Música e poesia foram os ingredientes de uma tarde alusiva ao amor, para assinalar o Dia dos Namorados na Trofa. Evento marcou a estreia de António Sousa à frente da Casa da Cultura.

“O amor é…uma flor e um poema”. Escrita com a cor da paixão, a frase sobressaía na parede da sala do rés-do chão da Casa da Cultura (CCT), numa perpendicular perfeita com as pétalas de rosa a ladear o pequeno palco, acolhedor e envolvente, à imagem do que se pretendia. Em cima da mesa, os biscoitos em forma de coração seduziam o paladar e abriam o apetite para o chá quente que prometia ajudar a aquecer corações. A decoração a rigor, minuciosamente preparada em tons de vermelho, anunciava o dia especial que a Casa da Cultura da Trofa não deixou passar em branco na agenda.

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Em dia de S. Valentim, ao som dos acordes românticos do quarteto de cordas “Famaquarteto”, todos foram convidados a deixar, por breves momentos, a cadeira na plateia para pisar o palco e vestir a pele de poeta. Durante, sensivelmente, duas horas, a Casa da Cultura ouviu declamar alguns dos mais clássicos poemas de amor da literatura portuguesa.

“Era um evento que se pretendia envolvente para as pessoas que participaram e para que, de algum modo, elas interiorizassem o espírito pretendido que a música e a poesia exigem”. A explicação é de António Sousa, que este domingo marcou a sua estreia à frente da Casa da Cultura da Trofa. Para o novo responsável pela agenda cultural do concelho, esta foi a verdadeira “prova de fogo” do cargo que lhe foi confiado por Assis Serra Neves, vereador da Cultura da autarquia trofense. A festa dedicada ao amor “superou todas as expectativas” e, “mais importante do que a presença, foi o facto das pessoas participarem com poesia dita”, sublinhou António Sousa. “Aceitaram o desafio, não só foram actores passivos ouvindo, como dizedores ao ousar dizer poesia”, atestou.

Música e poesia protagonizaram, assim, um verdadeiro hino ao amor, mas também à amizade, para aqueles que, não apaixonados, quiseram passar uma tarde de convívio. É o caso de Ricardo Tavares, que, convidado por um dos músicos, que já foi seu professor, fez questão de marcar presença para “apoiar” o amigo. Sheila Rodrigues e Juliana Azevedo, amigas de Ricardo, juntavam-se ao grupo de solteiros. “Apesar de ser Dia de S. Valentim, somos amigos e a amizade está em primeiro lugar”, frisou Sheila, corroborada por Juliana Azevedo, para quem “é importante mostrar a amizade que temos uns pelos outros, mesmo não sendo nada mais”.

Os três amigos foram apenas alguns dos muitos que responderam afirmativamente ao convite da autarquia. “Este evento não era só para casais apaixonados, era para toda a gente e hoje (domingo) provou-se isso mesmo”, ressalvou Assis Serra Neves. Satisfeito com a qualidade do espectáculo proporcionado, o autarca garantiu ter gostado “de tudo”, fruto do trabalho de António Sousa e de todos quantos colaboraram. “Sem ele isto não era possível, e sem os funcionários que se empenharam para que a tarde tivesse este sucesso, também não”. Para o vereador da Cultura este evento “superou todas as expectativas” e contribuiu para “dignificar” aquela sala da Casa da Cultura.

António Sousa quer “disseminar o amor pela poesia” no concelho

O convite de assumir a animação cultural da Casa da Cultura da Trofa chegou a António Sousa através de um telefonema. Do outro lado, o vereador Assis Serra Neves lançava o desafio ao professor, para dar uma nova cara à cultura do concelho. Depois de uma reunião pessoal com o autarca, António Sousa garante que “não soube dizer que não”.

O professor, natural de Vila Nova de Famalicão, agora responsável pela agenda cultural do concelho, quer levar o gosto particular que nutre pela poesia a todos os trofenses. Este é uma das suas maiores ambições para que “os trofenses comecem a apreciar e a viver a cultura”. “Mais do que desejar a realização de grandes eventos” no concelho, António Sousa pretende que sejam eventos que envolvam as pessoas da Trofa”.

O projecto passa, segundo o próprio, por “disseminar o amor pela poesia em vários espaços, em momentos como este na CCT e nos cafés, por exemplo”. “Se as pessoas não vierem, faremos o possível para ir ter com elas e levar-lhes a cultura, porque temos um grande concorrente que é o sofá e é difícil lutar contra ele”, referiu, em tom de brincadeira.

E na luta contra o sofá, a agenda cultural começa a completar-se, com destaque para um espectáculo sobre Agostinho da Silva, no dia 5 de Março, no auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado. No mesmo mês, os Meninos Cantores do Município da Trofa vão protagonizar um concerto para a angariação de fundos a favor das crianças do Haiti, que serão entregues à UNICEF. O espectáculo de solidariedade terá lugar na Igreja Nova da Trofa, no dia 14 de Março.