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Ano 2010

Profissão: Escultor

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Respira-se natureza envolta em arte na oficina de Alberto Carneiro, natural de S. Mamede do Coronado, um dos maiores vultos da escultura nacional. O artista abriu as portas da sua casa ao NT/TrofaTv e mostrou alguns dos seus trabalhos.

É um dos escultores de renome no país e já expôs em todo o mundo, mas Alberto Carneiro garante não estar preocupado com essas “catalogações: “Faço o meu trabalho antes de mais para mim mesmo e depois para os outros”. Alberto Carneiro é um escultor nascido em S. Mamede do Coronado e reconhece que “vive para a escultura e para a arte”, muito embora tenha sido professor durante 32 anos. No entanto, a arte sempre foi a sua verdadeira ocupação: “Quando me perguntam a minha profissão nunca respondo professor, mas sim escultor, porque é essa, de facto, a minha profissão”. Começou na Arte Santeira aos 10 anos e a partir daí, nunca mais parou. Desses tempos guarda ainda uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que o seu pai conservou e que agora está presente no seu atelier.

As obras de Alberto Carneiro são sobretudo esculturas em madeira, pois, o escultor defende que a arte é uma forma de extravasar a energia existente na Natureza, que “se basta a si mesma”. “O meu trabalho é um processo de descoberta e, mesmo que tenha ideias prévias, não fico sujeito a elas”, asseverou. Talvez por isso, o artista nunca parte do título para a obra, mas “sempre da obra para o título”. No processo criativo que é o seu trabalho, Alberto Carneiro tem “uma espécie de namoro” com os materiais que utiliza, pois existe “um diálogo com os materiais”, em que matéria e escultor vão “respondendo” reciprocamente”. Actualmente, os tradicionais instrumentos de trabalho estão afixados num painel na parede, de onde raramente saem, já que com a serra eléctrica faz “praticamente tudo”.

Já expôs na Casa da Cultura da Trofa, mas o artista confessa que não sabe a opinião que os trofenses têm do seu trabalho: “Não sei, de todo, não sei…”.

Alberto Carneiro foi também o responsável pela criação do Museu Internacional de Escultura Contemporânea em Santo Tirso e pelo Museu Internacional de Arte Contemporânea ao Ar Livre em

Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança. Sobre a possibilidade de criar um espaço semelhante na Trofa, Alberto Carneiro mostra-se mais pessimista, pois “a Trofa não tem as mesmas características de espaços de jardim”. O escultor teve, em tempos, um projecto para implementar na freguesia, num terreno público, o seu Museu, mas “por vicissitudes várias não avançou e provavelmente não vai avançar”.

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Como companhia no atelier onde trabalha, Alberto Carneiro tem, para além da música clássica, um gato cor-de-laranja de nome Breto, que não gostou de ser incomodado por câmaras de filmar e flashs de máquinas fotográficas.

 

Galeria pessoal tem obras de grande simbolismo

Na galeria existente junto ao edifício principal da casa, Alberto Carneiro tem expostas algumas obras dignas de referência. Na sala do rés-do-chão, encontramos uma peça de enormes proporções, idealizada para um espaço próprio: a sala das naus do Palácio de Sintra. “As naus a haver por mares nunca antes navegados” é o título da obra e junta versos de Fernando Pessoa e Luís de Camões. Como muitas das peças do escultor mamedense, a água acabou por ser o elemento motor para a obra. “Aquilo que anda sobre a água e aquilo que, simultaneamente, a conduz”, explicou. Alberto Carneiro demorou cerca de dois anos a concluir a obra, que foi esculpida em madeira de mogno, tola e wocomé, madeiras tropicais. Esta escultura é “forte” e com um “papel importante” na obra do artista. “Não me cativo nas obras que já fiz, pois estou sempre em processo de superação”, assegura quando questionado sobre a sua obra favorita.

Se no chão está a água, na parede encontrámos o fogo. “Sobre o fogo” é uma obra dedicada à energia desse elemento da natureza, esculpida em madeira de bucho, um arbusto que cresce muito lentamente e “tem uma história cultural interessante”. Tal como os dois elementos representados nas suas obras, também os tipos de madeira utilizados são muito diferentes.

Subindo as escadas que dão acesso ao piso superior, encontramos uma outra obra – “A árvore da vida” – que partilha com espaço caixas e caixotes onde se lê “Frágil”, com várias obras que correm o mundo de exposição em exposição. Neste espaço, Alberto Carneiro está também a trabalhar em peças para uma nova exposição, que vai acontecer na cidade de Córdoba, Espanha. Embora sem data definida, Alberto Carneiro está também a preparar uma exposição na Fundação Serralves.

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“A árvore da vida” nasceu de uma tangerineira, na quinta de um amigo e vizinho, e “é mais uma vez a tentativa de retirar à matéria a sua energia, fazendo-a passar para o exterior como comunicação”.

Sempre que precisa de derrubar ou cortar uma árvore da quinta, o vizinho de S. Mamede contacta Alberto Carneiro para que possa assistir a todo o processo. O escultor faz questão de seguir de perto todos os passos no corte e desenraizamento das árvores com que cria as suas obras: “A obra já no desenraizar e no cortar. Se a obra é minha, não posso dar a outros o privilégio de a fazer”. Esta dedicação à arte valeu-lhe o primeiro reconhecimento pelo seu trabalho no longínquo ano de 1963, quando foi agraciado com um prémio da Academia Nacional de Belas Artes. Depois disso, muitos foram os galardões que se seguiram, com distinções tanto em Portugal como no estrangeiro. A que mais o “honrou” foi a distinção como Grande Oficial da Ordem de D. Henrique, pelo seu trabalho como artista e professor, em 1994.

Alberto Carneiro promete “continuar a fazer” o seu trabalho, até que já não tenha capacidades físicas para tal, até porque “trata-se de uma necessidade para a sobrevivência espiritual”. “Fazer arte faz parte do meu equilíbrio espiritual”, assegurou, enquanto se dirigia ao jardim da sua casa, também ele fruto de “um processo de trabalho” do escultor mamedense reconhecido em todo o mundo, mas praticamente um desconhecido na terra que o viu nascer…

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