As notícias publicadas este último fim-de-semana, nos jornais diários, trazem-nos algumas preocupações.

 

      Estamos habituados a ouvir falar de actos terroristas praticados lá longe, em Nova Iorque ou Londres ou, para falarmos de locais mais próximos, em Madrid. Sempre no estrangeiro.

      Pensamos que, vivendo nós neste jardim à beira-mar plantado, estamos imunes aos actos terroristas.

      A verdade é que, embora não tenham existido actos terroristas em Portugal, estivemos próximos de sofrer um atentado, de acordo com as notícias publicadas pela imprensa diária.

     De acordo com o "Jornal de Notícias" de Domingo passado, foram detidos, em Espanha, radicais islâmicos que chegaram a reunir em Portugal e que as "investigações permitem consolidar a tese de que o nosso país poderia ser um dos alvos, designadamente os transportes públicos".

     O mesmo "Jornal de Notícias" aponta algumas razões de para a existência de riscos de actos terroristas em Portugal, o mais importante do qual será, na minha modesta opinião a fotografia, que correu o mundo, onde aparecem os quatro líderes que apoiaram a guerra ilegal no Iraque. George W. Bush, presidente dos Estados Unidos da América, Tony Blair, primeiro-ministro britânico, José Maria Aznar, primeiro-ministro espanhol e Durão Barroso, primeiro-ministro de Portugal. Destes, apenas George W. Bush se mantém no cargo, mas ficou para o mundo que estes quatro estados apoiaram a invasão do Iraque, o que foi verdade.

     Ora, uma cimeira da guerra realizada em Portugal, com o nosso primeiro-ministro de então, é um factor de risco perante os islâmicos que se sentiram humilhados por esta guerra, tão ilegal quanto interesseira.

     O jornal "Público" noticia que um "infiltrado da polícia francesa confirma existência de plano para atacar Portugal.

     As informações das polícias francesa e espanhola permitiram que Portugal estivesse em alerta apesar do clima de serenidade que continuamos a viver em Portugal.

     Estas notícias significam que devemos ter cuidado porque, a qualquer momento, podemos ser confrontados com uma tragédia.

     Não vou repetir o que já afirmei aquando da invasão ilegal do Iraque. Tratou-se do meu ponto de vista, duma guerra ilegal e assassina que castigou um povo que vivia debaixo duma ditadura e que passou a viver debaixo doutra ditadura, agora mais radical.

     Invadiu-se um país soberano e o mundo tornou-se muito mais inseguro.

     Obviamente que ninguém pode agora apoiar os actos de terrorismo, até porque as vítimas serão, como sempre tem acontecido, os inocentes que em nada contribuíram para a guerra.

     A guerra espevitou milhares de pessoas, que viviam abaixo do limiar da pobreza, para o terrorismo.

     Alguns sonham com o paraíso nos instantes seguintes ao deflagrar da bomba que trazem amarrada ao próprio corpo. Outros, imagino que possam ser chantageados com a vida dos seus familiares e preferem morrer eles próprios.

     Recuso-me a aceitar que sejam todos voluntários, sabendo nós que todos os animais, como o homem, têm instintos de sobrevivência. Admiti que alguns, sem esperanças de vida, prefiram morrer do que continuar no mundo dos vivos a vegetar na pobreza em que nasceram ou vivem.

     Destas prisões efectuadas em Espanha, e dos avisos das polícias espanhola e francesa, fica-nos o dever de cuidado porque o terrorismo não anda tão longe de nós.

     O estado tem o dever de se manter alerta mas nada nos desobriga de termos os nossos cuidados, embora não saibamos muito bem como proceder nesse dever de cuidado.

     Esperemos que os terroristas não se lembrem de nós mais vezes. 
 

                             Afonso Paixão