tipos de relacionamento horizontal e não hierárquico e que partilham alguns interesses, valores e objectivos comuns. Estas redes não são apenas uma nova forma de estrutura, mas quase uma não estrutura, no sentido de que parte da sua força está na faculdade de se fazer e desfazer a qualquer momento.

As redes sociais deixaram de ser apenas um espaço para encontrar amigos que estavam separados e perdidos no tempo e deixaram de ser “território” exclusivo de adolescentes e jovens. É muito mais que isso.

Nos tempos actuais, as redes sociais na internet são utilizadas numa panóplia de finalidades, como a interacção entre familiares e amigos, mobilização de pessoas para um convívio, contacto com o eleitorado para apresentação de programas e propostas políticas, comercialização de produtos e serviços, troca de contactos e experiências profissionais, lançar petições para um determinado fim ou até encontrar dadores de um rim ou donativos para uma associação de solidariedade social.

A ideia das redes sociais começou a ser usada há cerca de um século atrás, para designar um conjunto complexo de relações entre membros de um sistema social a diferentes dimensões, desde o relacionamento interpessoal ao internacional. No final do século XX, as redes sociais surgiram como uma técnica chave na Sociologia, na Antropologia Social. O termo passou a ser visto como um novo paradigma das Ciências Sociais e começou a ser aplicado e desenvolvido no âmbito de disciplinas tão díspares como a Antropologia, a Biologia, a Economia, a Gestão, as Ciências da Informação e da Comunicação, a Geografia e a Psicologia Social.

O funcionamento da maior parte das redes sociais na internet implica uma actualização frequente de cada participante, que no seu espaço é impelido a colocar, entre muitas coisas: dados pessoais, fotografias, interesses, ideias, comentários e opiniões, partilhando-o com “amigos” que podem ver e comentar essas informações e imagens.

As redes sociais entraram em força na sociedade portuguesa. Já são muitos os portugueses, um em cada três, que estão ligados a uma das redes sociais na internet. Cada vez existem mais jovens a navegar na Internet e o contacto com a internet inicia-se cada vez mais cedo na vida dos jovens. O papel dos pais é fundamental e estes devem tentar saber e acompanhar o que os filhos menores fazem nas redes sociais. Devem procurar pelos perfis dos seus filhos nas redes sociais e verificar que tipo de informações e fotos tornam públicas. Devem tentar perceber também com que tipo de pessoas falam e se relacionam e preveni-los para os riscos a que estão sujeitos. Os pais devem manter-se atentos – a prevenção é o melhor remédio. As redes sociais não oferecem mais segurança do que qualquer outro sítio na Internet e devem ser aplicados elevados níveis de cautela.

Que efeitos têm nas relações humanas dos portugueses, e não só, é um estudo necessário e a exigir celeridade. Um dado é adquirido: toda a potencialidade criada no mundo virtual pode ser transporta para a realidade, já que as pessoas, que se organizam nas redes sociais na internet com determinados fins poderão encontrar-se e estimularem esses contactos no mundo real. Esta realidade dos nossos tempos é uma mudança radical, na medida em que as redes sociais assumem uma dimensão global, quando antes estavam restritas a um espaço geográfico.

As diversas redes sociais na internet têm um ponto em comum: a fonte de partilha de conhecimentos, informações, interesse e esforços, que em muitos casos reflectem um fortalecimento da sociedade civil, num contexto de maior participação cívica, democrática e até mobilização social.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt